“Quanto menos a marca atrapalhar a jornada de consumo melhor”

Guilherme Esquivel, da Mastercard, revela como a bandeira se posiciona frente aos avanços da tecnologia de pagamento por aproximação

 

Com os avanços da tecnologia muita coisa mudou. Carteiras eletrônicas e pagamentos por diversos tipos de dispositivos como smartphones e pulseiras chamam a atenção dos clientes. Durante ação para clientes que possuem o cartão Mastercard Black na praia de Trancoso, na Bahia, neste mês de janeiro, Guilherme Esquivel, diretor de pagamentos e inovação da Mastercard, falou sobre os avanços da tecnologia de pagamento por aproximação, de como a companhia trabalha a questão da segurança e revela que a América Latina deve ganhar um modelo de hub de inovação exclusivo para a região, que será similar à plataforma global Start Path. Veja a seguir trechos desta entrevista.

 

EXPERIÊNCIA

Este é de fato um momento importante para a marca.
Saímos dos grandes centros e viemos para um polo como Trancoso (litoral da Bahia) fazer um trabalho muito direcionado aos nossos clientes que possuem o cartão Mastercard Black. Entre as iniciativas, a marca traz na Casa Mastercard Black, localizada no famoso quadrado de Trancoso, experiências gastronômicas na Casa da Glória, almoço imersivo no restaurante Floresta e workshops com artesãos locais. Na parte de entretenimento musical, quatro shows com a cantora Elba Ramalho agitam a praia do vilarejo. Além disso, a Mastercard também traz um beach lounge, localizado na praia do Rio Verde. Com todas essas experiências, buscamos resgatar as tradições de uso da região e poder divulgar de forma mais abrangente junto aos nossos clientes. Estes são alguns dos elementos dentro dessa nossa ação de Mastercard em Trancoso. Acreditamos que essa
é a primeira de muitas ações que devemos fazer daqui para frente.     

 SIMPLES

Os nossos estudos indicam que tudo aquilo que traz facilidade e associação com algo que o consumidor já conhece torna mais fácil a penetração de novas tecnologias. Então, é isso o que temos tentado fazer. Queremos tornar o meio de pagamento tão simples que o consumidor não vai nem precisar clicar em nada. Ele simplesmente vai sair da loja e estará pago. O simples para a gente é isso. Quanto menos a marca atrapalhar a jornada de consumo melhor. Essa conveniência, essa jornada de experiência de uso é que vai deixando a nossa vida mais fácil. Este é o mindset para onde a Mastercard está caminhando. 

 

OLHAR

Há dez anos as pessoas achavam estranho o fato de começar a espetar o cartão em uma máquina e digitar uma senha. Esse processo demorou uns quatro, cinco anos para se tornar normal e natural. O próximo passo não será onde coloco o cartão, mas, sim, onde encosto essa pulseira ou meu smartphone. Existe um lado cultural do brasileiro em ser um pouco mais desconfiado. Então, é parte do nosso papel mostrar e trazer elementos que facilitem essa compreensão. Temos investido muito em tecnologia e não olhando só para fora, estamos olhando também muito de dentro para fora para identificar empresas como a Nudata, que surgiu no Vale do Silício e que adquirimos. O nosso papel é ajudar a desenhar o que vai ser o futuro. Também temos trabalhado junto aos bancos emissores para que eles divulguem isso na plataforma deles. A Mastercard, de fato, promove soluções em que ela realmente acredita.

 

SEGURANÇA

Olhamos tanto para o lado da segurança como para o lado da conveniência. Para o lado da segurança, temos apostado em algumas soluções bastante relevantes. O primeiro passo é toda a parte de soluções para “tokenizar” transações. O que é “tokenizar?” É pegar o número do cartão e substituir por um conjunto de números que não está associado ao número original do cartão. Assim, no caso de uma possível fraude, a vantagem é que conseguimos selecionar esses dados, derrubar esse token e amarrar um novo dado sobre ele. Tudo isso sem ligar para o cliente ou precisar cancelar o cartão dele. O cartão vai continuar protegido. Então, conseguimos diminuir o impacto com o cliente final e para o varejo é uma proteção adicional nos processos de fraude online. O segundo passo é o da autenticação. É mais do que proteger a transação enquanto ela está navegando, ou seja, garantir que o cartão é ele mesmo e que a transação foi feita de forma legítima. Mas como é que eu garanto que o cliente é o cliente? Aí vem um conjunto de soluções que vai desde como criar integrações entre emissores, varejistas e estabelecimentos digitais, até fazer com que eles se conheçam e conversem no momento da transação. Esse é um processo que já tem evoluindo há algum tempo. Acreditamos que ele vai ajudar a subir este percentual de aumento de autorização com redução de fraude. A versão que chamamos de 3.0 da autenticação já consegue identificar os movimentos do consumidor quando ele faz uma compra online. Ele consegue mapear mais de 25 variáveis distintas e conseguimos ter 99,997% de certeza de que o consumidor é o consumidor.

 

MOBILIDADE

Estamos investindo muito no modelo de mobilidade. Temos uma diretoria que olha de forma muito engajada também para a mobilidade urbana, onde estamos trabalhando, por exemplo, com algumas prefeituras e empresas que possuem concessão de ônibus ou transporte urbano metroviário. Em Jundiaí realizamos todo um ciclo de desenvolvimento junto com a prefeitura de transportes para permitir com que os moradores pudessem realizar transações diretamente com o próprio cartão ou celular. Este trabalho já está sendo implementado em outras cidades. As prefeituras estão nos procurando. A cultura acontece com a recorrência e o meio de transporte é um dos maiores da população. O nosso foco é estar em lugares e negócios que façam parte do pagamento do dia a dia das pessoas. Precisamos ter mais penetração, pois é isso que consolida a cultura de uma nova tecnologia. 

 

TESTES

Temos um laboratório de inovação dentro de casa, que se chama Mastercard Labs, onde desenvolvemos muitas tecnologias. Lá temos o direito de errar. É onde podemos testar coisas, novas tendências e criar processos de prototipação de modelos sem compromisso. Dentro desse grupo também há uma área que cria um modelo de ecossistema de empresas e parceiros que tenham alguma conexão com o mundo de meio de pagamentos, que chamamos de Start Path. Estamos construindo um modelo para o mercado da América Latina similar a essa plataforma. Atualmente essa área é global, onde há empresas de todo o mundo, mas agora queremos dar um sabor mais local para essa plataforma. Estamos passando por um processo de definição do escopo, mas muito em breve teremos mais informações. A América Latina deve ter um modelo de hub de inovação similar ao que temos com o Start Path.

 

SOLUÇÕES

Vamos ver uma consolidação muito grande das carteiras eletrônicas e dos pagamentos por outros dispositivos. Devemos ver também uma nova solução, que já estamos trabalhando e depende muito de uma regulação do Banco Central, que é o que chamamos de transferência B2B, pagamento pessoa a pessoa. A grande vantagem é poder ter modelos mais robustos de pagamento do ponto de vista transacional, muito mais simples para o consumidor. Nossa meta é ambiciosa. No fim do dia nossa batalha não é contra o concorrente A ou B. A nossa batalha é como eletronificar o máximo de volume financeiro dentro da fronteira de meio de pagamentos.  Então, queremos criar essa alavanca que traz inclusão financeira, eficiência e transparência para a cadeia.

 

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