Startups atraem grandes empresas que buscam oxigenar processos

Hackathon Globo; Cubo Itaú; e Launchpad Accelerator SP, do Google, oferecem meios de crescimento e retorno

Vadim_Key/iStock

A Distrito, Y&R e Neoway divulgaram este mês o estudo AdTech Mining Report, sobre o ecossistema brasileiro de startups de AdTech e MarTech. Das 2.500 startups pesquisadas, 340 foram divididas nas categorias Advertising & Promotion, Content & Experience, Social & Relationships, Commerce & Sales. Também em abril, a Pequenas Empresas & Grandes Negócios e a Época Negócios, da Editora Globo, e a Corp.vc, divulgaram o especial 100 Startups to Watch. As selecionadas são de setores como agropecuária, lazer e turismo, saúde e bem-estar, serviços e tecnologia da informação.

Esses são apenas dois mapas que tentam explicar a ebulição no empreendedorismo, força sentida por grandes empresas. Elas estão de olho nesse movimento, colocando a mão na massa com esses profissionais ou ajudando-os a alçar voo, seja com espaços como o Cubo Itaú; o Launchpad Accelerator São Paulo, do Google; ou por hackathons, como o da Globo.

Segundo Rodrigo Carraresi, gerente de programas do Google Developers, o ecossistema brasileiro de startups vive um momento único, com histórias de sucesso que inspiram outros fundadores e viram exemplo que atraem investimentos. “Para manter esse ciclo virtuoso, é fundamental continuar a investir em programas de apoio para os empreendedores que estão em busca da próxima grande inovação”, diz.

Dentro desse cenário, o Google anunciou o Launchpad Accelerator São Paulo, programa para ajudar startups do país a criar produtos e tecnologias atraentes, escaláveis e impactantes. Depois de Israel (Tel Aviv) e Nigéria (Lagos), o Brasil é o terceiro país a receber essa iniciativa. O programa ajuda as startups a desenvolver seus produtos e superar desafios tecnológicos em inteligência artificial, machine learning, android e soluções web. Durante três meses, o programa tem suporte técnico, mentoria com especialistas e acesso antecipado a tecnologias da empresa. Além disso, as startups receberão entre US$ 20 mil e US$ 100 mil de créditos em produtos Google. Nos próximos dois anos, o objetivo é apoiar 35 startups.

Divulgação/Ciça Sampaio

 

Carraresi destaca Nubank, PagSeguro e 99, startups que se tornaram unicórnios (empresas que valem mais de US$ 1 bi) nos últimos três meses, e conta que o valor investido em startups brasileiras por fundos de venture capital cresceu 207% em 2017 e atingiu US$ 860 mi. “O Launchpad Accelerator São Paulo é um programa do Google Developers, uma área do Google que conta com parcerias com três outras aceleradoras no Brasil: ACE, B2Mamy e Startup Farm. O nosso trabalho junto com os parceiros é criar programas de aceleração cada vez melhores, desenvolvendo um número cada vez maior de empresas. Passado os três meses, essas startups viram “alumni”. A ideia é que se candidatem para disseminar o conhecimento.”

Imersão e ecossistema
Linha semelhante tem o Cubo Itaú, lançado em 2015, que vai quadruplicar de tamanho. Fruto de parceria entre Itaú Unibanco e a Redpoint e.ventures, ele propõe transformações para o mercado de empreendedorismo tecnológico, com espaço de coworking para startups digitais, apoio de mentores, workshops e palestras.

Lineu Andrade, diretor de tecnologia do Itaú e responsável pelo Cubo, conta que o projeto reflete a história e a característica do banco de buscar tecnologia para oferecer a melhor solução para o cliente. Esse processo se intensificou nos últimos anos até a ideia de “ter um Vale do Silício em São Paulo”. “O objetivo era preencher a lacuna de densidade deste ecossistema e tornar o espaço um hub de conexões para a geração de negócios. Tem muito valor criar esse hub de empreendedorismo. Atendemos startups de vários segmentos, educação, machine learning, varejo, agrobusiness e fintech. Estamos preocupados em ver boas ideias”, afirma.

Cerca de 75 startups já passaram pelo Cubo, das quais 20 saíram após crescerem. Dados do projeto apontam que as startups residentes geraram mais de mil postos de trabalho, receberam R$ 150 milhões em investimento e já faturaram mais de R$ 200 milhões. O próprio banco já contratou cerca de 15 projetos.

O espaço abriga hoje 55 startups, mas a expansão no segundo semestre deste ano deve elevar esse número a mais de 200. Os residentes e visitantes também vão aumentar: de 250 para 1.250 trabalhando no local, e de 600 pessoas por dia para mais de 2 mil.

Parceria e troca
O Cubo tem 12 parceiros, entre eles a Coca-Cola, que abastece o rooftop, expõe sua marca e apoia o projeto com mentorias. Renato Shiratsu, diretor de inovação da Coca-Cola Brasil, fala que a parceria tem total sinergia com a cultura de crescimento da marca, que busca estimular o ‘olhar para fora’ e repensar formas de trabalhar que fujam dos caminhos tradicionais. Ele comenta que a empresa pode trabalhar com startups em diversas áreas, como produção, logística, processos e treinamentos. E o caminho pode ter duas vias: de startups com produtos já desenvolvidos, ou a Coca-Cola contribuir desenvolvendo e adaptando para as suas necessidades. Há projetos em fase de pilotos e desenvolvimento, e os cases devem ser apresentados em breve.

“Entramos com a experiência de mercado e aperfeiçoamos o que a startup está oferecendo por conta do know-how que a companhia já tem nas áreas de atuação. É uma troca em que os dois lados saem ganhando. Além disso, também temos trabalhado com startups que nos apresentaram ideias interessantes e estamos ajudando-os desenvolver o produto, fornecendo não só expertise para infraestrutura também”, diz.

Para ele, hackathons são uma ótima forma de oxigenar e fala que possivelmente a empresa vai investir em projetos assim. Mas outros formatos já foram trabalhados pela Coca-Cola, como o Open Innovation, feito internamente e com fornecedores, e o The Boat Challenge, um evento com empreendedores sociais de Manaus (AM) em prol do desenvolvimento socioeconômico. “Durante dois dias, a bordo de um navio saindo do Festival de Parintins e descendo o Rio Amazonas, pessoas com potencial transformador desenharam soluções sociais para a cidade, com o apoio de especialistas”, lembra.

Divulgação

Big Hackathon Brasil
Visando oxigenar principalmente a cultura da empresa, a quarta edição do Hackathon Globo “está no ar”. Nos dias 28 e 29 de abril, o evento será feito na casa do Big Brother Brasil, durante 33 horas, com cobertura do G1 e streaming de câmeras da casa. A ideia era ter um local icônico, que proporcionasse uma imersão em um ambiente de televisão, segundo Daniel Monteiro, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Globo.

“A ideia de fazer na casa do BBB foi uma unanimidade desde o primeiro Hackathon, e achamos o local perfeito. Lá conseguimos criar um ambiente leve e criativo, onde os participantes podem utilizar os espaços da casa para desenvolver suas ideias. Durante o evento temos oportunidade de nos relacionar com uma geração nativa digital apaixonada por tecnologia. Temos de estar ligados nessa nova cultura aprendendo ferramentas, metodologias e construindo o nosso futuro”, comenta.

Reforçando esse ambiente de troca e diversidade de pensamentos, Suzana Freitas, supervisora executiva de atração e seleção da Globo, explica que a essência do formato permanece desde a primeira edição, mas houve melhorias do processo de ideação e de mentoria. “No final das edições incentivamos os participantes a nos mandarem feedbacks sobre o evento para que ele continue sendo uma experiência incrível para todos. Hoje temos algumas pessoas que vieram do Hackathon, que integram o nosso time de tecnologia”, diz.

Assim como a Globo, o Itaú também tem talentos que vieram de hackathons, formato que substituiu há um ano o processo tradicional de seleção na área de tecnologia. Se a pessoa resolve o desafio segue para nova etapa. O resultado tem sido um índice de assertividade maior, menos gastos e melhor retenção. Feliz com esse cenário, Andrade lembra a ideia do nome Cubo, inspirado na ideia de várias dimensões. “A startup usufrui do ecossistema investidor, empreendedor, universidade, empresa, operando juntos. O Cubo foi nossa startup e provou que vale a pena investir no ambiente de empreendedorismo.”

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