O rádio, o Exército e Getúlio Vargas na minha história

Estamos próximos a 24 de agosto, quando lembramos  episódios históricos  que aconteceram na chegada do corpo de Getúlio Vagas em São Borja, pois naquele tempo estávamos presentes como único repórter no Aeroporto ouvindo Oswaldo Aranha, Tancredo Neves, João Goulart, Ernesto Dorneles, Leonel Brizola e inúmeros ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores e  estrelados da Marinha, Exército e Aeronáutica

 Na época, recém-saído da praça militar na capital dos sete povos das missões, assumimos a gerência da Rádio Santiago e ao sabermos pelo repórter Esso do passamento do pai dos trabalhadores solicitamos uma linha para a Telefônica e esta nos respondeu negativo pois a única que tinha estava comprometida com a Rádio Gaúcha.

Sem outra alternativa, recordamos do nosso curso de comunicação de cabo na Cia.Média de Manutenção na capital dos 7 povos das Missões, onde aprendi telegrafia, sinais de comunicação com bandeirolas, espelho contra o sol, lanternas e até a utilização de fumaça dos índios americanos.

Fomos ao general Djalma Bayna (notável da revolução), comandante da 1º Divisão de Cavalaria de Santiago, que engloba São Borja, Santa Rosa e a guarnição militar santo-angelense , e arrazoamos com propriedade  da importância de ser liberada a emissora portátil para a transmissão que pretendíamos fazer no dia seguinte à tarde.

Com 20 anos, recebemos cumprimentos e o que queríamos, e no dia seguinte, às 6h num Jeep com dois sargentos técnicos nos dirigimos para a terra do insigne “Trabalhadores do Brasil” e o Exército ocupou o aeroporto, dando-nos exclusividade na transmissão e liberando para o Brasil uma frequência especial em ondas curtas para todas as emissoras de rádios.

 Lembro que meu papel como gerente da Rádio AM era gerar audiência e propaganda e não deu outra, inventei o convite para o enterro, faturando num dia o que acontecia no mês, o que valeu uma promoção de superintendente comercial de três Rádios do grupo dirigido por Elias Possap (São Luiz Gonzaga, Julio de Castilhos e Santiago).

E esta inspiração que se transformou em expiração está no Museu de Comunicação do Exército em Santiago.

João Firme é secretário-geral da Alap (Associação Latino-americana de Publicidade)

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