Por falar em inovação

Nada mais antigo do que a busca pela inovação. Hoje, vivemos uma avalanche de definições para o conceito, espécie de modismo com que jovens profissionais tentam se qualificar para as exigências de um mercado também movido por modismos. Chega a ser engraçado o desconforto dos profissionais nas entrevistas, caçando palavras para definir o termo.

De fato, é intrigante e aflitivo tentar dar uma interpretação original e precisa para uma palavra que praticamente se autoexplica, mas que carrega, ao mesmo tempo, a exigência de uma percepção aguçada de mundo para poder ser compreendida.

Certamente, essa é a mesma dificuldade que se tem para colocar em prática a ideia de inovação instalada, que por si só não significa nada. A inovação, como conceito universal e perene, é relevante por ser dotada de propósitos relevantes. Já o que estamos experimentando agora é apenas uma tentativa de chamar de inovação a exigência do mundo corporativo de tornar mais funcional e lucrativo o que já existe.

Quando uma empresa estimula atitudes inovadoras de seus colaboradores ela está dizendo apenas “tornem-se mais produtivos e rentáveis”. Só isso. Inovação de verdade é outra coisa. Começa com um estado de consciência muito mais elevado. É impossível colocar a inteligência a serviço da inovação sem lembrar, por exemplo, que o mundo vive a sua maior crise humanitária. (Meu Deus, com penicilina e tudo!)

Faz sentido para você que no mesmo planeta em que desfrutamos avanços tecnológicos extraordinários que tornam a nossa vida mais confortável e são disponibilizados diariamente, muitos milhões de pessoas ainda vivam numa espécie de “segregação no tempo”, ou seja, estejam aprisionadas, na melhor das hipóteses, às mesmas condições de sacrifício existencial a que nossos bisavós estiveram um dia sujeitos? Você já se perguntou a razão disso? Que inovação é essa?

Antes que me interpretem mal, adianto que minha intenção aqui não é convencer nossos candidatos às brilhantes carreiras a saírem por aí como voluntários de alguma utopia. Estou falando apenas da necessidade de uma conscientização que liberte o pensamento das condicionantes de objetivo raso, para que possamos estender os horizontes das buscas da nossa inteligência e, com isso, oferecermos ao mercado alguma coisa que se possa chamar mesmo de nova. E universalmente includente.

Senão, vamos continuar naquele padrão de inovação “correr atrás do rabo” e nossos candidatos ao mercado de trabalho se sujeitando a uma “peneira” com critérios nada criativos. Não existe inovação verdadeira sem a desestruturação de modelos convencionais. Já está mais do que na hora de pararmos com essa mania de entendermos a inovação como que, exclusivamente, a serviço da tecnologia e aceitarmos que é a tecnologia quem está irremediavelmente a serviço da filosofia. Portanto, quem manda é a consciência.

É nela que se cultiva a verdadeira inovação. Uma inovação que, um dia quem sabe, venha, por exemplo, a focar mais na busca do desarmamento do que no desenvolvimento de novas armas.

Stalimir Vieira é diretor da Base Marketing

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