Dolce & Gabbana, ou brincadeira de mau gosto

“Não tomar seu santo nome em vão” - 2º Mandamento

Todo cuidado é pouco! A marca é, na Terra, como o nome de Deus. Assim, jamais, em hipótese alguma, sob qualquer razão, motivo ou pretexto, tomar seu santo “naming” em vão. Brincadeiras que eram encaradas e recebidas anos atrás como divertidas e só provocavam risos e comentários, provisoriamente são consideradas de péssimo gosto e traduzem-se em prejuízos monumentais. Vivemos tempos de trevas e escuridão. A tecnologia deu voz aos estúpidos e porraloucas. E qualquer cochilo vai tudo, literalmente, para o lixo. Até pode pedir-se desculpas. Conseguir perdão... Esquece! Morte na certa.

Dolce & Gabbana, orientada por seus publicitários, que tinha uma parcela significativa do mercado de luxo na China, decidiu brincar, em comerciais, com os chineses. Pegou péssimo. Em 24 horas milhares de produtos da marca foram retirados dos maiores Market Place locais.

Dentre os comerciais, o que mostra os chineses comendo espaguete com palitinho foi o que mais incomodou. Um dos maiores portais de comércio eletrônico retirou todos os produtos Dolce & Gabbana das suas ofertas no minuto seguinte à primeira veiculação do comercial; e o outro, o Yangmatou, literalmente “matou” 58 mil produtos Dolce & Gabbana que expunha em seu portal. O prejuízo financeiro foi monumental. A branding damage definitiva e irrecuperável.

Assim, Dolce & Gabbana despediu-se do mercado de luxo chinês. Um mercado de, apenas, neste ano de 2019, 120 bilhões de dólares. Não existe outro mercado igual, parecido ou próximo em todo o mundo. E qual a lição contida nessa tragédia? Repensar tudo, e compliance radical. O que era engraçadinho e fazia sentido, meses atrás... Hoje, num momento onde o politicamente correto prevalece, qualquer pequeno escorregão pode resultar em fraturas expostas, incuráveis, que determinam paralisia completa, definitiva e irreversível. Não tem gesso que dê conta; muito menos, resolva. É para sempre! Assim, e na dúvida, não faça, não provoque, não arrisque, não brinque!

Fez, arrependeu-se... Tarde demais! Mesmo no dia seguinte, e em vídeo no Weibo, o Twitter da China, com os “dois patetas”, Domenico Dolce e Stefano Gabbana, compungidos e penitentes, dizendo... “Sentimos muito e queremos pedir desculpas aos chineses no mundo todo... na nossa família nos ensinaram a respeitar a diversidade de todas as culturas do mundo e nos desculpamos se cometemos o erro de interpretar vocês assim... Amamos a cultura chinesa, já visitamos o país muitas e muitas vezes... garantimos que isso jamais voltará a acontecer... imploramos que aceitem nossas desculpas...”.

Os chineses, estáticos, nem só não ouviram, como não tomaram conhecimento. De nada adiantou. Fim! Assim como dezenas de outros e semelhantes episódios, o Affair Dolce & Gabbana na China entra para a relação das maiores pataquadas e merdas empresariais dos tempos modernos. De uma absoluta e total falta de compreensão e entendimento de como é o mundo hoje, de uma ausência absoluta e total de marketing com um mínimo de qualidade. A única palavra que traduz a fotografia final da cagada monumental, é, simplesmente, um desastre. Para os chineses, Dolce & Gabbana morreu. E, se perguntados, responderão, dolce do que... De banana... Não, não sei, nunca ouvi falar...

O comercial de chineses comendo espaguete com pauzinho entra para a história como o melhor comercial de logística reversa de todos os tempos. Recordes imbatíveis de devoluções!

Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing (famadia@madiamm.com.br)

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