A mudança da dinâmica do profissional de mídia ao longo dos anos é o que destaca Rafaela Alves, COO da AlmapBBDO. Ela lembra que, antes, o time entrava no fim da conversa, como uma etapa de distribuição de uma ideia. Atualmente, atua de forma estratégica na construção e no entendimento da jornada, na aplicação e leitura dos dados e na construção de canais estratégicos, além de contribuir para a compreensão da cultura, do comportamento e dos resultados diretos de vendas. E essa evolução exigiu um novo perfil profissional, capaz de combinar domínio técnico, visão de negócio e sensibilidade cultural. Embora o mercado conte tanto com especialistas em operação quanto com profissionais mais estratégicos, a AlmapBBDO aposta em um modelo híbrido, que reúne competências analíticas e criativas.
“A sofisticação técnica foi essencial para a evolução da mídia, mas quando a técnica vira o fim e não o meio, a gente empobrece a disciplina. Dashboard não é estratégia. Métrica não é necessariamente inteligência, e eficiência sem diferenciação pode virar apenas otimização do óbvio”, destaca.
Entre os principais desafios enfrentados pelas lideranças da área, Rafaela aponta a necessidade de fazer escolhas estratégicas em um ambiente cada vez mais complexo e pulverizado. Com a multiplicação de canais, plataformas e formatos, cresce a dificuldade de definir onde investir energia, recursos e talentos, ao mesmo tempo em que as marcas precisam equilibrar resultados imediatos e construção de valor no longo prazo.
“Para as lideranças, existe pressão por performance imediata, mas também a necessidade de construir a longevidade das marcas. Capturar a atenção e construir uma narrativa que entretenha o consumidor final passa a ser um exercício mais amplo e fluido do que a equação pragmática do passado, centrada na aprovação de um planejamento estratégico de mídia. E tudo isso influencia nas decisões atuais.”
Sobre como convencer clientes a pensar neste longo prazo em um cenário de pressão, ela é enfática: “Eu costumo defender que o longo prazo precisa ser traduzido em linguagem de negócio. Não basta falar de construção de marca de forma abstrata. É preciso mostrar como consistência, saliência, diferenciação e confiança reduzem dependência promocional, melhoram conversão e protegem margem. Longo prazo não é ‘romantismo’, é uma estratégia de crescimento mais sustentável”, afirma.
Questionada sobre a concentração dos investimentos publicitários em plataformas como Google, Meta e TikTok, Rafaela acredita que só existe dependência quando existe ausência de pensamento crítico. “A pergunta que exercito diariamente com o meu time é: qual o papel de cada canal dentro de uma arquitetura maior da marca? Estar presente na plataforma A ou B não pode substituir a estratégia.”
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 22 de junho.


