A.C.Camargo e Senac criam capas para bolsas de ostomia
Projeto 'Bolsas Que Empoderam', realizado durante o Março Azul-Marinho, busca promover a autoestima e conforto a pacientes ostomizados
O cuidado com pacientes oncológicos envolve não apenas o tratamento clínico, mas também aspectos ligados à autoestima e à qualidade de vida. Pensando nisso, o A.C.Camargo Cancer Center e o Senac Lapa Faustolo desenvolveram o projeto 'Bolsas Que Empoderam', iniciativa que reuniu pacientes, equipe médica e estudantes de moda para criar capas funcionais para bolsas de ostomia.
A ação integra as atividades do Março Azul-Marinho, campanha de conscientização sobre o câncer colorretal. Durante o encontro, os participantes trabalharam no desenvolvimento de duas propostas de capas para bolsas de ostomia, com foco em conforto, funcionalidade e design.
Além da criação das peças, o projeto buscou ampliar a discussão sobre a ostomia e os desafios enfrentados por quem convive com o dispositivo. Estima-se que existam cerca de 400 mil pessoas ostomizadas no Brasil, segundo dados citados pela médica Paula Moura, do Centro de Referência em Tumores Colorretais do A.C.Camargo. “Esse é um assunto que a gente não pode deixar de falar e priorizar a qualidade de vida desses pacientes”, afirma.
A ostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma abertura no corpo para eliminação de resíduos, geralmente utilizado em casos de câncer colorretal e outras condições intestinais. Apesar de ser fundamental para o tratamento e para a sobrevivência de muitos pacientes, o uso da bolsa ainda é cercado por estigmas sociais.
No encontro, pacientes compartilharam suas experiências para orientar o processo de criação das peças. Tatiane Rodrigues, que participou da iniciativa, destacou o impacto simbólico do projeto. “Muito obrigada por mostrar que a gente pode ser fashion, chique, bonito e elegante. Com bolsinha, sim!”, brincou ela em tom de comemoração.
Outro participante, Humberto Monteiro, também relatou como a atividade contribuiu para ampliar sua percepção sobre o tema. “Algumas janelas se abriram na minha mente me mostrando que existe uma questão estética e de pertencimento”, acrescentou.
Para o Senac, a iniciativa também funcionou como uma experiência de aprendizagem aplicada para os alunos. “A gente já busca em sala de aula conectar os nossos alunos com problemáticas que sejam do cotidiano. Aqui, conseguimos promover e aprimorar uma intersecção entre a moda e a saúde”, afirma Fernanda Martines, coordenadora de Negócios Educacionais da instituição.
A professora Célia Fernandes, da pós-graduação em modelagem criativa do Senac, destaca que o desenvolvimento das peças evidenciou desafios importantes de ergonomia e design. “Percebemos que há um grande desafio na parte ergonômica e de design para criar um produto que una funcionalidade e estética, e que esse assunto precisa ser mais divulgado para acabar com o tabu”, diz.
Imagem do topo: divulgação