A fita foi pro céu, ou melhor, pra nuvem

Desde que foi mencionado pela primeira vez em um artigo de 1995, Disruptive Technologies: Catching the Waves, o termo “inovação disruptiva” te persegue. Parece estar em todas as palestras e leituras. Sua agência, inclusive, foi uma das primeiras a se apropriar desse discurso. Não poderia ser diferente. No mundo digital de hoje, a palavra de ordem é reinventar padrões estabelecidos e trazer novas concepções e ideias. Pena que isso não é praticado com a mesma força em que atua no campo da teoria. Lembro-me quando, ainda nos anos 1990, uma inovação disruptiva chacoalhou o mercado. O fotolito virou filmless, substituindo mídia física por digital, numa época em que a banda de internet nem era tão larga assim.

Então por que será que, no Brasil, essa ideia revolucionária do meio impresso custou tanto a convencer também no meio eletrônico? Por que ainda são praticados métodos arcaicos que consomem tanto tempo e dinheiro, reduzem qualidade e segurança, agridem o meio ambiente e o valor do nosso mercado? Sim, estou falando da entrega do seu filme publicitário nos meios de comunicação. Para muitas agências, o que deveria ser uma etapa final em clima de comemoração, se torna o início de um tormento. Ninguém é capaz de dar um bom motivo econômico ou operacional que justifique o processo de fitas sendo checadas e trafegadas manualmente por profissionais com “job descriptions” mais relevantes.

Nem capaz de observar e absorver a tendência mundial do streaming, com plataformas de gestão que integram profissionais e processos. É a dificuldade de enxergar o simples, de romper barreiras. Para a sorte do mercado, uma importante emissora de televisão assumiu o controle e quebrou o paradigma, dando senso de urgência ao que nunca deveria ter esperado tanto tempo.

Nessa emissora, a partir do dia 9 de maio, as portas se fecharão para o recebimento de qualquer tipo de material que não seja digital e enviado por uma empresa de streaming. Certamente vai puxar a fila não somente nas demais emissoras de TV aberta e pay TV, mas também onde mais houver uma tela transmitindo um filme, seja no cinema, no elevador, na rua ou na internet.

É a boa e velha (mais velha do que boa) fita indo para o céu. Ou melhor, para a nuvem. Bom para os anunciantes, que reduzirão os custos exorbitantes de produção de cópias físicas e gerações por satélite. Bom para as agências, que terão verba de produção reinvestida em mídia e profissionais qualificados usando seu tempo de forma intelectual, em vez de grampeando envelopes e monitorando motoboys.

Bom para a empresa de streaming que preza pela qualidade, uma vez que esta emissora estabeleceu regras que favorecem a escolha pelo melhor fluxo, atendimento e alcance. O assunto está na pauta de todas as agências, e a escolha pelo parceiro de streaming virou a prioridade número um dos gestores operacionais.

É a inovação disruptiva dando poder de escolha ao consumidor, facilitando processos, revisando preços e tornando os serviços mais acessíveis. Bem-vindo ao século 21, em que só falar bonito não é mais suficiente, é preciso agir como um disruptor.

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