Foram 49 prêmios em dez festivais, começando pelo Cannes Lions em 2025 e encerrando no D&AD deste ano. Esse é o saldo de conquistas do case ‘Gavião Kyikatêjê’, que promoveu o primeiro time de futebol profissional do Brasil formado por jogadores indígenas, que não contava com patrocinadores. A campanha da Balma Films mostra como uma produtora independente brasileira (com menos de dois anos de atividade) conseguiu a façanha de contar uma história que mexeu o ponteiro sem a participação de uma agência local.
“Tivemos muita cautela, mas ao mesmo tempo muita gana em buscar parceiros de todos os tipos para refinar a ação. Começamos com a ideia criativa e, a partir daí, produzimos um filme – neste momento apenas a Balma estava envolvida enquanto empresa, o restante estava participando como ‘profissionais conectados’ ao projeto. Assim que nosso filme ficou pronto, levei para diferentes agências brasileiras para mostrar o potencial e entender como elas poderiam entrar no projeto e fortalecer esse movimento. Mas infelizmente nenhuma delas decidiu seguir em frente como parceira. Enquanto isso, conseguimos parceiros como Bumblebeat (produtora de som), Dirty Work (produtora de animação), Karina Puri (consultoria indígena) e Flavor, Cuadropost (pós-produção)”, conta Thiago Balma, sócio-fundador da Balma Films.
Para o diretor-executivo, existe um desafio importante de mercado, que é fazer com que agências e marcas entendam o valor de investir em uma comunicação que gere impacto cultural e social. “Não estamos falando apenas da ideia central de uma campanha, mas de toda uma cadeia de profissionais, parceiros e processos que ajudam a construir narrativas capazes de transformar a percepção das pessoas”, ressalta ele. “Mais do que os prêmios, o maior aprendizado foi perceber que, quando damos voz e espaço para grupos historicamente pouco representados, nosso potencial criativo se expande. O resultado é uma comunicação mais potente, mais verdadeira e que reverbera de forma muito mais profunda nas pessoas”.
Em sua visão, o principal diferencial do projeto foi mostrar que a produção pode contribuir muito além da realização do filme. “Participamos ativamente da construção estratégica da iniciativa, ajudando a transformar uma ideia em uma plataforma cultural capaz de gerar repercussão. Isso faz com que clientes e agências passem a enxergar a Balma não apenas como uma produtora, mas como uma parceira criativa capaz de agregar valor ao projeto desde o início”, avalia.

De Nova York, a Area 23 entrou como agência parceira e liderou toda a estratégia criativa no desenvolvimento do case e também ajudou a investir em premiações. Do conceito ao lançamento, ‘Gavião’ levou cerca de sete meses de desenvolvimento. “Foi um processo muito intenso. Em menos de um ano de vida da produtora, conquistamos um Leão de Ouro em Film e uma Prata em Diversity & Inclusion”, conta Thiago Balma.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 15 de junho.
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