Publicitário ou não, é difícil viver sem guardar na memória alguma campanha publicitária. Com a popularização dos filmes veiculados na televisão, comerciais, personagens, bordões e jingles passaram a fazer parte do repertório popular e ajudaram a fixar marcas e mensagens no imaginário do público.
Para quem escolheu trabalhar com publicidade, algumas dessas campanhas representam mais do que uma lembrança. Em alguns casos, foram justamente elas que despertaram o interesse pela criação e pela profissão.
Diante disso, o propmark perguntou a profissionais de diferentes agências quais campanhas despertaram neles o desejo de trabalhar com publicidade.
Confira os depoimentos:
‘Mamíferos Parmalat’ (Parmalat/DM9DDB) — Bia Lopes Maria, diretora de criação da agência W3haus

Ela marcou a minha geração ao provar o poder da publicidade em criar um fenômeno de afeição coletiva. A marca deixou de apenas vender leite para se fazer presente dentro da rotina e do coração das famílias. Eu mesmo fiz um ensaio fotográfico fantasiada, tive meu mascote de pelúcia que me acompanhou durante anos e vivi de perto o impacto de uma comunicação que vai além do produto para construir memórias afetivas reais.
Hoje, a minha trajetória na publicidade e meu desejo de criar com propósito se conectam diretamente a essa vivência. O estudo e a compreensão de comunidades passaram a ser o centro do meu trabalho: entender que uma marca forte e com propósito não apenas emite mensagens ou fala só do produto, mas participa da vida das pessoas, ativa movimentos, gera diálogo e constrói cultura junto com a sociedade.”
‘Garoto Bombril’ (Bombril/DPZ) — Eto Bastos, diretor de criação da Cheil Brasil

Eu comecei na propaganda quase por acaso. Sou formado em artes visuais e entrei em uma agência como montador de layout. Naquela época, meu universo era fazer arte, cortar, colar, montar protótipos e caixas — e eu adorava aquilo. Aos poucos, comecei a perceber que existia algo ainda mais interessante por trás de tudo aquilo: a criação. Passei a frequentar a criação no meu tempo livre, me aproximar dos criativos e tentar entender como uma ideia nascia e se transformava em comunicação.
A Bombril acabou sendo uma referência importante nesse processo porque mostrava que uma grande ideia não precisa de complexidade para ser poderosa. Acho que essa relação entre ideia, craft e execução continua muito presente na minha trajetória até hoje.”
‘Trouxe um Laka pra você’ (Lacta / W/Brasil) — Aline Noya, diretora-executiva de criação da Bullet

A campanha da Lacta ‘Trouxe um Laka pra você’ foi a brasinha que incendiou minha cabeça com a ideia de fazer propaganda. Mesmo que eu nem fizesse ideia do que isso significasse realmente. Me chamou atenção pelo roteiro (que eu chamava de história) e pela trilha certeira (que eu chamava de música e que era a mesma que tocava nas festinhas que a gente ia com o sonho de beijar). Essa referência carinhosa tá certamente aqui comigo e fica escancarada na intenção de sempre apresentar qualquer projeto que seja embalado por uma boa história.”
‘Formigas’ (Philco / F/Nazca S&S) — Elias Carmo, diretor de criação da Publicis Brasil

‘Formigas’, da Philco, criado pela F/Nazca S&S produzido pela Vetor Zero, foi um desses filmes. Uma ideia simples e divertida, com uma execução incrível para a época: formiguinhas se divertindo e literalmente voando com a potência do som. Tudo amarrado por um conceito que ficou na cabeça: ‘Isso não é um som. É um tapa na orelha.’
Quando descobri que o filme tinha ganhado um Leão de Ouro (categoria do Festival Internacional de Criatividade do Cannes Lions), aquilo me deu um clique: uma boa ideia podia vender um produto, entreter e ainda ser reconhecida criativamente.
De certa forma, é isso que busco até hoje: transformar um briefing em uma história que as pessoas realmente queiram ver. Menos propaganda, mais entretenimento.”
‘Formigas’ (Philco / F/Nazca S&S) — Sleyman Khodor, CCO e sócio fundador da Milà

Não é que depois desse comercial eu disse ‘vou fazer publicidade’. Mas ele foi um abre alas que, junto com vários outros grandes comerciais dos anos 90, me fizeram ter a certeza de que a criatividade vende. E daí foi um caminho sem volta. Tanto que hoje, 30 anos depois, é exatamente o que defendo todos os dias na Milà.”
‘Créu’ (Banco1.net/Propaganda Registrada) — Renata Leão, ECD da Droga5

Se banco é uma categoria difícil hoje, imagina 26 anos atrás. Ainda mais para vender algo impensável na época: um banco 100% virtual, sem agências físicas (muito antes do NuBank, C6, e por aí vai). A solução? Uma sitcom sobre uma galera, no dia a dia do trabalho (pensa que a série ‘The Office’ ainda não existia).
A campanha rendeu 7 filmes, onde cada personagem representava um tipo de cliente e, entre diálogos afiados, a campanha mostrava os diferenciais do banco. Enquanto quem assistia se divertia, entendia o produto de um jeito muito simples. Foi uma daquelas campanhas totalmente fora da curva que me fizeram pensar: ‘é isso que eu quero fazer da vida.’”



