Com aquisições e investimento em IA, Publicis Groupe cresce 4,8% no segundo trimestre

Companhia fecha o período com receita de 4,5 bi de euros, com margem operacional recorde e crescimento nas principais regiões
Sede do Publicis Groupe, em Paris | Imagem: Divulgação

ÍNDICE

O Publicis Groupe iniciou o segundo semestre de 2026 com perspectivas mais otimistas para o restante do ano. Após registrar crescimento orgânico de 4,8% na receita líquida no segundo trimestre, acima dos 4,5% observados entre janeiro e março, a holding francesa revisou para cima sua projeção de crescimento para o exercício e reforçou a expectativa de manter a maior margem operacional do setor.

Os resultados, aprovados pelo Conselho de Administração em reunião realizada em 15 de julho, mostram que a companhia manteve desempenho consistente em praticamente todas as regiões onde atua, impulsionada principalmente pela demanda por serviços de marketing baseados em inteligência artificial, mídia conectada (Connected Media) e criatividade orientada por dados (Intelligent Creativity).

A partir desse desempenho, o grupo elevou sua projeção de crescimento orgânico da receita líquida para o ano fiscal de 2026, passando da faixa anterior de 4% a 5% para um intervalo entre 4,5% e 5%. A empresa também confirmou a expectativa de ampliar levemente sua margem operacional sobre os 18,2% registrados em 2025 (atualmente considerada a mais elevada da indústria) além de manter a previsão de gerar aproximadamente 2,2 bilhões de euros em fluxo de caixa livre.

Receita cresce impulsionada por IA

Entre abril e junho, a receita do Publicis alcançou 4,543 bilhões de euros, alta sobre os 4,322 bilhões de euros registrados no mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida atingiu 3,769 bilhões de euros, frente aos 3,617 bilhões de euros do segundo trimestre de 2025.

O crescimento orgânico da receita líquida foi de 4,8%, mesmo diante de um impacto cambial negativo de 60 milhões de euros. As aquisições realizadas pelo grupo contribuíram positivamente em 41 milhões de euros.

Os serviços de marketing impulsionados por inteligência artificial, que hoje representam 87% da receita líquida do grupo, cresceram 6,5% organicamente no trimestre. O desempenho foi liderado pelas operações de Connected Media, que avançaram em ritmo de um dígito alto, enquanto a área de Intelligent Creativity registrou crescimento de um dígito baixo.

Em contrapartida, a divisão de Tecnologia (responsável por 13% da receita líquida) apresentou retração orgânica de um dígito médio. Segundo a companhia, a desaceleração reflete um ambiente macroeconômico ainda incerto, que continua postergando projetos de transformação digital de grande porte e alto investimento por parte dos clientes.

Estados Unidos seguem como principal motor

A América do Norte manteve-se como principal mercado do Publicis. No segundo trimestre, a região apresentou crescimento orgânico de 5,4%, enquanto os Estados Unidos (responsáveis por 58% da receita líquida global) avançaram 5,5%.

Na Europa, o crescimento orgânico chegou a 5%, com destaque para a Europa Central e Oriental, que registrou expansão de 17,5%. França cresceu 4%, Alemanha avançou 3,1% e Reino Unido registrou alta de 2,8%.

Na Ásia-Pacífico, a receita líquida cresceu 2,6%, impulsionada principalmente pela China, que apresentou expansão de 7,5%.

A América Latina continuou sendo uma das regiões de maior crescimento da companhia, com alta orgânica de 11% no trimestre, sustentada pelo avanço de dois dígitos nas áreas de mídia conectada e criatividade.

O Oriente Médio e África, por outro lado, registraram retração de 8,3%, reflexo direto dos conflitos que afetam a região.

Primeiro semestre registra margem recorde

No acumulado do primeiro semestre, a receita líquida do Publicis atingiu 7,229 bilhões de euros, crescimento orgânico de 4,7% em relação aos 7,152 bilhões de euros registrados no mesmo período de 2025. A receita total chegou a 8,734 bilhões de euros, alta orgânica de 5,3%.

O grupo também alcançou uma margem operacional ajustada recorde de 17,5% no semestre, avanço de 17 pontos-base na comparação anual. O EBITDA somou 1,527 bilhão de euros, equivalente a 21,1% da receita líquida. Segundo a companhia, a melhora da rentabilidade foi favorecida pela maior eficiência operacional. Os custos com pessoal e profissionais autônomos recuaram para 66,7% da receita líquida, frente aos 67,6% registrados um ano antes.

Outro indicador destacado pelo Publicis foi a performance comercial. A empresa informou que o desempenho em novos negócios no primeiro semestre adiciona aproximadamente 200 pontos-base ao crescimento anual esperado, reforçando a confiança na manutenção do ritmo durante a segunda metade do ano, mesmo diante de uma base de comparação mais elevada.

Apesar do avanço operacional, o lucro líquido atribuível ao grupo caiu para 793 milhões de euros no primeiro semestre, frente aos 824 milhões de euros registrados em igual período de 2025. A redução foi influenciada principalmente pelo aumento das despesas financeiras e pela reavaliação dos pagamentos de earn-outs relacionados a aquisições. Em contrapartida, o resultado operacional avançou para 1,149 bilhão de euros, comparado com 1,102 bilhão de euros registrados um ano antes.

“Aproveitando a solidez do nosso balanço, realizamos aquisições em segmentos novos e de alto crescimento — como o setor de esportes, com a 160over90, e a cocriação de dados com a LiveRamp — para oferecer o que nossos clientes realmente precisam: capacidades conectadas e impulsionadas por agentes inteligentes, que lhes permitirão crescer, diferenciar-se e liderar neste mundo da IA. É assim que geramos valor para eles e é por isso que superaremos o desempenho do setor mais uma vez, pelo sétimo ano consecutivo”, disse Arthur Sadoun, Presidente do Conselho e CEO do Publicis Groupe, em nota.

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