A campanha “A última pesquisa”, criada pelo publicitário Brunno Barbosa junto com os colegas de profissão Ricardo Montenegro e Álvaro Carvalho e o programador Lucas Barbosa, conquistou o troféu de ouro da categoria Digital e Interativo do Festival de La Publicidad Independiente (Fepi) realizado na última semana em Rosário, na Argentina.

A campanha foi criada para a ONG Bandeiras Brancas que busca espalhar a paz por meio de ações criativas de comunicação. Em parceria com o portal humorístico Sensacionalista, foi publicada uma notícia fictícia de uma menina brasileira de 12 anos que colocaria silicone para posar nua e conseguir dinheiro para viajar à Disney, nos Estados Unidos. A curiosa “matéria” dizia que ela teria feito isso com uma grande promessa de dinheiro e somente apareceria em uma revista russa local, porém, as fotos teriam vazado e estavam disponíveis online para usuários brasileiros. No final do texto, havia um link para as supostas imagens.

Sensacionalista

Nos primeiros dias, aproximadamente 60 mil pessoas clicaram no link, que redirecionava para uma página onde mostrava a foto do usuário atrás das grades, com o seguinte aviso: “Cuidado, ser voyeur de criança é crime. Não alimente essa indústria criminosa”.

Barbosa conseguiu acesso ao nome, e-mail e fotos dos usuários e, analisando este banco de dados, encontrou pessoas de todos os gêneros e idades. “Essa primeira amostra era muito genérica. Eu precisava chegar a quem realmente faz a busca por conteúdo pornográfico infantil, não somente os curiosos que caíram com a nossa notícia em sua timeline”, explica o idealizador da campanha. Parte da missão estava cumprida: informar ao público em geral.

Com a viralização da notícia fictícia, a campanha seguiu conforme a estratégia traçada e a matéria acabou aparecendo primeiro lugar em sites de buscas quando pessoas buscavam “fotos de garotas nuas”. Isso serviu como carapuça e finalmente começou a atingir o público alvo. Porém, antes de completar 1 mês, cerca de sete mil pessoas buscaram, acessaram a matéria e foram atrás do link com as fotos. O perfil mudou e passou a ser de homens com idades entre 25 e 55 anos. “Entendi que esse era o público-alvo da campanha, era para essas pessoas que eu precisava direcionar os meus esforços”.

Ele coletou, filtrou os dados obtidos e entrou em contato com os possíveis pedófilos por meio de uma página no Facebook. Assim, teve a oportunidade de conversar com mais de 1.600 desses usuários e indicou clínicas especializadas ou pessoas que poderiam tratar esse tipo de distúrbio. As reações foram diversas.

A ação foi apresentada em um minidocumentário. Confira: