As novas embalagens

“Candeia que vai adiante alumia duas vezes”. Álvaro de Campos

Meu querido amigo e mestre do design, Pascoal Fabra Neto, jamais, em hipótese alguma, traduziu design por desenho. Sim, sempre, por propósito, destino, finalidade, intuito, que se revela na mensagem. Sua preferência e recomendação traduzir-se por desígnio. Forma e conteúdo.

Traços, letras, linhas, nuances, texturas, densidades, materiais, sons, tons, respiros. Com direito a suspiros diante de tanta beleza e encantamento.

Falo do Fabra e me lembro dos Beatles. The Long And Winding Road. Quase todos recordam-se e cantam essa música maravilhosa dos quatro de Liverpool.

The long and widing road
That leads to your door
will never desappear...

Pois é, sinto dizer, está desappearing...

A longa e sinuosa estrada que levava os produtos dos supermercados às nossas casas está desaparecendo. Ou melhor, gradativa e suavemente, sendo substituída. Pense um pouco. Todas as embalagens, tamanhos, materiais, texturas, conteúdos, todo o design que hoje existe e é exposto nas gôndolas dos supermercados tinha uma premissa fundamental.

Alguém vai ao super, pega na gôndola, coloca no carrinho, chega no caixa, paga, coloca no saquinho, coloca no porta-malas do carro ou leva em um carrinho ou nas mãos, descarrega em casa... Dispensa, geladeira ou, direto para a mesa. E por aí vai. Toda a primeira parte dessa trajetória ou jornada começa a ser revista. Entra na internet, faz as compras e recebe em casa. Assim, nesse preciso momento, os maiores fornecedores de embalagem em todo o mundo criaram grupos permanentes de profissionais e trabalho para o desenvolvimento das novas embalagens. Muitos desses grupos reúnem-se todas as semanas, nos últimos três anos.

As novas embalagens que serão concebidas e criadas para continuarem cumprindo todas as missões que são de seus ofícios e competências; mas, principalmente, procedendo a uma releitura radical diante da nova trajetória das mesmas. Do novo caminho que percorrem uma vez realizada a compra. Direto de distribuidores e vendedores para a casa das pessoas. Encurtando caminho. Não mais a caminho de lojas, terminais logísticos, embarques e desembarques. Nem em lojas nem em supermercados. Despedindo-se das gôndolas. Mais adiante, quando essa migração se acelerar e ganhar densidade, vai mexer radical e dramaticamente nas características dos pontos de venda. Sempre que alguma coisa de novo, de radicalmente novo, acontece, precisamos, o tempo todo, permanecer atentos, fortes e refletindo sobre possíveis eventuais implicações em nossos negócios. Como todas as grandes empresas estão procedendo neste momento.

Quando se altera a função reconsidera-se a forma. Sem jamais perder de vista a busca incessante e o objetivo final: surpreender e encantar o cliente. Antes, durante, depois e acima de todas as demais coisas, razões, motivos, objetivos. Assim, jamais se esqueça dos versos finais da longa e sinuosa estrada:

But still they lead me back
To the long winding road
You left me standing here
A long long time ago
Don’t keep me waiting here
Lead me to your door

Certo? Cantando, revendo caminhos e trajetórias, atualizando, reservando competitividade.

Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing (famadia@madiamm.com.br)

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