Alessandra Souza: O borogodó e o molho da Omoda & Jaecoo
A nova diretora-executiva de marketing da Omoda & Jaecoo no Brasil fala sobre como passar o borogodó brasileiro para uma empresa chinesa
Fundada pelo Grupo Chery exclusivamente para exportação, a Omoda & Jaecoo avança no Brasil com um plano ambicioso de expansão. Presente em 64 países e com mais de 70 concessionárias em operação no Brasil, a montadora projeta ultrapassar a marca de cem lojas até o fim de 2026. Em meio a esse movimento, a companhia anunciou em março Alessandra Souza como nova diretora-executiva de marketing da operação brasileira. “Hoje, as marcas chinesas são vistas como marcas de inovação e qualidade. Isso abriu uma porta muito grande, mas o risco é virar tudo uma mesma chinesa”, reflete a executiva (ex-Stellantis) que, com mais de duas décadas de experiência no setor automotivo, fala ao propmark sobre liderança, cultura, branding e a missão de passar o borogodó brasileiro para uma empresa chinesa.
INÍCIO
Eu falo que nasci e fui criada na indústria automotiva. Arranjei uma vaga de estagiária na Peugeot em 1999, e aí mantive contato com essa indústria, que me deu muitas oportunidades. Comecei numa empresa que estava iniciando no país, que ia começar a sua fábrica no Brasil. Isso tem até um paralelo curioso com a Omoda, porque é exatamente o mesmo momento, de estar começando, de ter pouca gente, de precisar um pouco de tudo.
CARREIRA
A minha carreira foi sendo construída de uma forma muito multifacetada. Eu sou uma CMO, mas passei por muitas áreas de negócio. Trabalhei em treinamento, qualidade, fiz implementação de ISO 9000, fui para fazer qualidade na rede, implementar padrão de qualidade e entender todo o sistema de uma concessionária. Não só de vendas, mas de pós-venda, garantia e estoque. Entender o mercado de autos do ponto de vista de vendas, segmentação e estoque do mercado, conhecer onde a gente pode puxar informações para o negócio e todos os seus perrengues me trouxeram muito aprendizado. Eu tenho uma história profissional de CMO, mas eu sou uma CMO de negócio.
CHINA
Vir para a Omoda & Jaecoo, implementar essa minha visão de negócio mais perto do business, mais perto de todas as pontas de decisão e aprender uma outra cultura, são coisas que me empolgaram em trabalhar com outro país. Quando eu olhava para o futuro da minha posição, eu não estava entendendo o que o grande polo do mundo estava fazendo. Eu estava ficando distante desse ponto de contato, seja do ponto de vista de negócio, pensamento de empresa, organização de business, quanto do ponto de vista de marketing e estratégia de marketing. Esse ponto é a China.
OPORTUNIDADE
Eu me olhava na minha cadeira e falava que estava um pouco estagnada. Não porque não tinha projetos legais para fazer, mas porque, de alguma forma, eles não me traziam um desafio intelectual de business. Então, pensei: ou eu aprendo como essa indústria do futuro está funcionando e realmente entendo como essa cultura pensa ou eu fico para trás.
OMODA & JAECOO
Surgiu a oportunidade da Omoda & Jaecoo e eu me senti muito afinizada com a proposta da marca. Tem um pensamento estratégico muito forte aqui. A Omoda & Jaecoo é uma marca do Grupo Chery criada somente para exportação. Não existe Omoda & Jaecoo na China, por exemplo. Quando
eu fui dirigir os carros antes da entrevista, fiquei apaixonada pela tecnologia embarcada, pela dirigibilidade, pela câmera de ré. O nível de competitividade do negócio é tão extremo que eu falei: “não tem como isso não dar certo”.
Leia a íntegra da entrevista na edição impressa do dia 04 de maio.