Amy Gallo ensina a ter conversas difíceis no trabalho

Especialista alerta para a importância de transparência e honestidade em avaliações de performance profissional

A especialista em dinâmicas no ambiente de trabalho, Amy Gallo, comandou o painel ‘Why work feel so unfair and how hard conversations help’ na tarde deste sábado (14), terceiro dia do South by Southwest (SXSW), que ocorre em Austin, no Texas, até 18 de março de 2026, com mais de 600 sessões.

Percepções injustas levam a conversas difíceis. É preciso analisar o que faz as pessoas recuarem. Abordar pontos sensíveis é um desafio. Medo, insegurança ou ansiedade podem ser danosos para as relações. “Quando não encaramos momentos controversos criamos vácuos para visões distorcidas”, aponta Amy.

Para além de capacidades técnicas ligadas à função do profissional, a pressão sofrida por lideranças adiciona mais uma competência à agenda. “Se as chefias não tiverem segurança psicológica, como vão ter cuidado emocional com suas equipes?”, questiona Amy. Preparação e treinamento para tomar riscos é imprescindível. “Todos têm um papel. É preciso co-criar cultura. Conversas difíceis pressupõem conexões”, diz.

Uma das recomendações elencadas por Amy é “mude a sua definição de sucesso e fracasso. Há muito esforço aplicado às tentativas de apaziguar conflitos, e incômodos são crescentes. Não é possível controlar reações. Aceite que em algum momento você pode falhar”, comenta.

Os feedbacks demandam atenção. Identificar a situação, observar o comportamento, entender a intenção e medir o impacto da interação ajudam a assegurar clareza, objetividade e honestidade ao falar sobre a performance de um profissional.

“A pessoa precisa entender o motivo pelo qual está recebendo uma determinada avaliação. Pode ser que precise entender o seu papel na empresa, porque está prestes a ganhar uma promoção ou porque precisa mudar algo. Mas não distorça a realidade, mesmo por bondade”, avisa.

Amy Gallo em sessão no hotel JW Marriot: “Aceite que em algum momento você pode falhar” (Divulgação)

Transparência é imperativo para ancorar as consequências das decisões tomadas. Contribui para reduzir ambiguidades e informações equivocadas, fazendo com que as aceitem melhor os apontamentos feitos. “Assuma que o que você diz é menos transparente do que você imagina, e que está tendo uma conversa difícil”, adverte.

Aprimorar o controle emocional também entra na fórmula para garantir relacionamentos sadios. Amy propõe tomar distância da situação, agindo como um observador externo, a fim de reduzir reações impulsivas; exercitar “time travel” para tirar lições de experiências passadas; e reinterpretar situações a partir de perspectivas diferentes.

Praticar conversas difíceis pode encorajar as pessoas a expressarem opiniões de forma respeitosa. “Pode ser com amigos ou até no chuveiro”, brinca Amy. “Mostre-se receptivo ao feedback”, emenda.

Ela enumera algumas frases úteis para aliviar tensões: “Obrigado, vou refletir sobre isso”; “Isso não deve ter sido fácil de me falar, mas estou feliz por você ter dito”; “Quero ter certeza de que entendi. O que mais devo considerar?”; e “Há algo que você gostaria de dizer, mas não sabe como vou reagir?”. Ela ensina um truque: “Ao invés de feedback, peça um conselho. É mais fácil para obter uma resposta”.

A inteligência artificial acrescenta camadas de dificuldade. Pode minar ou corroer a confiança, priorizar eficiência e velocidade, perder a cordialidade e falhar ao construir relacionamentos. Para além das artimanhas da tecnologia, fica a certeza de que é preciso “reconhecer a complexidade de uma situação em vez de evitá-la”, conclui Amy.

Amy em painel da Globo na SPHouse
O jornalista Nilson Klava, da Globo, entrevistará Amy Gallo em painel que será realizado no dia 15 de março na SPHouse - iniciativa organizada pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, em parceria com InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, e o apoio da Prefeitura de São Paulo.

A sessão 'The uncomfortable now: Why hard conversations can’t wait' promete deixar um alerta sobre a importância de se encarar os incômodos criados por ideologias polarizadas.