Brasileiros mostram eficácia de técnicas de animação no D&AD

O painel foi realizado no festival em parceria com a Apro e Film Brazil

Marianna Souza/Divulgação

Em parceria com a Apro (Associação Brasileira da Produção de Obras de Audiovisual) e Film Brazil, foi realizado no D&AD Festival, em Londres, um painel sobre o trabalho de animação feito no Brasil. 

Com o título “Animação para Mudança: do Brasil para o Mundo”, o painel contou com a participação de três brasileiros: Mateus de Paula Santos, sócio e cofundador da Lobo, produtora com escritórios em São Paulo e Nova York, Mico Toledo, diretor de arte da Wieden & Kennedy, em Londres, e Adrezza Valentin, diretora de criação da agência AMV BBDO, também de Londres. 

O painel destacou uma série de trabalhos de causas sociais com filmes produzidos no Brasil e que cruzaram fronteiras de diversos países para mostrar a eficácia da animação em tratar de assuntos como autismo, abuso sexual e proteção do meio ambiente.

Mateus de Paula abriu o painel mostrando um forte e premiado filme inglês, o “Cartoon”, da Saatchi & Saatchi de Londres, de 2002, com produção da Gorgeous e animação da Passion Pictures. O trabalho usa cenas de live action com um personagem de desenho animado, um garotinho maltratado pelo pai dentro de casa.

“Foi o primeiro trabalho que me chamou a atenção sobre a força da animação nessas mensagens de caráter social”, disse Mateus. “É um trabalho chocante e ao mesmo tempo eficaz”, complementou Mico Toledo, afirmando que, na época, o comercial quase teve de ser retirado do ar, mas, ao mesmo tempo, cumpriu seu objetivo de conscientização sobre o problema de abuso e violência infantil doméstica, além de acelerar a arrecadação de fundos para a ONG NSPCC.

Em síntese, o painel teve o objetivo de ressaltar que as técnicas de animação podem ser usadas para tratar assuntos “sérios e delicados”.  Mateus mostrou, na sequência, o primeiro filme da Lobo nessa categoria de causas sociais, "Guerra", uma animação feita para a Anistia Internacional de Portugal dentro da campanha da ONU "Everybody is against everybody. Somebody has to be for them”, um trabalho igualmente forte, com cenas de ataques aéreos, soldados, armas e conflitos diversos. “Foi muito melhor do que usar cenas de sangue e mais barato do que investir em locações com live action”, concluíram os três brasileiros ao avaliarem o filme para uma platéia que lotou um pequeno auditório no enorme prédio da  Old Truman Brewery onde acontece o D&AD.

Mateus, Mico e Andrezza também discutiram custos, flexibilidade e pertinência dos trabalhos de animação. “As pessoas vêm com conceitos pré-estabelecidos de que a animação é mais barata, mas ela também pode ser cara”, pontuou Andrezza. “Um dos pontos mais interessantes nos recursos de animação é que você pode criar perfis de personagens que não seriam possíveis com atores de verdade”, ressaltou Mateus. 

Entre os trabalhos brasileiros apresentados durante o painel também foram exibidos os filmes “Sunshine, sobre abuso sexual, “Autism Speaks”, feito para uma ONG dos Estados Unidos, “Troca”, animação sobre a PEC 2015 e a defesa de terras indígenas e o case “Vacina com realidade virtual”, criado pela Ogilvy com animação para imersão em realidade virtual assinada pela Lobo. O case, para o Grupo Hermes Pardini de Saúde, Medicina e Bem-Estar,  é um dos trabalhos brasileiros mais premiados nesta edição do D&AD. Conquistou três Lápis. 

O painel mostrou também o filme “The Unlikely Hero”, animação da Lobo para a Interface, uma empresa de carpetes dos Estados Unidos.

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