“A profusão de telas e players vai demandar conteúdo bem feito e criativo”

Egisto Betti, sócio e produtor executivo da Paranoid, fala sobre a produtora e o mercado brasileiro

O sócio e produtor executivo da Paranoid, Egisto Betti, fala nesta entrevista sobre a contratação de Mariana Youssef e da dupla Sala 12, marcando um novo momento para a produtora, sempre em busca de se autorevolucionar. E também de desafios, de futuro e da "desintegração de fronteiras".  

Como tem sido o ano para a produtora? 

Egisto Betti - O ano tem sido melhor em comparação ao ano passado. Acho que a melhora da economia chegou ao mercado de publicidade. Fizemos trabalhos grandes no primeiro trimestre. A Copa do Mundo também ajudou.

Qual o perfil da Paranoid hoje, e que tipo de diretores vem buscando?

A Paranoid é uma produtora estabelecida, mas não acomodada. Nosso perfil é entregar qualidade com criatividade, e nos provocar a ser melhores todos os dias, como empresa, como profissionais e como pessoas. Como somos uma produtora com um casting de diretores bem eclético acho que a busca é sempre pelo talento e pelo olhar diferente, mas complementar ao nosso perfil.

Como a nova dupla e a Mariana se encaixam nessa busca?

A Mariana é uma diretora maravilhosa. Além do talento artístico, tem uma capacidade de realização e de encontrar soluções para os filmes que sempre surpreendem. Ter uma mulher tão talentosa e ativa com a gente é um privilégio. O Sala 12 tem uma formação sólida no entretenimento e muito potencial para fazer publicidade, especialmente com atores e storytelling. Eles são versáteis e entendem muito bem o mercado de hoje. Acho que nosso time fica muito interessante com a chegada da Mari e do Sala 12.

Que aspectos de seus trabalhos chamaram a atenção da produtora?

A Mariana tem um rolo consagrado com vários trabalhos incríveis e premiados mundo afora. Acho que a consistência do trabalho dela é o que chama mais atenção. Os meninos têm esse olhar formado no entretenimento e imprimem isso de uma maneira muito legal na publicidade. Não vou citar nenhum trabalho específico, mas de novo a consistência da entrega deles.

Como lidar com a mudança de perfil do mercado, a redução de trabalhos grandes, e a diversificação de conteúdos, com produção realizada por empresas dos mais diferentes perfis? Como se adaptar, ou manter a coerência e o foco?

Esse é um assunto que daria um livro. Apesar de não ter uma receita pronta e de certo modo ainda não entender perfeitamente para onde caminha de fato o mercado, acho que a chave, no nosso caso, é buscar ser uma empresa de audiovisual completa, que consiga transitar em todo o espectro do audiovisual. Integrar e entregar publicidade, conteúdo digital e entretenimento misturando tudo. Acho que apesar das dificuldades econômicas e conjunturais, ser produtor hoje é muito interessante. Somos empresas menores, mais ágeis e, portanto, mais rápidas para mudar de direção e estratégia. A nossa capacidade de adaptação vai nos ajudar a sobreviver e prosperar nesse mundo novo e tecnológico que está aí.

O que é novo, diferente e inovador no mundo da produção de audiovisual para a publicidade, no caso de vocês?

Novo é a completa desintegração das fronteiras. É, por exemplo, uma marca patrocinar uma série de TV ou web que seja puro entretenimento, ainda que traga valores e atributos dessa mesma marca de maneira elegante e sutil. A profusão de telas e players vai demandar conteúdo bem feito e criativo em vários formatos. Outra vez, aqui cabe a capacidade das produtoras de se adaptarem rapidamente para entregar este conteúdo com qualidade e criatividade.

 A publicidade segue mais relevante que o entretenimento ou há maior equilíbrio hoje? 

Aqui na Paranoid a publicidade é o nosso core business. Nascemos como uma produtora de publicidade e temos muito orgulho e prazer em fazer publicidade. Nosso entretenimento passou por uma restruturação há pouco mais de três anos e vem ganhando corpo e espaço na produtora. Como eu disse antes, somos uma produtora de audiovisual e queremos contar histórias em todos os formatos. Na verdade, buscamos um equilíbrio entre as diferentes possibilidades de receita e o entretenimento sem dúvida vai contribuir para isso. Neste ano vamos lançar três longas-metragens, filmar outros dois, além de projetos em desenvolvimento para TV já bem maduros. Estamos no caminho.

O que esperar de 2018?

Acho que vai ser um ano complicado ainda pela completa indefinição do cenário político. Ainda que a economia esteja dando sinais de recuperação o cenário de médio e longo prazo vai depender muito dos players que de fato vão chegar ao segundo turno das eleições. Vai ser um ano meio montanha russa na minha opinião, então é cuidar para navegar na direção certa e ter rapidez para virar o leme quando necessário. Acho que tudo vai ficar mais claro quando o cenário político se definir. Tomara que o país encontre o seu caminho de equilíbrio entre crescimento e justiça social, e consiga diminuir a nossa imensa desigualdade.

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