“Minha sensação é que o Brasil está voltando”, afirma Marcos Quintela

Presidente do Grupo Newcomm mostra ânimo em relação ao mercado publicitário brasileiro

A frase acima é de Marcos Quintela, presidente do Grupo Newcomm (que controla, em sociedade com o WPP, agências como Y&R e Wunderman), e dá um sinal de que o ânimo está melhorando para o mercado publicitário brasileiro. “A gente percebe de uma maneira geral que os clientes estão muito mais abertos a ouvirem os projetos, não só para 2018 como também para o último trimestre de 2017”, completa ele, que é o substituto de Roberto Justus no comando do Newcomm. Nesta entrevista concedida ao PROPMARK, Quintela fala também sobre os projetos em andamento na Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), em que é vice-presidente, como a questão da valorização da propaganda e a remuneração das agências. O executivo aposta em uma reta final de ano aquecida para a propaganda e com crescimento. 

Divulgação

RETOMADA

Clientes estão retomando os investimentos. E tudo é questão de referência na base. 2016, independentemente das Olimpíadas, foi um ano difícil, acho que foi o pico da crise, e o primeiro semestre de 2017 também foi bem sofrido. Agora, acho que o último trimestre, como alguns bancos já tinham avisado, é o início da retomada. Como presidente do Grupo Newcomm, consigo ver vários setores das nossas agências. E no começo do ano que vem, apesar de ser na Rússia, a gente tem Copa do Mundo, que sempre dá uma aquecida em celulares, televisores, geladeiras. É um evento que impulsiona o comércio, principalmente o de eletroeletrônicos.

BLACK FRIDAY

Penso que a Black Friday deste ano vai ser muito boa também e já estamos preparando o Natal da maioria dos nossos clientes. Sinto que o ânimo mudou. Com a tecnologia digital, você já consegue fazer a leitura do que as pessoas têm buscado nas plataformas digitais.

EXPECTATIVAS

A minha expectativa é que a gente consiga crescer em relação ao último trimestre do ano passado. De repente, até próximo a dois dígitos com investimento de mídia. O problema é que nossos clientes da Y&R e do Grupo Newcomm são na maioria internacionais e precisam ter mais planejamento e reportar lá fora. Eles não podem decidir por aumentar o investimento de uma hora para outra. Mas acho que com alguns setores, comparado a 2016, neste último trimestre, que pega Black Friday e Natal, a gente pode chegar em até dois dígitos. O fechamento do ano terá um crescimento muito baixo. Mas o grupo inteiro fecha com crescimento.

CONCORRÊNCIAS

A gente tem participado de bastante concorrência. As concorrências deste fim de ano têm um aspecto um pouco menor em termos de volume. O que eu posso dizer é que entre todas as empresas do grupo, atualmente, nós estamos participando de oito a dez concorrências. É um ano que não foi muito bom para concorrência. Não foi um ano de muitas trocas, mas eu acho que contas com investimento menor, principalmente algumas digitais, abriram oportunidades. Mas tem muita coisa para acontecer até o fim do ano.

CONTAS PÚBLICAS

A Y&R participou em 2017 de duas licitações, uma delas foi pela conta da Secom, em que ficou em segundo lugar. Por uma questão contratual, a gente não conseguiu concluir. A gente ganhou, mas não levou. A outra licitação que a agência entrou, mas por um problema técnico não conseguiu levar, foi Prefeitura Municipal de São Paulo. Para nós, é um setor que a gente domina muito pouco e precisa entender melhor. Vamos ver se em 2018 tem alguma oportunidade bacana e viável. O nosso core, porém, são contas privadas. Nada contra atendimento a contas públicas, mas não somos uma agência que entra em todas as licitações.

ABAP

Antes de ser vice-presidente da Abap (nacional) junto com o Mario D’Andrea, eu fui presidente da Abap São Paulo nos últimos quatro anos. O que tem para fazer é tudo. Nós estamos discutindo questões políticas como a remuneração das agências e as regras locais para o mercado digital. Temos muito trabalho. A Abap é uma entidade muito séria e grande. Tem uma coisa fora do eixo Rio-São Paulo que é gigantesca, com mais de três mil agências de propaganda que são impactadas em todos os aspectos quando a gente muda alguma coisa. Então você tem de ouvir os seus regionais, porque uma mudança aqui afeta muito mais quem está no Amazonas, no Nordeste e no Sul do país.

VALORIZAÇÃO

Estamos revisando todas as regras (de remuneração) junto com o Cenp (Conselho Nacional das Normas-Padrão). Algumas regras do Cenp precisam ser revisitadas, como valores e patamares ou das condições de remuneração das agências. São regras muito antigas. O mercado digital não era tão presente como é hoje. Estamos revendo valores e conversando com todas as entidades que também são impactadas com isso, como a dos próprios anunciantes (ABA). O principal trabalho dessa diretoria é a valorização do nosso setor e deixar claro que, de verdade, a propaganda é a alma do negócio. O que a criatividade agrega para uma marca é algo intangível. A propaganda cria valor para a marca, diferenciação e também gera muito emprego, porque quando você faz seu cliente vender, seja de uma indústria de carro ou cerveja, isso acaba aquecendo a economia. Então, a propaganda tem de voltar a ser valorizada como já foi uma época.

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