Pior que Globo da Morte

“A coragem conduz às estrelas e o medo à morte”. Sêneca

 

Dois competentes e talentosos jovens comandam as duas principais empresas aéreas do Brasil. Claudia Sender, 41, TAM, e Paulo Kakinoff, 41, GOL. Definitivamente, não os invejo. Seria um dos últimos empregos que recomendaria a qualquer pessoa. Uma espécie de alerta do Ministério da Saúde. Menos arriscado, previsível e emocionante é galopar numa moto dentro de um Globo da Morte.

 

No verbete Globo da Morte, na Wikipédia, uma única página, datada de março de 2008, e aguardando alguém manifestar-se sobre o tema e eventualmente proceder ou recomendar correções. Diz que o Globo da Morte foi idealizado nos Estados Unidos em 1904, e trazido para o Brasil por um engenheiro italiano – Guido Conci. Construiu o primeiro Globo da Morte na cidade de Petrópolis, nos anos 1930. As primeiras acrobacias realizou com sua esposa, Eugenie Hudadze Conci até um primeiro tombo dela, grávida de gêmeos, que acabaram por perder. Seu maior discípulo foi Panair do Vale que levou a arte e a ciência de sobreviver de, no, e com o Globo, mundo afora.

 

Desde que assumiram seus postos Paulo e Claudia não sabem o que é um céu de brigadeiro. É encrenca sobre encrenca. E agora enfrentam um novo desafio, mesmo não tendo conseguido se desvencilhar das imprevisibilidades do negócio, e, muito especialmente, das imprevisibilidades do Brasil.

 

Claudia lidera a integração da TAM a LAM dando origem a LATAM. E Paulo parte para o desafio de reposicionar, radicalmente, a GOL. Originariamente concebida e revelada para atuar no território do “baixo custo”, agora segue os passos de sucesso de sua parceira DELTA em busca do mercado “premium”.

 

À Claudia, todo o sucesso que merece, e seu desafio, neste momento, me parece pouca coisa menor que o do Paulo. Já o Paulo tem, na partida, uma missão quase impossível e que é transformar, na cabeça e no coração das pessoas, aquilo que até ontem era percebido como popular, e agora tenta migrar para o lado oposto.

 

Mas, surpresa, e para sua felicidade, o tal de “low cost”, ou, popular, da GOL, não pegou!

 

E a razão está na partida. Contrataram profissionais extremamente competentes e sofisticados para criar a identidade de uma empresa, em tese, popular. Esmeraram-se na missão. Mas, não conseguiram. Jamais conseguiriam. Cultura e referências estéticas e visuais rigorosas, traduzidas em sensibilidade, sofisticação e qualidade, produziram uma das marcas, e na sequência campanha de lançamento, mais emblemáticas do marketing brasileiro moderno. Por mais que tentassem, o DNA da equipe, mesmo esmerando-se para criar uma marca e campanhas “populares”, “arremeteu” a GOL na direção oposta.

 

Recorro ao melhor portal sobre Marcas em nosso país. Mundo das Marcas. E de lá trago o início da narrativa: “A GOL Linhas Aéreas nasceu para revolucionar o mercado da aviação doméstica nacional, fazendo com que todo brasileiro tenha direito a voar”. 1 de agosto de 2000.

 

Liderando os competentes profissionais Francesc Petit. Assinando a campanha de lançamento, a DPZ. Se tudo o que a família Constantino queria era posicionar sua empresa no território do popular, repito, foi infeliz na escolha. Para a suprema felicidade do Paulo Kakinoff que agora e através de pesquisas constatará que a GOL não é percebida como uma empresa da chamada aviação econômica. Mas sim, bonita, moderna, sofisticada.

 

E, como se não bastasse esse feliz e oportuno equívoco, hoje oferece em suas aeronaves virtudes típicas de empresas do território “premium”, na opinião de seus parceiros da DELTA: “A GOL já possui um nível de performance operacional característico de um serviço “premium”, como uma frota jovem e altos índices de pontualidade – melhor desempenho do setor -, e ainda a maior oferta de assentos do mercado doméstico na categoria A de conforto na classificação da ANAC” – Jill Sullivan Greer, VP da DELTA, em entrevista para Mariana Barbosa, em Atlanta, Folha de S.Paulo.

 

Assim, e também desejando ao Paulo todo o sucesso neste novo desafio que tem pela frente, reitero que nessa missão leva uma vantagem de partida: o errado era o certo. Meio caminho andado.

 

famadia@madiamundomarketing.com.br

 

Maio/Junho 2016

 

 

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