Globosat completa 20 anos de mercado

Empresa se prepara para o futuro com produtos fortalecidos e conteúdo diversificado

Na última quarta-feira (19), a Globosat marcou seus 20 anos de atuação com uma grande festa no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com direito a show da nigeriana Sade. Aliás, o primeiro da conceituada cantora por aqui, que encerra nesta terça-feira (25) sua turnê pelo Brasil. A comemoração teve motivos de sobra – a operadora é líder de um dos meios que mais cresceram na mídia nos últimos anos. Para efeito de comparação, em 2005, quando a TV por assinatura completou 15 anos no Brasil, a base de assinantes era de cerca de quatro milhões. Em 2010, apenas cinco anos depois, esse número chegou aos 10 milhões – e deve fechar dezembro próximo com aproximadamente 12 milhões de assinantes.

Segundo o diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, que há 17 anos está no comando da empresa, essa data é um motivo de celebração, na medida em que números redondos acabam se convertendo em uma razão para parar e olhar sua trajetória e fazer um balanço geral. “E nossa trajetória, felizmente, enche a todos que participaram dela de um justificável orgulho. Porém, celebrações acabam rapidamente e é preciso continuar a trabalhar para não perder o que foi conquistado e continuar construindo”, afirmou.

Essa conquista a que Pecegueiro se refere, além da liderança de quem atinge cerca de 10 milhões de domicílios e 35 milhões de telespectadores, passa também por 35 canais que oferecem conteúdo sobre jornalismo, cultura, educação, entretenimento, esportes e cinema. Marcas como SporTV, GNT, GloboNews, Multishow, Telecine, Universal Channel e o surpreendente Canal Viva, lançado há pouco mais de um ano e que, exibindo principalmente sucessos antigos da TV Globo (como as novelas Vale Tudo e Roque Santeiro, e o humorístico TV Pirata), caminha para ser um dos líderes da TV paga.

Segundo o executivo, outro produto que é tratado como prioridade na Globosat é o Premiere Esportes, serviço de PPV (Pay Per View) de futebol criado em 2000. “Hoje o Premiere é maduro, se paga e é muito bem sucedido se comparado com produtos similares de outros mercados. Cerca de 13% da base endereçável, que é aquela que pode assinar o PPV por questões técnicas, já aderiu ao serviço. Esse número é superior ao da época de ouro do boxe americano ou da própria NFL (a liga de futebol americano), atualmente. Vou dar um exemplo – pela SKY, que tem aproximadamente três milhões de assinantes no Brasil e todos podem adquirir o PPV, acabamos de atingir um milhão de usuários do serviço nesse Campeonato Brasileiro. Já na DirecTV dos Estados Unidos, dos cerca de 20 milhões de assinantes, ‘apenas’ 400 mil aderiram ao pacote da NFL”.

Outros dois marcos nessas duas décadas, segundo Pecegueiro, foram a quebra de exclusividade dos canais Globosat, aprovado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no início de 2007, e que atendeu à proposta da empresa; e o processo de fusão da Sky com a DirecTV, um ano antes, que juntas ganharam muito mais força na distribuição audiovisual.

Momento

Para Alberto Pecegueiro, mesmo a Globosat sendo uma empresa sólida e líder do setor no mercado, ainda enfrente uma concorrência muito difícil a medida que no cenário atual da mídia brasileira, ela também concorre com grandes players internacionais, como por exemplo SporTV x ESPN ou Telecine x HBO. “Em outros meios, como a TV aberta, rádio, revista e jornal, isso não ocorre. Só na TV por assinatura e na internet”, ressaltou.

Mesmo assim, isso não é um entrave para que os canais Globosat continuem se expandindo não só em penetração e audiência, como em publicidade. “O mercado por TV por assinatura está crescendo de forma geral. Já faz um bom tempo que deixamos de ser considerada uma mídia alternativa e temos opções para todos os tipos de anunciantes. Aliás, com a vantagem da segmentação, que não existia em TV antes dos canais pagos. Acredito que este ano o setor como um todo deva ultrapassar a casa dos 4% do bolo publicitário”, afirmou Pecegueiro, completando que não vê hoje queixa quanto ao reconhecimento do meio por agências e anunciantes. A Globosat, segundo o executivo, deve ter um faturamento 10% acima do que o conquistado em 2010, o que deverá fazer com que ela cresça acima da média do mercado, cuja estimativa gira entre 7% e 8%.

O executivo diz que muito do crescimento e consolidação do meio deve-se à mudança do perfil socioeconômico e demográfico do brasileiro. “O aumento do poder de consumos das classes B2 e C são de um volume e proporção inéditos na história do país. Talvez apenas comparado ao que ocorreu durante o chamado ‘Milagre econômico’ (na época do Regime Militar, principalmente durante o governo Médici). E esse aumento do consumo ocorre justamente em um momento em que o setor está estruturado e a tecnologia avança cada vez mais, facilitando a aquisição do produto”.

O momento favorável tem gerado também uma série de investimentos feitos pela Globosat nos últimos tempos, seja em programação, profissionais, estrutura ou tecnologia. Do mesmo jeito que talentos são fundamentais, como afirma o próprio Pecegueiro, investir em uma estrutura compatível para abrigar esses talentos também é necessário. Em maio do ano passado a empresa inaugurou sua nova sede, na Barra da Tijuca, zona sul carioca. “Esse espaço está totalmente capacitado para transmitir integralmente em HD, produzir e editar em 3D e é o segundo teleporto do Brasil em capacidade de transmissão, atrás apenas da Embratel”, afirmou.

Já em programação, a empresa, que acaba de lançar o SporTV 3, terceiro canal da principal emissora esportiva da TV por assinatura brasileira, estreia até o final do ano o Off, baseado em esportes radicais, viagens e aventura. Em termos de tecnologia, o acesso do conteúdo dos canais Globosat para internet, smartphones e tablets está sendo desenhado e desenvolvido de forma a estar disponível aos assinantes. “Uma parte em separado de nossa estratégia é o reforço da condição competitiva de nosso negócio. Isso quer dizer que trabalhamos para manter o cliente de nossos clientes, mantendo uma aliança indissolúvel com as operadoras de TV paga em qualquer tecnologia. E a indústria, como um todo, caminha para oferecer aos assinantes todos os aparatos tecnológicos possíveis”, comentou Pecegueiro.

Um exemplo disso é o muu.com.br, site de consumo de vídeo on demand na internet; o Sky On-Demand, onde a empresa trabalha em conjunto com a operadora; e o pfc.com, que deve ser testado ainda esse ano para, provavelmente, a partir de 2012, oferecer os jogos em pay per view na internet e plataformas móveis aos assinantes do produto. “Esse quadro que o Brasil enfrenta irá levar a TV paga do país a um perfil muito mais próximo de mercados mais maduros, como o americano e até o argentino, onde os lares com conteúdo por assinatura ultrapassam os 50%. Não vejo no cenário da mídia nenhuma tendência que represente uma ameaça ao futuro do nosso negócio”, completou.

por Daniel Milani Dotoli

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