Narrativas

Aos trancos e barrancos, porque a classe política brasileira tem razões que a própria razão desconhece, a economia brasileira prossegue melhorando, com a publicidade fazendo a sua parte de impulsioná-la.

Um olhar comparativo sobre a mídia de seis meses atrás e de agora, dá-nos conta de que há uma linha ascendente e bastante consistente, pela importância dos players que assinam as campanhas, ou mesmo peças isoladas nesta ou naquela mídia.

Levando-se em consideração que o ano mal começou, seus primeiros sinais apontam para uma recuperação econômica bastante razoável, tendo em vista o estrago e os percalços que o país assistiu e sofreu nestes últimos três anos.

Credite-se essa melhora não a um eventual descolamento da economia em relação ao quadro político brasileiro e seus incidentes. Não há como separar uma coisa da outra. Assim, o que tem provocado a melhora da primeira é consequência da firmeza com que a Justiça brasileira tem agido em relação aos malfeitos da classe política no poder. Salvo desonrosas exceções, as instituições têm funcionado de forma correta e democrática, ainda que sujeitas às críticas de representantes de setores interessados em outros resultados.

Por exemplo, a intervenção na segurança do Rio de Janeiro fazia-se de há muito necessária e se alguma crítica deve ser feita ao atual governo federal diante do estado de calamidade alcançado pela região da antiga capital federal, é a nosso ver a demora em se tomar a decisão da intervenção.

Os contrários ao atual governo aproveitaram esse fato para criticar a intervenção, dando início a uma discussão sem fim pela mídia, sobre como deveria ser a mesma aplicada, seus erros, suas contradições e assim por diante.

Temos de reconhecer que esse recurso federal é sempre difícil de ser utilizado, agravando-se essa dificuldade em regime democrático pleno como – apesar dos pesares – o vigente no Brasil.

Uma das maiores dificuldades reside exatamente no chamamento às tropas federais, dando margem à exploração dos mal-intencionados, no sentido de que estamos voltando aos idos de 1964.

Nada a ver, em absoluto, com o golpe militar daquele ano, ocorrido mais em decorrência da prática política dos meses que o antecederam do que às razões da intervenção de agora, provocadas pelo crescimento incontrolável do crime organizado.

Oxalá tenhamos sucesso nessa empreitada, que será de todos os brasileiros e não apenas do governo de plantão que decidiu intervir. Há muita controvérsia sobre a forma em que se deu a intervenção, mas poucos em sã consciência são contrários à extrema necessidade de uma providência como a que acabou sendo tomada pelo governo.

As teorias sobre a decisão, como se esperava, dão asas à imaginação, justificando uma delas que só ocorreu em virtude da impossibilidade de o atual governo reformar a Previdência. Ou seja, não podendo realizar o filme do Oscar, contentou-se com uma ação espetaculosa e de há muito necessária, amenizando com isso as críticas pela não obtenção de sucesso naquela.

É até possível que isso tenha ocorrido a Temer e aos seus ministros como a um time de futebol que, não podendo ganhar do adversário, passa a lutar pelo empate.

De qualquer forma, eram (e são) ambas situações de extrema gravidade para o país. Não podendo conseguir sucesso com a primeira, se esse foi realmente o pensamento oficial, lançou-se ao combate de uma situação que faz tempo nos envergonha, além de significar o custo de muitas vidas perdidas.

Não estamos pedindo aplausos ao atual governo. Tanto numa situação, como na outra, fez e está fazendo a sua obrigação. O que não podemos é desmerecer a importância de se combater de forma enérgica o crime organizado na região do Rio de Janeiro, tenha ou não sido decorrência da derrota na reforma da Previdência.

 

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Pequena nota no Estadão de sexta (23) demonstra numericamente e de forma incontestável a ascensão econômica do país. Ela diz respeito ao lucro líquido de R$ 165,6 milhões obtido pelo Magazine Luiza no quarto trimestre do ano passado, “montante 3,5 vezes maior que o apurado em igual período do ano anterior (2016), o que representa um crescimento de 259,5%”. E a nota do Estadão termina com a melhor notícia: “No ano de 2017, o lucro da marca atingiu R$ 389 milhões, mais de quatro vezes o lucro de 2016, que foi de R$ 86 milhões”.

 

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Por essa e muitas outras razões do seu extenso currículo, Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, acaba de ser eleita, pela Academia Brasileira de Marketing, presidida por Madia de Souza, e pelos organizadores do tradicional Marketing Best, a mais importante premiação do setor no Brasil, a Marketing Citizen do Ano de 2017.

Luiza Trajano receberá o seu troféu juntamente com os responsáveis pelos cases vencedores do Marketing Best edição 2018 (cujos trabalhos referem-se a 2017), ainda em fase de inscrição dos mesmos para posterior apreciação dos jurados, membros da Academia Brasileira de Marketing.

A cerimônia de entrega dos troféus, tanto a Luiza Trajano como aos cases vencedores, ocorrerá na noite de 22 de maio deste ano, nos salões do Tom Brasil (SP).

 

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Todo o povo da comunicação mercadológica brasileira lamentou a morte de uma das suas figuras mais expressivas, não apenas do ponto de vista profissional, como também pela encantadora figura humana que sempre foi.

Altino João de Barros pode ser chamado de o pai do estudo e do aperfeiçoamento da mídia em nosso país, setor que o consagrou (e vice-versa) na McCann (hoje W/McCann) por 74 anos consecutivos. Altino foi praticamente o pioneiro da profissionalização do setor no Brasil, colecionando, entre seus feitos, a introdução do primeiro computador no setor.

O editorialista lembra de uma passagem que reflete quem foi e quem era Altino, um dos mais proeminentes conselheiros que a ESPM teve ao longo da sua história: Quando dos preparos para a realização de um Congresso Mundial da IAA em nosso país, um grupo de empresários foi visitar Roberto Marinho no Rio de Janeiro, com o fim de pedir o apoio das Organizações Globo ao evento.

Devido à amizade que o Dr. Roberto nutria por Altino, alguém se lembrou de convidá-lo para conduzir desde S. Paulo a delegação dos empresários à sala da presidência do jornal O Globo. 

Todos devidamente acomodados, entra o Dr. Roberto Marinho e o primeiro que vê é Altino João de Barros. Antes de dar a palavra ao grupo, dirige o olhar a todos e observa: “Os senhores devem estar aqui para solicitar nosso apoio a alguma importante iniciativa que vão tomar. Não preciso e não quero saber dos detalhes. Se o Altino está nesse grupo, todo o nosso apoio será dado”.

Isto posto, foi servido um cafezinho a todos. E o Congresso acabou sendo um grande sucesso, com o apoio maciço de todos os meios, além de dirigentes e profissionais das Organizações Globo.

Este Editorial é em homenagem a Altino João de Barros.

Armando Ferrentini é presidente da Editora Referência, que publica o PROPMARK e as revistas Marketing e Propaganda (aferrentini@editorareferencia.com.br).

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