A sobrevivência remove montanhas

“Deve-se escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo caráter e os inimigos pela inteligência”.

Já ouviu falar sobre essas duas palavrinhas? Coopetition e Freenemy? Não! Tá ligado? Ligue-se! Pode ser um ótimo caminho para seus negócios em todos os próximos anos.

É a relação que existe, por exemplo, entre dois dos maiores inimigos e concorrentes do digital.

A Samsung não vai com a cara da Apple. A Apple não suporta a Samsung. Mas, por conveniências tecnológicas e econômicas, fazem negócios juntas.

São, respectiva e simultaneamente, Coopetitors, concorrentes colaborativos, ou Freenemies, inimigos cordiais. Claro, até a página 2.

A Samsung tem na Apple um de seus principais clientes.

E a Apple, na Samsung, um de seus principais fornecedores. Coisas do mundo moderno.

Um dia Estadão e Folha se estapeavam. Fria e protocolarmente seus dirigentes e profissionais se cumprimentavam.

Dar crédito, então, nas publicações, impensável.

Até o momento em que foram atropelados pela realidade dos custos.

E quando a realidade fala mais alto, e a questão é de quase sobrevivência, sentam-se em torno de uma mesa, coloca-se de lado todas as demais questões, descarregam-se as armas, e... Vamos conversar!

Todos os dias despachavam seus jornais para os mesmos roteiros, cidades, bancas; e em caminhões ou kombis diferentes. Espaço sobrando.

Um dia resolveram deixar de lado essa bobagem e converteram-se em Freenemy e ou Coopetitor.

É a relação que existe entre Samsung e Apple.

Esfaqueiam-se e se matam nos pontos de venda e no final da linha.

Mas no início da cadeia produtiva trocam afagos e beijinhos.

De qualquer maneira, mesmo dependente, a Apple jamais conviveu bem com essa situação.

Para poucos de seus dirigentes, mal necessário; para todos os demais, promiscuidade constrangedora.

Muito especialmente para seu atual líder, sucessor de Steve Jobs, Tim Cook!

Conclusão: semanas atrás, a Apple, mais a Dell e outras empresas formalizaram a compra da unidade de chips da Toshiba por US$ 18 bilhões.

Nada para resolver a situação no curto prazo, mas, de certa forma, sinalizando para sua Friendly Enemy, ou Competitor e Collaborator, que não está confortável com a situação, assim que possível pretende declarar independência.

Ainda que no íntimo saiba e nas reuniões internas verbalize e reconheça que depende e em muito de seu principal concorrente para permanecer no jogo.

Coopetition? Freenemy? Mas pode chamar de Salutar Promiscuidade. Ou, mais que a fé, interesses e sobrevivência removem montanhas.

Francisco Alberto Madia de Souza  é consultor de marketing (famadia@madiamm.com.br)

madiamm

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