A culpa não é minha

Obla di, obla dá

Você, político, precisa parar de se culpar pelas mazelas do Brasil. Existe uma enorme corrente na sociedade, em especial nas redes sociais, querendo jogar todo o peso do mundo sobre suas costas, mas não é por isso que deve-se aceitar o fato como consumado. É preciso reagir ao sentimento de manada e ver que nem tudo é causado por desvios do Executivo ou do Legislativo.

Existem os vulcões, os tsunamis, o deslocamento dos icebergs, os animais selvagens que picam, mordem ou devoram pessoas inocentes em ambientes hostis. Por acaso eles pertencem a algum partido político como você? Diga a verdade: você já viu algum crocodilo do Nilo filiado ao PT, ao PSDB, MDB?

Se você, homem público, fizer uma reflexão notará que o que pode ter eventualmente feito às pessoas foi o equivalente a roubar o remédio de pressão de uma vovozinha. O que é isto perto de uma dengue, de um tifo, uma tuberculose coletiva? Ou pior: da colisão de um meteoro na Amazônia, por exemplo?

Não há razão para Vossa Excelência aceitar ser o ralo do país, receber no lombo toda a ira de um povo só porque locupletou-se financeiramente em determinado momento da trajetória profissional. E, ponto muitíssimo importante: sem provas materiais. Pois é, na maioria das vezes o condenam sem nada de concreto nas mãos.

Quando um urso engole um turista numa região montanhosa asiática, a prova material está em suas entranhas. Basta dissecá-lo, retirar o almoço do bucho, e condená-lo. Mas onde está a maioria das evidências contra o senhor? Em lugar nenhum. Tudo bem, todos sabemos que os seus milhões de dólares, na verdade, estão numa cofre em Zurique. No entanto, até que o dinheiro apareça na Globonews, em horário nobre, com Vossa Excelência algemado à maleta, ele existe para valer?

Então para que essa culpa, parlamentar? Para que tomar Rivotril se se pode botar a culpa na Justiça, na PF, no baixo salário pelo tamanho da responsabilidade, na indiferença dos juízes aos habeas corpus? 

Deve-se culpabilizar o eleitor. Ele, sim, é o maior responsável por estarem responsabilizando você pelos reveses nacionais. Ele é que é o grande vilão da história. Não Vossa Excelência, não seus assessores arrastando mochilas com maços de cédulas em restaurantes, muito menos a sua esposa - que acabou virando um sucedâneo da Mulher-Melancia: a Mulher-Laranja. 

Pense nisso. Menos culpa, mais Caixa 2.

 

Em tempo: o texto cima é uma sugestão de terapia de apoio psicológico ao homem público condenado por corrupção. Ele deve tomar contato com ele, enquanto toma banho de sol, no presídio ao qual foi encaminhado. O exercício diário de leitura, em voz alta, colabora com a diminuição do estresse e seus desdobramentos.

 

 

 

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