‘É a vida que você põe no papel’, diz Marina Sousa, diretora-executiva da MSP Estúdios e do Instituto Mauricio de Sousa

A executiva fala ao propmark sobre o atual momento de expansão editorial da empresa, com a personagem Milena que acaba de ganhar gibi próprio

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Marina Sousa pegou emprestado o “plano infalível” do Cebolinha. E deu certo. Publicitária, atuou como diretora de arte, mas é na redação que ela perpetua a vontade de contar histórias leves e sempre com mensagens positivas. Da união de texto e imagem, a filha de Mauricio de Sousa eterniza o legado de mais de 60 anos deixado por seu pai para a literatura infantil. Presente na memória de muitos adultos, a Turma da Mônica segue contribuindo para que as próximas gerações despertem a sua paixão pela leitura. “Acompanhar a infância do brasileiro é o que nos move. Retratamos a realidade das crianças. Conforme elas crescem, a gente evolui”, testemunha a diretora-executiva da MSP Estúdios e do Instituto Mauricio de Sousa. A empresa expande atuação editorial. A personagem Milena acaba de ganhar gibi próprio, o que não ocorria desde 1989, com a revista da Magali.

Como evoluiu a narrativa da Turma da Mônica?
São mais de 60 anos. É muito tempo. Mauricio de Sousa sempre contou histórias querendo mostrar imagens. Ele sempre fotografou, sempre filmou e sempre desenhou muito, obviamente. Ele era muito da imagem mesmo. Reconheço isso nele porque ficou impregnado em mim. Eu também gosto de desenhar, de ter uma imagem na cabeça.

O que representa o gibi e a Turma da Mônica para você?
O gibi sempre me acompanhou. Sempre fui muito fã da Turma da Mônica. O meu pai comprava os gibis, levava para casa e eu lia todas as histórias. Devorava tudo. Histórias contadas por meio de imagens são uma grande associação ao universo do Mauricio de Sousa. E hoje temos tantas plataformas para passar isso para as crianças.

Como está estruturada a MSP Estúdios?
Somos uma empresa multiplataforma, com várias maneiras de mostrar o universo tão lúdico e colorido da Turma da Mônica, e outras franquias do universo da MSP Estúdios. Isso faz parte do legado do Mauricio de Sousa e do jeito dele de contar histórias. A gente respeita e adere a isso com muito amor e carinho.

Como unir a paixão por texto e arte?
Eu sou publicitária, já atuei muito como diretora de arte, mas me sinto mais redatora, no sentido de criatividade. Gosto muito de escrever. Acabei casando escrita e desenho.

Qual é a herança que a Turma da Mônica deixa para a literatura infantil?
O universo de Mauricio de Sousa foi o principal apoiador da educação no Brasil. Muitos brasileiros aprenderam a ler com a Turma da Mônica. Eu mesma aprendi a ler com a Turma. Ela incentiva as crianças a querer aprender a ler. Faz parte da alfabetização. A Turma da Mônica tem essa responsabilidade.

É um legado que se perpetua?
Todo brasileiro guarda com muito carinho a Turma, que faz parte da vida de muita gente. Ela faz parte dessa nostalgia. Essa foi a forma que o meu pai encontrou de apoiar a leitura. Um jeito carinhoso e afetuoso, com muito entretenimento.

Qual é o propósito das histórias?
O meu pai sempre nos ensinou a passar mensagens positivas. No fim de cada história, precisa ter uma mensagem boa. A criança ou o adulto que estiver lendo tem de se sentir bem, precisa estar feliz. Os brasileiros tiveram essa sorte, essa honra, de ter a Turma da Mônica na infância. Para incentivar, fazer a criança pegar o gosto pela leitura.

Como imagina o futuro das ilustrações com tantas tentações vindas da inteligência artificial?
Na MSP Estúdios, a gente honra o artista. O próprio Mauricio de Sousa, empresário e fundador da MSP, é um artista. Eu sou artista. O Mauro, meu irmão, que divide a diretoria executiva comigo, também é artista. Jamais vamos deixar a alma de um artista de lado.

Como fica a convivência com as novas tecnologias?
Mas também não negaremos jamais uma inteligência artificial utilizada como ferramenta para apoiar o nosso trabalho. Acho que isso faz parte até mesmo da nossa proposta de acompanhar a sociedade, os nossos leitores. É uma ferramenta inegável. Vamos ter, obviamente, contato com ela. Mas a alma, o espírito, é do artista, da arte. E prezamos muito isso.

O que caracteriza um bom ilustrador?
Vai desde a alma daquilo que a pessoa está criando. Mauricio de Sousa sempre falou que todo mundo nasce sabendo desenhar. Agora, o que você faz com isso? Aí é uma questão de entender o caminho que foi escolhido. Acho que todo mundo tem esse potencial, para desenhar, para colocar uma ideia no papel.

Só quem tem talento para o desenho consegue evoluir em profissões ligadas à ilustração?
Tenho dois filhos pequenos e sempre os incentivo a desenhar. E eles ficam se comparando muito a mim e ao Mauricio de Sousa, aos avós. A minha mãe também desenha. E respondo que cada um tem o seu traço, tem o seu estilo de arte. É muito pessoal. É a vida que você põe no papel.

O que te atrai em um desenho?
Se eu olho um desenho que tem vida, não importa se está perfeito, se está igual aos desenhos da Turma da Mônica, que a gente vê no gibi. A vida e o movimento daquele desenho são o que chama a minha atenção.

Como equilibrar gibis e celulares?
Não é uma competição. O gibi não vai ganhar da tela. Pelo menos para mim, não é assim que funciona. Podemos usar outras plataformas como nossas aliadas. Por exemplo, a nossa proposta aqui é atingir a criança de várias formas. Se a gente vai pelo audiovisual, com uma história legal, que cause um impacto positivo, isso acaba incentivando a criança a consumir também um gibi.

Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 29 de junho.

Imagem do Topo: Caue Moreno

Janaina Langsdorff
Janaina Langsdorff
Editora
janaina@propmark.com.br

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