"Sou o CEO de um Festival de Publicidade. Eles são imperfeitos, mas vitais na guerra da criatividade contra a mediocridade"

O embargo da Publicis Groupe para todos os prêmios de publicidade nos próximos 12 meses levanta algumas questões interessantes sobre os próprios prêmios: será que somos muito grandes, muito gananciosos, não refletimos adequadamente a indústria e inacessíveis? Ainda somos relevantes para a comunidade criativa que cria a magia e o valor em nossos negócios? Somos uma força para o bem na economia da comunicação do século XXI?

Todas essas são questões válidas e precisam ser consideradas de forma responsável.

Obviamente, isso em parte se aplica mais diretamente a Cannes do que aos Festivais sem fins lucrativos; aqueles como o D&AD (na qual sou o CEO), o One Club e outros que colocam seus excedentes de volta na indústria em um esforço para desenvolver talentos, promover a excelência real e abordar grandes questões da indústria, como a falta de diversidade e o desequilíbrio de gênero.

Para ser justo, Cannes faz algumas dessas coisas também. Mas é uma empresa listada tendo que aumentar seus lucros todos os anos para seus acionistas e executivos. Tem que correr atrás do dinheiro. E o dinheiro agora está desproporcionalmente nas mãos das empresas de tecnologia, das empresas de ad-tech e das grandes consultorias. Você pode vê-las dominando a praia. Elas são o motivo na qual grande parte da comunidade criativa sentem que Cannes não é mais para eles.

Este é exatamente o maior problema que veio a tona no meio desta confusão toda. É o conflito que parece existir entre as forças da tecnologia e aonde ela leva; e criatividade e ‘craft’ - muito bem simbolizado pela plataforma de Inteligência Artificial, Marcel, da Publicis Group, e a reação (na sua maioria) decepcionada da comunidade criativa e o que isso significa.

Porque aqui está o problema: os avanços tecnológicos têm sido um imenso benefício para nossos negócios, mesmo quando precipitaram grandes mudanças. Eles mudaram a maneira de como vivemos nossas vidas em quase todos os aspectos, criando experiências novas e valiosas. Mas em nossa indústria, eles também são principalmente sobre distribuição, habilitação e análise.

Um anúncio de pop-up semi-automatizado, mala-sem-alça que nos persegue pela internet, porque os perpetradores colheram os nossos dados sociais ainda é uma porcaria por mais inteligente que tenha sido direcionado e comprado. E há muito disso por aí. Craft e criatividade continuam sendo tão importantes agora como sempre foram, talvez até mais. Idéias brilhantes muito bem executadas sempre apresentarão melhores resultados.

É por isso, que os prêmios são importantes sim e por que o Publicis Groupe, com todo o respeito, esta cometendo um erro.

Os prêmios desafiam e estimulam a indústria a fazer melhor. Eles definem os parâmetros e standards. Eles recompensam e motivam as pessoas criativas. Eles ajudam a identificar as novas companhias brilhantes e novos talentos brilhantes. Eles são uma ferramenta de marketing eficaz. Eles fornecem uma métrica crucial para nossos negócios e para nossos clientes. Eles geram eficácia. Eles preservam os grandes trabalhos para a posteridade, a fim de inspirar as gerações futuras. Eles encorajam novos talentos a virem para à nossa indústria e a ajudam esse talento a prosperar dentro dela. Eles treinam e nutrem nossos profissionais. Em muitos casos, eles fazem campanha por uma indústria mais justa e sustentável na crença de que é assim que melhoraremos os nossos clientes. Eles incentivam a inovação, a experimentação e a tomada de riscos. Eles fazem parte integral da nossa indústria e geram valores incríveis. 

Então, sim, vamos absolutamente fazer um balanço geral e talvez até agradecer ao Publicis Groupe por dar uma oportunidade de que paremos para refletir. Mas não vamos jogar fora o bebê saudável com a água do banho suja. A guerra contra a mediocridade continua e os prêmios têm uma papel crucial a desempenhar nesta empreitada.

Neste sentido o D&AD Impact foi criado para e promover as melhores idéias criativas que contribuem para um futuro melhor. Aline Santos Farhat, SVP, Global Marketing Unilever; Fernando Machado, Senior Vice President Global Brand Management, Burger King; Andrea Alvares, VP Marketing, Natura fazem parte dos Jurados em 2017.  

Tim Lindsay é CEO do D&AD

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