Santander encerra exposição após acusações de zoofilia e pedofilia

Banco pede desculpas e afirma que continuará debatendo temas contemporâneos

No último domingo (10), o Santander Cultural cancelou a exposição "Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira" com curadoria de Gaundêncio Fidelis, que acontecia em Porto Alegre (RS). A mostra deveria ir até o dia 8 de outubro.

A decisão foi motivada por milhares de comentários e manifestações negativas a respeito do conteúdo da mostra, que começaram de forma espalhada e se intensificaram após o MBL (Movimento Brasileiro Livre) juntamente com organizações religiosas. As lideranças movimentaram uma campanha que pediu o fechamento da mostra. Segundo as denúncias, a exposição contém peças que fazem apologias a zoofilia, pedofilia, blasfêmia contra símbolos religiosos, entre outros. 

"Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra. O objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia. [...] Sempre fazemos isso sem interferir no conteúdo para preservar a independência dos autores, e essa tem sido a maneira mais eficaz de levar ao público um trabalho inovador e de qualidade. Desta vez, no entanto, ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. [...] Por essa razão, decidimos encerrar a mostra neste domingo, 10/09. Garantimos, no entanto, que seguimos comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e outros grandes temas contemporâneos", diz a nota publicada pelo Santander Cultural em sua página no Facebook.

Desde o começo do final de semana, a página do Santander Cultural no Facebook tem recebido milhares de reações negativas no post de desculpas, em outros conteúdos e no espaço para avaliação de serviços. De cerca de 26 mil avaliações que vão de 1 a 5 estrelas, 23 mil são negativas (1 estrela). Até o fechamento desta nota a fanpage está com a nota 1,4.

Santander Cultural/Divulgação

A exposição reúne 270 obras do início do século 20 até os dias de hoje, relacionadas a diversidade de expressão de gênero. Entre os artistas expostos estão Adriana Varejão, Nino Cais, Cândido Portinari, Alfredo Volpi, com peças como pinturas, gravuras, fotografias, serigrafia, desenho, colagem, cerâmica e  escultura.

Em defesa da Queermuseu, grupos que promovem os direitos LGBT criaram um ato em repúdio à decisão do banco Santander. Marcada para a próxima terça-feira (12), às 15h30min, onde fica localizado o Santander Cultural, "a manifestação reivindica a liberdade de expressão artística e repudia retrocessos políticos que limitam a democracia".

No final da tarde desta segunda (11), PROPMARK teve acesso ao posicionamento que o banco tem enviado a seus clientes. Na mensagem, o Santander afirma que "infelizmente a mostra foi considerada ofensiva por algumas pessoas e grupos" e reitera o pedido de desculpas.

De acordo com a nota, o Santander Cultural tem "como missão incentivar as artes e dar luz ao trabalho de curadores e artistas brasileiros, para gerar reflexão positiva', mas se o objetivo não foi atingido, novas abordagens serão tentadas. "Seguimos, portanto, comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e inclusão, entre outros grandes temas contemporâneos." Leia a mensagem completa:

"Reconhecemos que, além de despertar a polêmica saudável e o debate sobre grandes questões do mundo atual, infelizmente a mostra foi considerada ofensiva por algumas pessoas e grupos. Nós, do Santander, pedimos sinceras desculpas a todos aqueles que enxergaram o desrespeito a símbolos e crenças na exposição Queermuseu. Isso não faz parte de nossa visão de mundo, nem dos valores que pregamos. Por esse motivo, decidimos encerrar antecipadamente a mostra neste domingo, 10/09. O Santander Cultural tem como missão incentivar as artes e dar luz ao trabalho de curadores e artistas brasileiros, para gerar reflexão positiva. Se esse objetivo não foi atingido, temos o dever de procurar novas e diferentes abordagens. Seguimos, portanto, comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e inclusão, entre outros grandes temas contemporâneos."

Atualizada às 18h45

 

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