Instituto Maria da Penha usa camisa da seleção para alertar sobre aumento da violência contra a mulher em dias de jogos

Criada pela Fbiz, a ação substitui o bordão 'Vai, Brasa!', estampado na gola do uniforme, por dados reais sobre feminicídio e violência doméstica no Brasil

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O Instituto Maria da Penha (IMP) lançou uma campanha de conscientização que utiliza a camisa oficial da Seleção Brasileira para chamar atenção para um problema que costuma se agravar durante grandes eventos esportivos: a violência contra a mulher. Criada pela Fbiz, a ação substitui o bordão ‘Vai, Brasa!’, estampado na gola do uniforme e amplamente debatido nas redes sociais, por dados reais sobre feminicídio e violência doméstica no Brasil.

A iniciativa surge em um momento em que o futebol domina as conversas dos brasileiros, especialmente durante a Copa do Mundo. O objetivo é aproveitar a visibilidade do tema para ampliar o debate sobre uma realidade que, segundo diferentes estudos e levantamentos, registra aumento nos índices de violência contra mulheres em dias de partidas de futebol, sobretudo quando o time apoiado sofre uma derrota. Para dar alcance à campanha, o Instituto enviou uma edição limitada de camisas personalizadas para artistas, influenciadores e criadores de conteúdo que participam da ação de forma voluntária. Entre os nomes envolvidos estão Lázaro Ramos, Romulo Estrela, Juvi Chagas, Ana Hickmann, Fernanda Motta, Celso Kamura e Pablo Loyo.

No lugar da frase original, as etiquetas das peças exibem estatísticas relacionadas à violência de gênero no país. Entre as mensagens apresentadas estão dados que apontam que uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas no Brasil, que mais de 66% dos casos ocorrem dentro da residência da vítima e que, em dias de jogos, os registros de ameaça e lesão corporal contra mulheres apresentam crescimento significativo.

Outras informações destacam que cerca de 80% dos feminicídios são cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas e que mais de 60% das mulheres assassinadas por razões de gênero no país são negras. A campanha também ressalta pesquisas que associam derrotas de equipes favoritas ao aumento dos registros de violência doméstica.

Além da ação com influenciadores, a campanha terá desdobramentos em mídia out of home (OOH) em 12 cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Fortaleza. A iniciativa também contará com ampla divulgação nos canais digitais do Instituto, ampliando o alcance da mensagem durante o período da competição.

“Durante muitos anos, a violência doméstica foi tratada como um problema que acontecia apenas dentro de casa. Mas a violência contra a mulher é uma questão que diz respeito a toda a sociedade. Se o futebol mobiliza milhões de brasileiros e brasileiras, ele também pode ajudar a mobilizar consciências. Precisamos aproveitar cada espaço possível para informar, sensibilizar e incentivar a denúncia. Nenhuma paixão, nenhum resultado de jogo e nenhuma emoção justificam a violência. Violência contra a mulher é crime e precisa ser enfrentada por todas as pessoas.”, afirma Maria da Penha.

“Quando vimos o país inteiro debatendo um termo na gola de uma camisa, entendemos que podíamos hackear toda essa atenção para colocar ali algo que realmente precisa ser discutido. Se é necessário costurar essa realidade em uma camisa que o Brasil inteiro reconhece como sua – para, finalmente, o País olhar para esse problema -, que assim seja. “, comenta Filipe Matiazi, VP de criação da Fbiz.

Imagem do Topo: Divulgação

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