De vassoura na mão

Nos tempos difíceis que temos pela frente, será de grande importância a atitude dos líderes

Alguns torceram o nariz: “Pura marquetagem!”, disseram. Mas outros elogiaram. Quem acompanha a trajetória do prefeito eleito de São Paulo sabe o quanto ele gosta de trabalhar. E também de trombetear. E qual o mal nisso?

As reações ao primeiro dia de João Doria à frente da maior cidade da América Latina foram controversas. Em plena segunda-feira, antes mesmo de o sol nascer, lá estava ele e todo o seu secretariado, vestidos de gari, de vassoura na mão para iniciar o projeto Cidade Linda, um mutirão de limpeza e conservação das principais avenidas de São Paulo.

É claro que a vassoura é um simbolismo. Quem fará o serviço são os profissionais designados para essa tarefa. Mas não devemos criticar o ato simbólico. Sabemos que a comunicação de hoje se dá mais pela geração de fatos e pela criação de simbolismos fortes, capazes de emergir no mar de informações que nos invade todos os dias. João Doria sabe fazer isso. Mas sabe também que cacarejar sem botar ovo é tiro no pé.

Alguns valorizam mais as ações low profile. Mas não vejo mal algum em dar a devida visibilidade às ações genuínas, verdadeiras. Essa atitude midiática ajudará a passar a mensagem de que os novos líderes municipais chegaram para trabalhar de verdade. É uma atitude simbólica, que deve ser imitada também por líderes empresariais.

Nos tempos difíceis que temos pela frente, será de grande importância a atitude dos líderes. Dar o exemplo da ação e não ter medo de se comunicar, de engajar e mobilizar seus liderados em torno de um objetivo comum. O simples virar do calendário não mudará um ano que começou do jeito que terminou. As preocupações com a fragilidade social, política e econômica do nosso país continuam.

E o que dá para fazer perante esse cenário? Só vejo duas opções: ficar se lamentando pelos cantos, culpando os governantes pela crise ou pegar a vassoura e ir à luta. Se a macroeconomia está contaminada por uma interminável (e necessária) lavagem de roupa suja, vamos – nós mesmos – arregaçar as mangas e fazer nossa faxina e partir para a ação.

Não nos deixemos contaminar pelo coro dos pessimistas e derrotistas. Há mil razões para justificar o imobilismo e o temor. Todas elas verdadeiras. Mas o que se espera de líderes – de verdade – é a coragem de não parar. É a atitude de convocar a todos para repensar caminhos. De resistir bravamente ao impulso simplista de diminuir para sobreviver.

Não que essas revisões para menor não sejam necessárias. Mas acredito na existência de outros caminhos, mais trabalhosos, mais arriscados, mas também mais criativos e corajosos.

Voltando ao bom exemplo do novo dirigente da cidade de São Paulo, compare sua atitude à de muitos outros, também recém-eleitos. A maioria está mais preocupada em alardear a penúria e a incapacidade de enfrentar os enormes desafios das suas cidades. Não pensem os incautos que João Doria não está preocupado com as dificuldades que encontrará para colocar de pé um programa de governo do tamanho da megalópole que tem sob a sua gestão. Mas os líderes criativos não se paralisam perante as dificuldades. Eles enfrentam os problemas com altivez e proatividade. E não hesitam em convocar gente do seu perfil para ajudar. Sabem que colaboração é a palavra da vez. Empresas e pessoas engajadas não se negam a colaborar, principalmente quando identificam propósitos comuns e verdadeiros.

Estamos vivendo tempos que exigem mais situações ganha-ganha. O importante é demonstrar uma atitude genuína de querer superar os desafios. Gente bem-intencionada aderirá. Portanto, meu caro leitor, bora pegar nossas vassouras e limpar caminho para novas ideias. Que venha 2017!

Alexis Thuller Pagliarini é superintendente da Fenapro (Federação Nacional de Agências de Propaganda)

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