Critério e fluência idiomática são essenciais no Cannes Lions

Ricardo John comentou experiência no júri para profissionais brasileiros

Alê Oliveira

O jornal O Estado de S.Paulo, representante oficial no mercado brasileiro do Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, que este ano chega à sua 64ª edição, convidou o publicitário Ricardo John para proferir palestra para os profissionais do país que vão participar dos júris da competição que começa no próximo dia 17 de junho. Realizado no restaurante no Rubayat em São Paulo, o evento teve início com o executivo Flavio Pestana, diretor comercial do Estadão, que mostrou a importância do Brasil para o Cannes Lions:  o 3º país em volume de inscrições e um dos mais premiados nos últimos 20 anos. No ano passado, por exemplo, a AlmapBBDO ganhou o Grand Prix de Agência do Ano.

Nas palavras de John, CCO da J. Walter Thompson, o jurado deve usar critérios coerentes em todas as fases das análises para não ser cobrado posteriormente. "Todo mundo ali está sendo observado", ele resume. Outro ponto é leveza. "Tem momentos de muita tensão, principalmente dos anglo-saxões. "Nessa hora é melhor sugerir um break. O brasileiro, que é leve por natureza, leva vantagem", diz John. A fluência no inglês é essencial. "Na hora das discussões, não basta um simples 'I love this work' ou 'fantastic', é preciso ter vocabulário". 

O Brasil terá 19 jurados integrando os júris da edição 2017 do evento, que começa no dia 17 de junho e será encerrado no dia 24, durante cerimônia no Palais des Festivals. Serão 16 profissionais (veja abaixo) representando o país, mas a organização indicou PJ Pereira, sócio e CCO da Pereira & O’Dell, para presidir o júri do Entertainment Lions, representando os Estados Unidos. Além dele, Ricardo Dias (Anheuser-Busch InBev) está escalado para o Entertainment Lions e Fernando Machado (Burger King) em Creative Effectiveness, que representarão, respectivamente, EUA e México.

Alê Oliveira

No ano passado, o mercado brasileiro teve 21 nomes julgando no festival. Presencialmente, o Cannes Lions terá um total de 285 jurados, mas 95 participarão dos prejulgamentos de Direct Lions, Promo & Actvation Lions e Media Lions. O critério para a escolha dos nomes é baseado nos recursos humanos dos grandes grupos globais, como Dentsu Aegis, WPP, Publicis Communications, Omnicom e Havas, por exemplo.

Algumas novidades serão implantadas na 64ª edição do Cannes Lions. No Media Lions terá a seção Excellence in Media; no Innovations Lions serão instroduzidas o Technogical Craft & Development e Early Stage Technology. A competição Promo & Actvation terá a seção Experience.

Profissionais com reconhecimento nas suas atividades, os nomes dos jurados foram analisados pelo jornal O Estado de S.Paulo nos últimos oito meses. Por exemplo, Andrea Alvares, vice-presidente de marketing da Natura, escolhida para representar o país no Glass Lions, atua em uma empresa com expertise no tema sustentabilidade desde 1983, quando passou a adotar o uso do refil em uma segunda compra. Ela explica: “O mundo atual exige que todos, empresas, cidadãos, sociedade civil e governo, ampliem o olhar para entender o impacto de nossas escolhas na qualidade de vida que estamos construindo coletivamente. A realidade em que vivemos mostra de maneira explícita a necessidade urgente desta ampliação de olhar para incluir a igualdade de direitos para todos como agenda do dia”.

Alê Oliveira

Andrea prossegue: “Uma empresa que nasce com propósito, mesmo antes deste conceito ser cunhado há quase 50 anos, a Natura sempre esteve na vanguarda desta discussão e, principalmente, de sua prática efetiva. Uma empresa que nasce da paixão pela cosmética e pelas relações, que busca a promoção do ‘bem estar bem’ em tudo o que faz e continua se reinventando para assegurar que essa razão de ser esteja sempre viva em nosso dia a dia”.

Na avaliação da executiva da divisão mercadológica da Natura, o papel da indústria da comunicação comercial na conscientização das práticas sustentáveis ganha cada vez mais relevância nos processos decisórios. “Esta indústria tem o poder de moldar cultura e precisa, urgentemente, também ser mudada para ampliar seu olhar e atuar sobre os desequilíbrios que ainda temos na própria indústria e no mundo. O fato de serem ainda apenas duas mulheres neste painel de jurados mostra o quanto ainda precisamos avançar”, ela explica.

Erh Ray, representante do Brasil pela terceira vez no júri do Film Lions, destaca que, mesmo com o crescimento de outras plataformas, o comercial de 30 segundos continua essencial. “Ainda é uma das protagonistas de qualquer festival e é aquela que gera conversas. É o motor de grandes campanhas. Espero encontrar a melhor safra do ano, os melhores filmes reunidos. Além daqueles que já conheço, espero ser surpreendido por peças interessantes de diversos países e culturas. Também estou ansioso para interagir com os demais jurados e ter discussões ricas sobre o tema. A importância do storytelling, de uma boa direção e um insight relevante segue existindo - com a diferença de que este vídeo, hoje, é publicado nas mais diferentes plataformas”, pontua Ray.

Alê Oliveira

Brasileiros no júri 
Cyber - Sérgio Gordilho, Copresidente e CCO da Africa
Design - Mário Narita, Presidente da Narita Design
Direct - Moacyr Netto, Diretor de criação da W3haus
Film Craft - Roberto Coelho, Presidente da Satélite Áudio
Film - Erh Ray, CoCEO e CCO da BETC
Entertainment - Marcelo Páscoa, Diretor de marketing da Coca-Cola
Glass - Andrea Alvares, Vice-presidente de marketing da Natura
Health & Wellness - Diego Freitas, Diretor de criação da Havas Worlwide
Media - Miriam Shirley, VP de mídia da Publicis Brasil
Mobile - Rafael Pitanguy, VP de criação da Y&R
Outdoor - Bruno Prósperi, Diretor executivo de criação da AlmapBBDO
PR - Gabriel Araújo, VP de criação da Ketchum
Print & Publishing - Cláudio Lima, VP nacional de criação da Ogilvy
Promo & Activation - Célio Ashcar Jr., Sócio da Aktuellmix
Radio - Mário D’Andrea, Presidente e diretor de criação da Dentsu
Titanium - Nizan Guanaes, Chairman do Grupo ABC

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