Relatório Consumer Trends 2026, da Warc, analisa os principais fatores que devem impactar as decisões de compra dos consumidores
O Estadão, representante oficial do Cannes Lions no Brasil, informa que a Warc, empresa do mesmo grupo do festival, divulgou nesta quinta-feira o relatório Consumer Trends 2026, estudo que mapeia os principais fatores que devem influenciar as decisões de compra dos consumidores no próximo ano em diferentes categorias e mercados.
Baseado em pesquisas da GWI, além de estudos proprietários, cases e análises da própria Warc, o material identifica cinco tendências centrais que devem orientar a escolha de marcas em 2026. As conclusões foram organizadas a partir do framework proprietário Geiste e apontam para mudanças relevantes no comportamento de consumo diante de um cenário econômico e social em transformação.
Entre os movimentos destacados estão a migração dos consumidores para escolhas ligadas ao conforto em meio à incerteza prolongada; o crescimento do uso da inteligência artificial como companhia e suporte cotidiano; o aumento de restrições ao acesso de jovens às redes sociais; a reavaliação da percepção sobre marcas 'Made in China'; e a demanda crescente por autenticidade e transparência em conteúdos gerados por IA.
Stephanie Siew, Senior Research Executive da Warc, afirma: "O sentimento do consumidor em 2026 permanece frágil, moldado por pressões financeiras, turbulência geopolítica e uma necessidade crescente de escapismo, com os gastos migrando para pequenos confortos que tragam alegria. Marcas que conseguirem criar conexões emocionais vão prosperar, mas precisarão lidar com um maior escrutínio em relação à tecnologia, autenticidade e confiança para gerar impacto relevante. Nosso relatório anual de tendências do consumidor oferece uma visão mais ampla dos principais desafios enfrentados pela indústria sob a perspectiva dos consumidores, além de sugestões para ajudar as empresas a gerar mais impacto no próximo ano."
Segundo a Warc, essas tendências devem influenciar diretamente as estratégias de marcas e as decisões de gasto dos consumidores ao longo de 2026:
A incerteza impulsiona o consumo de conforto
Quase metade dos consumidores empregados (45%) teme pela segurança no trabalho, enquanto 33% afirmam estar economizando mais por causa das condições do mercado. Em meio à instabilidade econômica e tensões geopolíticas, 50% apontam o estresse financeiro como principal causa de infelicidade.
Nesse contexto, o consumo se torna mais intencional, com prioridade para compras que ofereçam bem-estar, lazer e pequenas recompensas de menor custo. Há interesse por viagens, mas fatores como segurança e alta nos combustíveis podem frear a demanda. Para as marcas, a oportunidade está em conectar ofertas ao conceito de “alegria acessível”, com produtos e experiências que entreguem conforto e valor percebido.

A IA redefine a companhia
Um em cada 10 consumidores no mundo afirma já ter se relacionado com um chatbot de IA, e 62% desse grupo dizem que buscariam conselhos pessoais na tecnologia antes de recorrer a um amigo. O uso da IA como companhia e apoio emocional cresce ao oferecer interações sem atrito e sensação de conexão, impulsionando categorias como brinquedos inteligentes e dispositivos voltados ao cuidado de idosos. Para as marcas, o avanço exige cautela, especialmente ao engajar públicos vulneráveis, como jovens, diante de riscos ligados à segurança e à saúde mental.

Desafios ao acesso de jovens às redes sociais
64% dos consumidores acreditam que as redes sociais são prejudiciais às crianças, enquanto 51% apoiam a verificação de idade nas plataformas. O avanço dessas preocupações tem impulsionado debates e novas restrições ao acesso de menores. Para as marcas, o cenário pode redirecionar investimentos para canais como streaming familiar, apps de mensagens e comunidades próprias. Com regras mais rígidas, cresce a importância de comunicar-se também com os pais, priorizando segurança, transparência e conformidade nas ações de marketing e influência.

Reavaliação do 'Made in China'
36% dos consumidores já veem aplicativos e produtos chineses como inovadores, enquanto 1 em cada 4 prefere comprar eletrônicos da China, atrás apenas de Estados Unidos e Japão. O avanço mostra que o 'Made in China' vem deixando de ser associado apenas a baixo custo, especialmente em tecnologia, automotivo e lifestyle. Para sustentar esse crescimento, marcas chinesas precisam reforçar confiança, qualidade e conexão emocional, enquanto concorrentes globais podem se apoiar em distribuição consolidada e conhecimento local.

A promessa e a ameaça da IA no conteúdo
85% das pessoas dizem que saber que uma obra foi criada por um humano a torna mais significativa, enquanto 78% consideram essencial identificar claramente conteúdos gerados por IA. O avanço da tecnologia tem ampliado debates sobre qualidade e ética, especialmente em setores como entretenimento e games. Apesar disso, parte do público reconhece ganhos criativos com a IA. Para marcas e plataformas, autenticidade e transparência seguem centrais, sobretudo em temas sensíveis como saúde, política e direito.

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