Itaú reage a cobertura do Metrópoles e aposta em site próprio

O 'Factópoles' reúne posicionamentos oficiais do banco e integra disputa pública com o portal de notícias

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A disputa pública entre Itaú Unibanco e Metrópoles ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (2). Um dia após lançar o Factópoles, site criado para reunir posicionamentos oficiais e exercer o que o banco classifica como direito de resposta, a instituição atualizou a página com uma nova manifestação sobre a cobertura do portal.

Na publicação mais recente, o Itaú afirma que, poucas horas após o lançamento do site e o envio de uma notificação extrajudicial, o Metrópoles publicou quatro novas matérias assinadas pela redação com imputações diretas ao banco, incluindo acusações de “mentira e má-fé”.

O embate ocorre em torno de reportagens publicadas pelo Metrópoles desde abril sobre processos, reclamações de clientes e supostas cobranças indevidas envolvendo a instituição financeira. Segundo o Itaú, em um intervalo de 70 dias, foram publicadas 42 matérias e cerca de 50 posts em redes sociais com informações que o banco considera ‘distorcidas e sem espaço de resposta proporcional’.

Além da página digital, o Itaú enviou uma notificação extrajudicial ao portal pedindo retificações e direito de resposta. No Factópoles, a instituição reúne links para reportagens, documentos relacionados aos casos e a versão do banco sobre os temas abordados. A plataforma também informa se houve pedido de posicionamento antes da publicação das matérias e qual prazo foi dado para resposta.

Em nota, o Itaú afirma que o Factópoles não é uma plataforma de checagem de notícias falsas, função atribuída ao ÉFake, canal já mantido pela instituição. Segundo o banco, o novo site funciona como “um registro público de fatos” e reúne dados, contextos e posicionamentos oficiais que, na avaliação da empresa, teriam sido omitidos ou desconsiderados nas apurações originais.

“O Itaú Unibanco reafirma seu respeito à liberdade de imprensa, ao livre acesso às fontes, ao sigilo profissional e ao jornalismo investigativo, fundamentais para fiscalizar as instituições e fortalecer a democracia. O limite que estabelece é o da legalidade, das normas éticas e do equilíbrio no debate público”, afirma o banco.

O que aconteceu?

A disputa começou a ganhar força a partir de abril, quando o Metrópoles passou a publicar reportagens sobre processos e reclamações de clientes envolvendo o Itaú. O principal ponto de tensão está relacionado a um Termo de Ajustamento de Conduta firmado pelo banco com o Ministério Público de Minas Gerais e o Idec, em dezembro de 2025, sobre seguros vinculados a cartões de crédito.

O acordo encerra uma ação aberta em 2016 e prevê ressarcimento a clientes elegíveis. O Itaú afirma que o TAC não representa reconhecimento de culpa ou de prática intencional de irregularidades. Já o Metrópoles sustenta que a assinatura do acordo configuraria uma “confissão implícita” do banco.

Na atualização publicada nesta quinta-feira (2), o Itaú rebate três pontos levantados pelo portal: a cronologia da divulgação de um comunicado sobre o TAC, a interpretação do acordo como confissão e as projeções feitas pelo Metrópoles sobre o impacto financeiro das cobranças.

Sobre a cronologia, o banco contesta a versão de que teria se “apressado” para divulgar um comunicado por estar sob pressão do Metrópoles. Segundo o Itaú, o comunicado foi publicado em jornais de grande circulação em 24 de maio, um domingo, seguindo o calendário previsto no próprio acordo. A instituição afirma ainda que a repórter Manoela Alcântara procurou o canal de imprensa do banco no dia seguinte, às 11h40, já citando o comunicado no e-mail enviado à assessoria.

O Itaú também rebate as projeções do Metrópoles de que as cobranças poderiam ter gerado impacto de R$ 16 bilhões a R$ 33 bilhões. A instituição afirma que os valores relevantes já constam no processo e que a cláusula 16 do TAC estima o ressarcimento em cerca de R$ 11 milhões, considerando 31.024 reclamações reunidas pelo Ministério Público a partir do SINDEC, do Reclame Aqui e de Procons.

Posicionamento do Metrópoles

O Metrópoles respondeu à criação do Factópoles em texto publicado no próprio portal. O veículo afirmou que recebeu a notificação extrajudicial do Itaú e tomou conhecimento da criação do site, mas rejeitou as acusações feitas pelo banco.

Na resposta, o portal chega a dizer que o nome da página deveria ser “Falsópoles”, por considerar que há “inverdades, meias-verdades e sofismas” nas publicações do Itaú. O Metrópoles também afirma que cumpriu seu dever jornalístico ao informar o público e as autoridades sobre o que classifica como um procedimento condenável da instituição financeira.

O portal sustenta que as reportagens tratam de descontos indevidos feitos em contas-correntes e cartões de crédito. Também diz que substituiria as projeções publicadas por números exatos caso o Itaú aceitasse uma auditoria independente contratada pelo próprio veículo para verificar contas e faturas de clientes no período mencionado.

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