GEO e a nova corrida pelo reconhecimento das marcas na era da IA

Por Fábio Ventura, fundador e CEO da Like Leads

Durante anos, empresas disputaram espaço na internet tentando convencer a ferramenta de busca de que seus sites eram o match perfeito entre a busca dos clientes e os serviços oferecidos. Agora, o desafio mudou. Quem precisa ser convencida é a inteligência artificial.

Pela primeira vez na história da internet, milhões de pessoas deixam de escolher em qual link clicar para simplesmente perguntar ao ChatGPT, Gemini ou outras plataformas de IA o que querem saber. A resposta chega pronta e, muitas vezes, sem que o usuário visite nenhum site.

Essa mudança de postura do consumidor altera profundamente a forma como as marcas conquistam visibilidade. Não basta mais aparecer entre os primeiros resultados de busca. É preciso ser reconhecido pela própria IA como uma fonte confiável de informação.

Os números mostram que essa transformação já está em curso. O ChatGPT reúne mais de 800 milhões de usuários ativos por semana, segundo a OpenAI. No Brasil, levantamento da Conversion aponta que mais de 93% dos internautas já utilizaram alguma ferramenta de IA generativa. E o Gartner estima que, até o fim de 2026, o volume de buscas nos mecanismos tradicionais cairá cerca de 25%, impulsionado justamente pelo crescimento das buscas feitas diretamente em plataformas de inteligência artificial.

Em um mundo em que o tempo é cada vez mais escasso, o consumidor passa a terceirizar a decisão de compra e isso significa que ele está terceirizando parte da decisão. Em vez de analisar diferentes páginas, ele confia que a IA fará esse filtro por ele. E esse filtro segue critérios diferentes daqueles que dominaram o marketing digital nas últimas duas décadas.

Nesse contexto, o que ganha força é o GEO (Generative Engine Optimization), estratégia voltada para aumentar as chances de uma marca ser utilizada como referência pelas inteligências artificiais. Mas existe um equívoco comum: acreditar que GEO é apenas um novo nome para SEO, e não é.

Enquanto o SEO tradicional buscava maximizar cliques por meio de otimizações técnicas, o GEO depende de algo muito mais difícil de construir: credibilidade.

Um estudo conduzido pela Universidade de Princeton, em parceria com Georgia Tech e o Allen Institute for AI, mostrou que conteúdos com fontes confiáveis, estatísticas verificáveis e declarações de especialistas aumentam significativamente as chances de serem utilizados por modelos de IA. Em contrapartida, práticas clássicas de excesso de otimização por palavras-chave apresentaram desempenho inferior.

O recado é claro: a inteligência artificial não procura apenas conteúdo bem escrito. Ela procura conteúdo confiável. Isso transforma a reputação em um ativo técnico.

Durante muito tempo, reputação foi tratada como um tema institucional, normalmente restrito às áreas de comunicação e relações públicas. Hoje ela influencia diretamente a capacidade de uma empresa ser encontrada, recomendada e lembrada.

As IAs observam constantemente quem é citado, em quais veículos, com que frequência e em qual contexto. Reportagens, estudos próprios, especialistas reconhecidos e validações independentes deixam de ser apenas instrumentos de fortalecimento de marca e passam a funcionar como sinais objetivos de autoridade.

Uma empresa pode investir milhões em mídia paga, mas, se não possuir credibilidade construída ao longo do tempo, dificilmente será vista como referência pelas plataformas de IA. Em contrapartida, organizações menores, com produção consistente de conhecimento e presença qualificada na imprensa, podem conquistar espaço ao lado de concorrentes muito maiores.

Pela primeira vez em muitos anos, o orçamento deixa de ser a única vantagem competitiva na conquista de visibilidade digital. Isso também exige uma mudança de mentalidade.

Ainda vejo muitas empresas tentando adaptar antigas estratégias de SEO às novas plataformas, adicionando perguntas frequentes, reorganizando títulos ou ajustando palavras-chave. Essas iniciativas podem ajudar, mas estão longe de resolver o problema.

O que realmente diferencia uma marca é sua capacidade de produzir conhecimento original, apresentar dados próprios, desenvolver especialistas reconhecidos pelo mercado e construir presença consistente em fontes confiáveis. Nenhuma empresa se torna autoridade apenas falando sobre si mesma.

A busca baseada em inteligência artificial está redefinindo a forma como os consumidores descobrem instituições, produtos e serviços. Nesse cenário, a reputação deixa de ser apenas percepção e passa a integrar a infraestrutura da descoberta digital.

Quem compreender essa mudança agora terá mais chances de ser recomendado pelas máquinas que, cada vez mais, influenciam as decisões humanas.

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