Antes refratários em imergir fundo no oceano de oportunidades que a publicidade oferece a quem nela confia e a pratica com regularidade, os bancos têm resolvido mudar de tática e acreditar na máxima do “quem não anuncia, se esconde”.

Talvez porque a concorrência entre eles tornou-se mais acirrada nos últimos tempos, obrigando-os a deixar de lado um certo preconceito em relação a campanhas e anúncios dos seus produtos e serviços e disputarem o mercado obedecendo às regras fundamentais do marketing, onde uma delas é anunciar para vender.

Nesta edição, contamos um pouco da história atual do Bradesco nesse sentido. Com um roteiro de vida contendo diferenças no seu início, em relação aos seus principais concorrentes, o Bradesco, ainda sob o comando do festejado Amador Aguiar, evitava assinar com frequência grandes campanhas.

Sua direção acreditava mais no contato pessoal com uma clientela que não parava de crescer, motivada pelo boca a boca produzido pelas empresas e pessoas físicas que já trabalhavam com o banco.

Os tempos, porém, mudaram. As fusões do setor produziram concorrentes cada vez maiores e fortalecidos para servir a um mercado que não parava de crescer.

O país via crescer o seu número de empreendedores e a busca destes por financiamentos para os seus projetos acompanhava esse crescimento.

Aos poucos, o Bradesco foi entendendo que a mudança dos tempos o obrigava a também mudar, com destaque para a sua comunicação. Uma das primeiras providências foi confiar a sua conta publicitária a uma grande agência de propaganda, passando o seu famoso e até então bem sucedido departamento próprio, a ser o elo de ligação entre o Bradesco e a agência.

Os efeitos foram logo sentidos e o Bradesco logo percebeu o acerto da sua decisão. De lá para cá, outras agências de publicidade passaram a atender o banco, que não parava de crescer e admitia publicamente o seu reconhecimento à contribuição da publicidade melhor conduzida por profissionais de agências, um fenômeno econômico que dos anos 80 para cá se espalhou por todo o mercado brasileiro.

Registramos nesta edição a evolução e os resultados dessa estratégia do Bradesco, que aposta como nunca na qualidade criativa da sua comunicação com o público.

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Causou curiosidade entre os leitores, um anúncio de página inteira da Philips Morris International nos jornais do feriado de Corpus Christi, sob o título “1 bilhão de pessoas vão começar o Dia Mundial Sem Tabaco com um cigarro”. Em seguida, um copy que começa dizendo que “os danos causados pelo cigarro são muito conhecidos (…) Acreditamos que as pessoas deveriam parar de fumar e nós apoiamos medidas para evitar que elas comecem”.

Aí vem o reverso: “Porém, aquelas que decidem continuar fumando cigarros têm o direito de ter acesso a melhores alternativas (…) Elas deveriam optar por produtos que são potencialmente menos nocivos do que o cigarro (…) Faz sentido negar a elas essa oportunidade? (…) Nós decidimos construir nosso futuro sem cigarros” (grifo deste redator). Saiba mais em: www.pmi.com/markets/brazil/pt.

Fomos ao site mencionado e nos decepcionamos: a empresa intitula a matéria- revelação da seguinte forma: “A nossa visão é oferecer uma opção melhor para os adultos fumantes”. E explica: “Estamos desenvolvendo e testando produtos que permitam a entrega de nicotina sem a fumaça prejudicial do cigarro (…) Mais de 5 milhões de adultos fumantes já deixaram de fumar e optaram por nossos produtos de risco reduzido (…) Nossa prioridade é clara: realizar a migração o mais rápido possível de centenas de milhões de adultos fumantes, para alternativas potencialmente menos prejudiciais”.

Seria mais contundente um comunicado da empresa, anunciando uma mudança de trade. O paliativo de novos “produtos de risco reduzido“ permite que se veja a decisão de Philips Morris como mais do mesmo.