Tranças bonitas e feias: agência dá dicas para combater racismo

Internautas alertam sobre polêmica nas buscas do Google. Resultados escancaram preconceito

Reprodução/Google

Nos últimos dias, internautas alertaram para um problema: ao buscar os termos "tranças feias" e "tranças bonitas" no Google os resultados revelavam nuances de preconceito racial. Diante da polêmica, a Fluent, agência do Grupo Webedia responsável pelo conteúdo de marcas como L'Oréal, Johnson & Johnson, P&G e Grupo Pão de Açúcar, resolveu se posicionar e ajudar produtores de conteúdo a evitar esse tipo de equívoco.

"Hoje, infelizmente, o SEO privilegia nas buscas termos mais comuns sem um filtro que impeça contextos racistas, sexistas ou homofóbicos. Mesmo matérias positivas podem aparecer em buscas de termos negativos. Acredito que aqui o ponto da polêmica é muito mais uma crítica à sociedade do que aos mecanismos de SEO em si", afirma  Luther Peczan, vice-presidente da Webedia Brasil e executivo responsável pelo comando da Fluent.

Segundo o executivo, a agência decidiu assumir a missão de, com maior ênfase, ser um representante da produção de conteúdos que valorizem todos os públicos. "Ajudar marcas a dominar um território SEO relevante para o seu target é uma responsabilidade, mas também traz a oportunidade de junto com elas impactar positivamente no que é levado ao público", diz.

Entre as medidas concretas estabelecidas na Fluent estão a inclusão de termos positivos a imagens geralmente associadas a conteúdos machistas, sexistas ou racistas. No caso de tranças, por exemplo, os termos escolhidos para categorizar o conteúdo incluem palavras afirmativas além de termos técnicos. "Trabalhar o ranqueamento através do SEO não é algo imediatista, que impacte o resultado das buscas no curto prazo, mas medidas como essa devem aos poucos contribuir para traçar um novo parâmetro ao conteúdo apresentado nas buscas", afirma.

Além disso, a redação da agência conta com jornalistas e produtores negros e de demais etnias. “Uma redação plural é fundamental para termos olhares mistos na composição do nosso conteúdo”, diz Peczan.

O executivo preparou cinco dicas para que publishers promovam um conteúdo mais diverso.

1. Para qualquer conteúdo é importante incluir diversidade como prioridade, pois isso precisa ser enraizado durante a produção. Não adianta querer falar com um público diverso do dia para noite. Produzir conteúdo é estabelecer conversas.

2. Mesmo conteúdos positivos podem reforçar estereótipos negativos. Como o Google lê palavras, é importante evitar frases como: "Você acha que isso é feio? Não é não." Mesmo que a intenção seja positiva, o conteúdo tende a aparecer em buscas com o contexto negativo.

3. Como dito no texto, é muito comum incluirmos no tagueamento de matérias termos técnicos associados ao território do assunto que estamos escrevendo, mas incluir palavras positivas a conteúdos que normalmente são associados de forma negativa podem contribuir para reeducar o algoritmo.

4. Todo conteúdo deve ser pensado para pessoas reais, então mesmo com a dificuldade de encontrar modelos nacionais em bancos de imagens, é importante mostrar imagens de pessoas que representem o público real da comunidade e evitar reforçar estereótipos inalcançáveis.

5. Para se manter no topo das buscas é importante estar sempre conectado à tendências e isso é uma ótima oportunidade para quebrar estereótipos. Em um conteúdo sobre cabelo platinado, por exemplo, a matéria pode incluir imagens de mulheres negras platinadas, quebrando a imagem mais tradicional de mulheres brancas com este tipo de cabelo.

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