ABA lança guia sobre uso de dados e IA no marketing
Documento reúne diretrizes para anunciantes, agências e empresas de mídia
A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) lançou nesta terça-feira (13) o ‘Guia de Boas Práticas para Uso de Dados e IA no Marketing’, documento que reúne diretrizes sobre transparência, segurança, ética e governança no uso de inteligência artificial e dados no setor publicitário.
Desenvolvido pelos grupos de trabalho de inteligência artificial e de privacidade e proteção de dados da ABA, o guia foi elaborado em parceria com a VLK Advogados e conta com apoio de AlmapBBDO, Globo e Unilever.
A publicação aborda temas como princípios da LGPD aplicados ao marketing, publicidade programática, ecossistema de adtechs, uso responsável da inteligência artificial, mitigação de riscos e implementação de governança de IA voltada à publicidade.
Dados, LGPD e inteligência artificial
Entre as recomendações, o documento orienta que o uso de dados em ações de marketing seja guiado por finalidade específica, adequação, necessidade e transparência. Na prática, isso significa definir, desde o briefing, quais dados serão utilizados, para qual objetivo, por quanto tempo e com quais agentes da cadeia publicitária.
O guia também recomenda avaliar a base legal mais adequada para cada tratamento, com atenção ao uso de consentimento, legítimo interesse, cookies, publicidade direcionada, perfilamento e campanhas voltadas a crianças e adolescentes.
No campo da inteligência artificial, a publicação indica que anunciantes, agências, plataformas e fornecedores adotem controles proporcionais ao risco de cada aplicação. Entre os pontos destacados estão a revisão humana de conteúdos gerados por IA, a checagem de claims e direitos de propriedade intelectual, a mitigação de vieses e discriminação, a segurança de dados inseridos em ferramentas, a rastreabilidade de prompts, versões e aprovações, além da criação de fluxos de governança antes da veiculação de campanhas.
O guia também recomenda avaliar, caso a caso, quando o uso de IA deve ser comunicado ao público, especialmente em conteúdos sintéticos, avatares, vozes, imagens realistas ou interações automatizadas que possam gerar confusão sobre autenticidade.
Governança e projeção internacional
“O uso de dados tornou-se o verdadeiro combustível para a aplicação de sistemas de IA que já fazem parte das rotinas de criação, planejamento e compra de mídia dos anunciantes. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de garantir governança, com controles proporcionais aos riscos do uso da tecnologia, sejam regulatórios, reputacionais ou de confiança. E isso vai desde publicidade enganosa e discriminação algorítmica até violações de privacidade, direitos autorais e direitos de personalidade”, comentou Sandra Martinelli, CEO da ABA.
O documento também ganhará uma versão em inglês, que será disponibilizada pela World Federation of Advertisers em sua biblioteca global de boas práticas. A iniciativa permitirá o acesso ao conteúdo por 56 associações nacionais de anunciantes distribuídas em seis continentes.
A WFA representa mais de uma centena das principais marcas globais e concentra cerca de 90% dos investimentos publicitários mundiais, estimados em aproximadamente US$ 1 trilhão ao ano. A ABA integra o Executive Committee da organização internacional.
Imagem do topo: Divulgação