Agências são celeiros de bandas e projetos musicais

Na Semana do Rock, confira quem são os publicitários que se dividem entre jobs e guitarras

Reprodução

O rock move gerações e já embalou diversos comerciais, fez de seus vocalistas garotos-propaganda, foi o protagonista em filmes icônicos, movimenta um mercado milionário, utilizou da publicidade em seus videoclipes e faz aniversário neste sábado (13). Mas a relação com o mercado de propaganda e marketing não para por ai.

Nas agências, diversos criativos dividem seu tempo entre a correria dos clientes e suas carreiras no showbiz. Confira aqui alguns deles:

A Balsa - Publicis Brasil

Desde 2011, a banda paulistana de sotaque carioca explora em seu trabalho autoral um som que mistura baterias firmes, guitarras soltas, sintetizadores espaciais, junto a composições que exploram “um lirismo urbano, teorias de botequim, poesia do cotidiano. Música brasileira, cantada em português, mas com referências sonoras ‘d´além mar’”.

A formação conta com Fil (vocal), Bari (guitarra e syth), Fabrizio (baixo), Nico (guitarra), Zeta (bateria) e Tieppo (piano). A Balsa tem dois EPs gravados e um clipe lançado no último ano. Para 2019 eles têm como prioridade o lançamento do seu primeiro álbum, que está em fase final de pré-produção. “Ao percebermos que singles e EPs não traduziam de forma completa nossas nóias, a solução de investir nossos recursos em um álbum, nos pareceu lógica”, aponta Guilherme Zetune, account manager da Publicis e baterista da A Balsa.

Para o músico, o momento inesquecível foi a final do concurso EDP Live Bands, que contou com a inscrição de mais de 1.700 bandas de todos os estados brasileiros e que tinha como premiação final tocar no maior festival de Portugal e gravar um disco com a Sony Music.

Amigo Imaginário e Crua tua Carne – The Zoo

Vinicius Malinoski, head of creative da The Zoo, do Google, toca o projeto solo Crua tua Carne.

Divulgação

Malinoski é ainda vocalista e guitarrista da banda Amigo Imaginário, que conta em sua formação com Guilherme Rech, Pedro Perurena (diretor de criação & diretor de arte) e Vinícius Facco (VP da agência digital New Vegas).

Amigo Imaginário foi formada em São Paulo, em 2011. “Eram quatro gaúchos do interior do Rio Grande do Sul radicados em São Paulo, mas no momento que o guitarrista se mudou para o Canadá, o baixista e o baterista saíram. Então, hoje, somos apenas eu (vocal e guitarra) e Guilherme Rech (guitarra) e o produtor Fu_k the Zeitgeist. O Rech acabou de voltar para o Brasil e estamos atrás de baixista e baterista para voltar a fazer shows”, diz Malinoski.

Todos os integrantes são da propaganda. Três redatores e um diretor de arte. “Hoje, todos diretores de criação. O Rech é ACD na Mutato, e os dois ex-integrantes são Pedro Perurena (baixo), da LiveAD e Vinicius Facco, sócio da New Vegas”, conta.

“Temos um disco e três EPs. Nesse momento, estamos produzindo o segundo disco, que vai ser lançado ainda este ano”, aponta.

Cannoli S/A – Dentsu Brasil

A banda foi formada em 2015 na Dentsu Brasil, num encontro interno do grupo DAN, em Lima, Peru. A Cannoli é formada por Mario D’Andrea, Mauro Rabello, Marcio Zorzella, Marcelo Feltrin e Caio Belim. Todos descendentes de italiano (daí o nome Cannoli S/A) e todos trabalham na Dentsu Aegis Network.

Para eles, o próximo show é sempre o melhor. Banda raiz, eles dizem que não têm disco, nem clipe. “Somos banda de garagem, não temos disco nem clipe, só tocamos ao vivo”.

A Cannoli se apresenta em bares da Vila Madalena e Moema, em São Paulo. O próximo show é dia 02 de agosto no Ton Ton Jazz Bar. “Já tocamos em vários eventos do DAN: Lima, Cancún, Rio de Janeiro e Miami”. Para eles, publicidade e rock combinam. “Ambos são resultados da integração do mais diversos talentos – sempre com alegria, descontração.  E muito, muito ensaio.”

Marina Arguelles - Mutato

"Já formei banda com amigos para tocar no meu aniversário, em 2006. Depois disso sempre participava de outras bandas que produzia ou era convidada para cantar em Salvador. A última apresentação que fiz foi cantando ‘A mais pedida’ com Digão dos Raimundos. Eu não o conhecia pessoalmente, mas sempre curti a banda”, conta a analista de Insights Marina Arguelles.

“No Café Piu Piu (casa de show em São Paulo), ele pediu para uma pessoa subir ao palco e, como eu já cantava a música em outra apresentações, subi com o incentivo dos amigos que estavam no local.”

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“Também aqui em São Paulo já fiz parte do projeto ‘Forme sua Banda’ do site Cifra Club para encontrar pessoas para fazer um som, mesmo de forma amadora. Atualmente não tenho banda, mas sempre produzi eventos justamente por amor ao Rock. Em todos os shows, eventos, festivais, pubs, fui conhecida no meio rocker como ‘Marinnex’. Sempre fui de comemorar o dia do Rock nas festas de Salvador e, quando visito a cidade, sempre dou um jeito de pegar um show de rock ao lado dos amigos", complementa.

“Minha apresentação no Plenário da Câmara de vereadores de São Paulo, onde eu pedi para cantar duas músicas com uma banda que estava se apresentando no final de um projeto é meu show inesquecível. Pedi o microfone e cantei Rock n´roll nacional.”

Mélomanie – Mutato

“Somos mais que uma banda, somos amigos para a vida toda”, defende Bruno Calmont, diretor de Arte na Mutato e baterista da Mélomanie. A banda tem ainda três advogados, Fernanda Cid, que é vocalista; Janja, que é baixista; e Max, que é guitarrista.  

“Fernanda e Janja são namorados e foram apresentados por mim. Sempre fiz um som com eles e um dia resolvemos montar uma banda e ver o que a nossa química fazia acontecer. Depois o Max se uniu ao grupo e foi uma explosão de ideias e conceitos, diante das referências musicais de cada um”, aponta.

“Fizemos um show no terraço do Hotel Janeiro, com a vista da praia do Leblon. Era um show importante e foi um evento um pouco diferente porque o público era mais sênior. Tivemos que adaptar todo o repertório para isso e foi muito corrido, com apenas uma semana de preparação. No final, deu tudo certo. Fechamos mais um show com a organizadora do evento que virou nossa fã. A música tem muito disso: ou você se adapta e corre atrás para fazer o seu melhor ou vai perder a oportunidade”, afirma.

Rock'N'Roça – Publicis Brasil

Na última semana de junho a Publicis Brasil promoveu uma festa junina embalada ao som de rock n´roll. De acordo com a diretora de RH da Publicis, Renata Garrido, a equipe de criação deu a ideia de fazerem uma jam session para o Dia do Rock.

“Tínhamos feito já uma festa com a turma da agência tocando e tinha sido um sucesso. Como já teríamos a festa junina, porque não fazer algo diferente, tipo um rock junino, ou melhor, um Rock'N'Roça?”, questiona.

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“A galera se dividiu de acordo com o perfil musical de cada um, instrumentos que cada um tocava e começaram os ensaios. A turma teve duas semanas para escolher as músicas e ensaiar. Eram pessoas do atendimento, mídia, criação, TI... de estagiário a vice-presidente tocando”, afirma.

Tocaram as bandas Deadline, Panetone Só Pra Mídia, CPM 20 Jobs, Jon Bon Job, Zack Wil Son e Forró do Babalu.

Segundo-Mundo - Mutato

A Segundo-Mundo existe desde 2017 e é formado por Heitor Giunge (baterista), que  é editor/motion/finalizador de videos na Mutato. Davi Gusmão, (backing vocal e baixo) e Ícaro Simões (guitarra e vocal).

Simões e Gusmão são baianos mas só se conheceram em São Paulo e encontraram Giunge por meio de um app de músicos. “Temos dois EPs até o momento, um em estúdio e o outro ao vivo, gravado no Manifesto Bar em São Paulo. Clipe ainda não temos, mas gravamos alguns vídeos com imagens de shows ao vivo”, Conta Giunge.

Recentemente, eles fizeram um show na Avenida Paulista e conseguiram juntar bandas amigas, sendo a apresentação mais celebrada até o momento.

Para eles, publicidade e rock têm uma relação próxima. “Já ouviu falar em Kiss? Tem tudo a ver! Inclusive a mudança da indústria musical, no começo dos anos 2000, fez com que os artistas precisassem desenvolver algumas habilidades para se promover. Alguns artistas de certos estilos musicais tem uma facilidade maior nessa parte e talvez esse seja um dos motivos do rock ter saído do mainstream”, defende.

Todomundo – Mutato

Lucas Almeida (guitarras, violões, eletrônicos e vocal), Mateus Perito (guitarras, violões, eletrônicos e vocal), Vinícius Rodrigues (percussão e vocal), Vinicios dos Anjos (baixo e vocal) e Rodrigo Augusto (bateria) formam, desde 2018, a Todomundo. 

Para eles, a banda é um coletivo, um trabalho colaborativo. “A música, é o centro da rede, que se ramifica e alcança os amigos e amigas envolvidos com arte, design, audiovisual, fotografia...Se a música vencer, todos vencemos!”

“A banda começou por causa da fixação que todos temos pela música brasileira dos anos 60 e 70, principalmente Jorge Ben Jor. Mas a formação musical dos integrantes é até um pouco caótica! Vai do hardcore/punk ao shoegaze passando pelo samba, pelo afrobeat, entre outras coisas”, conta Vinicios dos Anjos, Motion Designer na Mutato.

The Ex Files – GPAC

Os curitibanos da The Ex files estão juntos desde 2016.  Guilherme Festa é atendimento na GPAC e divide o vocal com Dinho, que trabalha com marketing e comunicação na Solo Network. A banda ainda tem Willian Chan no baixo e Carlos Sabião na bateria.

Na carreira de pouco mais de três anos, o The Ex Files tem alguns shows inesquecíveis, mas um no John Bull em Curitiba foi especial, pois abriram para uma a banda Tiger Jaws, dos Estados Unidos.

Eles têm dois EPs: Letters, de 2016 e Hide Your Feelings, de 2017. “O nome da banda vem da série Arquivo X, dos anos 1990, mas também de um episódio de Gossip Girl. O primeiro single foi lançado em 6 de junho de 2016 (6/6/6), mas nenhum membro da banda é satanista (eu acho)”, comenta Festa.

Reveja a série especial sobre o Dia do Rock aqui:

Semana do Rock: os astros que se tornaram garotos-propaganda

Semana do Rock: o gênero como a trilha sonora de comerciais

Semana do Rock: bandas investem em licenciamento e marca própria

Semana do Rock: videoclipes e publicidade mantêm relação próxima

Semana do Rock: o ritmo como protagonista das campanhas

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