O poder do offline

O dr. Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador da Caoa, está lançando o automóvel Tiggo com forte, inteligente, agressiva e maciça campanha em jornais, revistas e televisão. Busca reproduzir o fenômeno Hyundai, produto que introduziu no mercado utilizando a mesma estratégia. Naquele momento, carros coreanos não eram conhecidos e a qualidade da sua engenharia era questionada. A sua firmeza pagou excelentes dividendos: hoje dirigir um Hyundai é sinônimo de prestígio.

Lembro-me quando comprei um dos primeiros modelos que ele trouxe para o Brasil, a Terracan. Atraído pela publicidade e pela garantia de cinco anos (uma corajosa novidade) lá fui eu – que precisava de um carro maior – negociar com o próprio dr. Carlos Alberto, que me tinha sido apresentado pelo amigo comum Alencar Burti, o então misterioso SUV, com o qual me dei bem por mais de dez anos. Agora ele lança a Caoa Chery, começando uma batalha para convencer os usuários que a China também pode criar carros modernos e de qualidade – a preços mais acessíveis.

Confesso que ando com vontade de conhecer a novidade, logo eu que não quero comprar carro nenhum. Antes, pelo contrário, estou pensando seriamente em me desfazer dos que tenho para me livrar da gasolina caríssima, dos IPVAs, seguros, manutenção, estacionamentos escorchantes e multas. Outro dia fui multado por ter infringido em 9 minutos o rodízio. A indústria da multa é implacável. Nestes tempos cibernéticos, a campanha do Tiggo prova mais uma vez que, com o disse sir Martin Sorrell recentemente, é impossível estabelecer uma nova marca sem usar os meios “consagrados”.

Nada contra o digital, é claro, que já abocanhou um terço dos investimentos publicitários e vai continuar crescendo. Mas os mídias multidisciplinares das agências não devem desprezar resultados como os alcançados pela Caoa. E não o fazem. Como atestam os profissionais da agência que atende a conta, a Z515. O desafio, claro, é como atingir os consumidores da maneira mais eficaz possível, seja por que meio for. Sem esquecer que todos os que existem, e os outros que surgirão, tem seu papel a cumprir. Outro dia escrevi um artigo comentando a eleição de Jair Bolsonaro, que se diz ser um “case” unicamente das mídias sociais. Não foi bem assim.

Quando ele foi brutalmente esfaqueado transformou-se em matéria preferencial dos noticiários de TV, rádios, capa de revistas e notícia de primeira página de todos os jornais, do Oiapoque ao Chuí. Candidato relativamente ignorado pela grande massa popular, passou a atrair a atenção, e votos, especialmente dos eleitores que não sabiam praticamente nada a seu respeito por ainda não terem acesso à internet e, portanto, não estarem inseridos nas redes sociais, o que é fato inconteste num país como o nosso, campeão das desigualdades. Não fossem os debates televisivos e sua repercussão, acho que os atuais governadores do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro não teriam sido eleitos. Outro fenômeno interessante: os posts do Bolsonaro e do Trump são fonte para a imprensa escrita, falada e televisionada que os reverbera. Portanto, minha gente, barbas de molho, pois a confluência e a interação dos meios entre si, todos eles, sem desprezar nenhum, sejam eles tradicionais ou eletrônicos, é hoje absolutamente necessária. Como dizem os mídias (PROPMARK nº 2759), nunca foi tão desafiador – e prazeroso – trabalhar nesta área.

Flavio Faveco Corrêa é sócio da Brandmotion, consultoria de estratégia empresarial, fusões e aquisições (faveco@brandmotion.com.br)

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