Dia da Mulher

Mercados regionais também apresentam suas protagonistas

Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Brasília têm lideranças femininas; Luciane Paim, que comanda agência de publicidade, é um dos exemplos

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Fora do eixo Rio-São Paulo há inúmeros exemplos de mulheres de destaque na comunicação. Em Florianópolis, o mercado inteiro conhece e admira Rosa Senra Estrella. Presidente do Grupo Fórmula, que engloba publicidade, live marketing, digital e branding, e presidente do Sinapro SC, Rosa está entre as mulheres que despontam no cenário publicitário nacional, liderando movimentos entre empresários do setor pela organização e evolução do modelo de agência para os novos tempos.

Eleita Publicitária do Ano, no Prêmio Colunistas 2014, e Publicista Latino-Americana, no 20º Festival de Gramado, em 2015, ela atribui o reconhecimento ao seu trabalho ao espírito de equipe que sempre valorizou. “Mulheres estão à frente de 40% dos lares brasileiros, segundo o IBGE, e respondem em sua maioria (80%) pela decisão de consumo. Portanto, nosso papel na comunicação deveria ser de protagonistas, porque, sem querer parecer sexista, ninguém sabe falar com as mulheres melhor do que nós. Mas a realidade é que ainda somos raras nos comandos das agências de propaganda e nos departamentos de criação, tanto que o Festival de Cannes abriu espaço para este debate, em 2011, com o movimento que reclamava sermos apenas 3% na criação das agências (veja texto nesta página). Aqui, no Brasil, um levantamento recente apontou que as mulheres são 20% nas maiores agências”, comenta Rosa.

No Rio Grande do Sul, Luciane Paim é uma das poucas mulheres que comandam uma agência. Luciane começou na consultoria de marcas de Marcus Paim em 1998, mesmo ano que passou a fazer psicologia, e lá ficou até 2003, quando resolveu dedicar-se mais à psicologia. Foi fazer um estágio na Polícia Civil, no Departamento de Prevenção ao Narcotráfico. Lá, trabalhava com aproximadamente 90 homens e seis mulheres. “Essa experiência foi muito importante para eu fortalecer minha postura profissional, lidar com a questão de gênero e ganhar jogo de cintura”, lembra. Em 2004, foi para o planejamento da agência Paim, onde ficou até o fim de 2007, quando saiu para ir à NBS, no Rio de Janeiro, como gerente de planejamento. Em 2009 foi para Box 1824, em São Paulo, para ser diretora de planejamento e pesquisa. Em março de 2012, abriu as portas da 8 Total Brand, hoje com mais de 30 colaboradores.

Desequilíbrio

Luciane acredita que, embora as mulheres tenham muitas conquistas para celebrar, assim como em outras profissões, ainda há um desequilíbrio no que se refere ao espaço ocupado por homens e mulheres em cargos de alta gestão. “Ainda precisamos provar nossa força. Precisamos brigar pelo nosso espaço, mostrar que podemos entender, sim, de negócios, que somos capazes de analisar e tomar decisões importantes junto aos nossos clientes de forma séria, eficiente e, muitas vezes, suave. Ainda temos de enfrentar reuniões estratégicas, cuja maioria dos que tomam decisões são homens. No final sempre dá certo, somos reconhecidas, mas há um estágio probatório maior, ainda mais quando temos uma empresa com um modelo de negócio diferente para oferecer ao mercado”, opina.

Como empreendedora e gestora de uma empresa de comunicação, Luciane tem desafio diário de questionar-se e questionar tudo o que está fazendo, sempre tentando encontrar novos caminhos, novas formas. “Qualquer empresa de comunicação neste momento está passando pelo desafio quase que diário de se reinventar. E, nesse aspecto, sem querer generalizar, ou me prender a ideias preconcebidas, acredito que estamos na frente, pois, sim, estamos nos reinventando para fixar nosso espaço há muito tempo”.

Liberdade

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Em Brasília, Maria Delfina Dornas, sócia da Fabrika Filmes, encontrou a liberdade que sempre buscou. Nos anos 1980, quando começou a carreira na publicidade, as mulheres usavam tailleur e salto agulha. “Os homens é que mandavam na publicidade”, lembra. “Nessa época ainda havia o fotolito, o Telex e o uísque era servido como uma espécie de cafezinho nas reuniões. Brasília estava longe do que é hoje, as campanhas eram criadas em São Paulo e no Rio e vinham por ‘malote’. Os comerciais de TV eram em 16 mm e 35 mm, as revelações e os telecines transformavam os cronogramas em verdadeiros desafios. Ser publicitária em Brasília significava uma eterna dependência da ‘matriz’”.

Foi dentro desse contexto que Delfina passou de atendimento a diretora-geral da Giovanni, FCB, depois DraftFCB e FCB Brasil, em Brasília. “Sempre acreditei que uma filial com mais autonomia seria mais produtiva e lucrativa. Eu não estava errada, esse foi um caminho que, depois de alguns anos, muitas agências começaram a trilhar”, argumenta.

A sua história como diretora de agência não foi passageira. Foram 18 anos, muitas contas, prêmios, envolvimento com sindicatos e associações. “Empunhei com muita vontade a bandeira da autonomia e regionalização do atendimento, planejamento e criação nas agências”, revela.

Delfina viu muita coisa mudar na sua trajetória. Viu as mulheres conquistarem postos cada vez mais altos na publicidade. E, aos poucos, o comando, que antes era tão masculino, passou a ser ocupado também por mulheres.

Em 2007, a partir da mudança de diretrizes do board internacional da agência, a filial de Brasília acabou sendo desativada. “Foi como se eu visse um filme passar pelos meus olhos: oh God, o que fazer? Recebi o convite para me associar a uma produtora de filmes e dirigir a área comercial. Foi grande a minha dúvida, porque eu sempre trabalhei em agências de publicidade. O outro lado do balcão era um mundo que eu não conhecia. Por outro lado, o convite veio da Fabrika, uma produtora com uma grande estrutura, muito premiada, mas que buscava se reestruturar. Sempre gostei de desafios e, assim, sem perceber, dei um salto e fui parar do outro lado. Não me arrependo. Nestes oito anos, a Fabrika cresceu muito”.

A produtora construiu novos estúdios e duas sedes, conquistou prêmios e quadriplicou o seu faturamento. “Mas o melhor mesmo é o prazer que senti ao descobrir que eu também gostava de produzir filmes. Poder dar um bom suporte à criação da agência e interagir com o planejamento e o atendimento fez toda a diferença”, conta Delfina. “Hoje, entendo como mudar me fez bem, trouxe oxigênio para os meus pulmões. Como sócia da Fabrika Filmes, encontrei o espaço e a liberdade que sempre busquei. No fundo, mudar faz bem, os publicitários devem estar abertos às novidades que o mercado traz”, finaliza.

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