Realismo esperançoso

“O fim da esperança é o começo da morte” - Charles de Gaulle

Imagino André Lahóz Mendonça de Barros, diretor de redação de Exame, olhando para seu computador e preparando-se para escrever a Carta ao Leitor da edição especial, a mais aguardada dentre todas as edições das publicações de negócios, de Melhores & Maiores.

Lá fora, nas demais redações e publicações sobreviventes da Abril, a tesoura acelerada come e devora. André tem à sua frente a pesquisa realizada pela consultoria de gestão Betânia Tanure. Uma fotografia do “mood” dos empresários no Brasil.

André lembra Ariano Suassuna e uma de suas melhores frases: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. Esse é André. Imagino, também, os demais queridos amigos e sobreviventes de uma sucessão de cortes na Abril, assim somos todos aqueles que continuam amando o Brasil e alimentando um realismo esperançoso.

Esperançosos, eles, André e queridos amigos da Abril. Esperançosos nós, que o Brasil acorde e, finalmente, corresponda a todas as apostas feitas nos brasileiros pela generosidade do universo, pelas bênçãos de um possível Deus, pelas graças concedidas de uma natureza exuberante e esperando que façamos, minimamente, a nossa parte. Betânia Tanure registrou, no correr do mês de julho, percepções e sentimentos de 341 dirigentes de grandes empresas sobre o que nos aguarda.

51% deles revelaram-se pessimistas ou muito pessimistas com a situação. Ruim. Mas melhor do que identificava pesquisa de dois anos atrás, em que esse contingente totalizava 69%. Ou, é ruim, mas, já foi pior.

À medida que as perguntas aumentam o horizonte de tempo, os sentimentos vão melhorando. Em dois anos a soma de otimistas e muito otimistas correspondem a 40% das respostas. E, em quatro anos, o número sobe para 62%. E ao traçarem o perfil do presidente ideal, virtudes e competências, valorizam quase que na mesma proporção: honestidade e ética, capacidade de articulação e negociação, e, capacidade de liderança e gestão. Para esses dirigentes as reformas mais importantes são: a tributária e a política.

Outra constatação relevante da pesquisa é que há um ano nenhum dos entrevistados considerava a possibilidade de juntar suas empresas a outras, mas, hoje, esse entendimento ganha corpo. Ao contrário de uma queda dos que defendiam, no passado, a diversificação de negócios, como medida de recuperação.

Colocam mais ou menos no mesmo nível a necessidade de uma dosimetria melhor em todas as ações de racionalização e revitalização da e na empresa; de melhorar os resultados no menor prazo possível; de conseguir graus maiores de unidade interna em pensamento e ação; de ganhos de eficácia operacional; de comunicação de excepcional qualidade com todos os stakeholders e perseguir incessantemente a inovação... Assim, não é, não está, e não continuará fácil nos próximos meses.

Que a Abril saia da UTI e volte um dia a ser uma empresa saudável; que Exame continue cumprindo o extraordinário papel que vem desempenhando em todas as décadas de sua existência; e que nós, brasileiros, finalmente correspondamos ao presente que recebemos da natureza, com competência, trabalho, progresso e justiça social. E que em 2019, o André escreva a Carta ao Leitor de Maiores & Melhores sem a pressão dos corredores de uma empresa quase em estado terminal e na UTI. Bem antecipadamente, um Feliz Ano Novo a todos; precisamos e merecemos; ou, não?

Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing (famadia@madiamm.com.br)

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