Corazon tem apenas dois anos de história e já ganhou sete Leões

Empresa aposta em revelar novos diretores e em boas ideias com menos verbas; ele fala que o mercado hoje está muito difícil

Divulgação

Com apenas dois anos de atividade, a Corazon Filmes é uma das produtoras atuais que revelam jovens diretores de cena, está ganhando Leões e atraindo a atenção de clientes. Outro diferencial, aposta o sócio e diretor-executivo Igor Ferreira, é produzir com qualidade e menos verba. A produtora tem feito grandes campanhas nacionais e internacionais, para marcas como Hering, Natura, Nestlé, McDonald’s e Samsung. A Corazon assina a produção do filme de Nescau, Meninas Fortes, ganhador do primeiro Leão de Glass no Festival de Cannes para o Brasil, em 2017, com criação da Ogilvy.

“Esse é um Leão diferente, especial, para uma causa muito bacana. É o primeiro Leão de Glass do Brasil, foi a cereja do bolo”, comemora Ferreira, que, desde julho deste ano, passou a contar com o produtor-executivo Renato Chabuh na sociedade. A Corazon já tem sete Leões do Festival de Cannes. Os outros projetos premiados foram The Canceller, criado pela Grey para Reclame Aqui, e Flor da Vida, para o grupo de medicina diagnóstica Hermes Pardini, desenvolvido pela Ogilvy.
Ferreira relembra que quando abriu a produtora, em junho de 2016, com lançamento em pleno Festival de Cannes, apostou em não ter nenhum diretor figurão. “A gente não queria ter diretores figurões. Nossa ideia era realmente revelar novos talentos”, diz.

Segundo o diretor-executivo, os novos diretores têm um novo olhar, sem amarras e vícios do mercado, com uma linguagem diferente, que acabou despertando nos clientes a vontade de produzir com eles. Ferreira conta que alguns deles nunca tinham visto uma película e um set de filmagem antes de chegar à Corazon, “porque eles pegavam a câmera deles e saíam filmando”. “São talentos natos”, justifica.

“A gente gosta de trazer esse jeito diferente de pensar”. Ferreira ressalta que a produtora já criou essa marca e por isso quer sempre trazer novos diretores. Hoje a produtora tem os seguintes diretores: Bel&Ju, Kvpa, Manimou, Premier King, Raphael Gasparini, Ricardo Sampaio e Will Mazzola. “O Ricardo Sampaio é um menino que veio do mercado de Florianópolis e fez essa campanha de Proibida (criada pela We) com o ator Emilio Dantas (Beto Falcão na novela Segundo Sol). Ele está há menos dez meses em São Paulo e já fazendo filme de cerveja que está bombando”.

Contar migalhas
Para Ferreira, que trabalhou por vários anos como produtor em agências como a F/Nazca Saatchi&Saatchi, um dos maiores desafios é produzir boas ideias com verbas menores. “Antigamente, você tinha uma verba de R$ 500 mil para uma diária de um filme médio. Hoje, você tem essa diária para dois dias, às vezes até três. Essa matemática, equação é o mais difícil, ou seja, a gente produzir com qualidade com menos verba. Acho que isso foi um dos nossos diferenciais. Óbvio que tenho trabalho de vários valores. Por exemplo, o filme de Nescau custou R$ 1,5 milhão, mas tenho filme também de R$ 400 mil, R$ 500 mil”.

Na opinião de Ferreira, rola um certo saudosismo das grandes produtoras. “Muita gente fala: ‘ah, vou fazer esse filme e vou ganhar só isso’. A gente não tem esse mindset. Pensamos em ganhar a produção, mesmo recebendo menos, porque esse mercado não vai voltar, não vai ganhar R$ 500 mil num filme como antigamente. Temos um controle dentro da produtora, porque para ganhar dinheiro com filme é um desafio, você fica contando migalhas. Muitas vezes eu sei que não vou ganhar nada, mas faço o filme por questão de relacionamento, para que venha o próximo, e portfólio”.

Segundo Ferreira, produção é um jogo de xadrez o tempo inteiro, “porque é um mercado difícil”, principalmente por causa dos longos prazos de pagamento dos anunciantes. “Hoje quanto maior o cliente, mais prazo de pagamento eles têm. Todos os grandes clientes que trabalhamos pagam tudo em 90 dias e você tem de financiar clientes que são muito maiores do que você. O nosso grande problema é equalizar com as equipes, que recebem em 30 dias. O mercado mudou”, ressalta ele. Mesmo assim, a perspectiva é de crescimento para a Corazon. “Se a gente terminar o ano hoje, a gente já dobrou o faturamento do ano passado”. O faturamento estimado para 2018 é acima de R$ 40 milhões.

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