Bob Odenkirk: “É bom quando a indústria está em crise”
O ator e produtor disse que coisas boas acontecem quando as indústrias estão “desesperadas” e sempre é possível tirar vantagem disso
O ator Bob Odenkirk, conhecido principalmente por interpretar o advogado Saul Goodman nas séries ‘Breaking Bad’ e ‘Better Call Saul’, participou de painel no South by Southwest 2026, ao lado do time de direção e produção do longa ‘Normal’, em que interpreta o xerife Ulysses em uma cidade do Meio-Oeste americano. O filme é dirigido por Ben Wheatley e escrito por Derek Kolstad, com previsão de lançamento em abril deste ano.
Na apresentação, mediada pela editora sênior da Collider, Perri Nemiroff, eles falaram sobre os aspectos e desafios de produzir um filme de ação. Para o roteirista Derek Kolstad, uma boa história de ação precisa ter um storytelling forte e atores que realmente gostem do gênero. “A ação é uma extensão da jornada dos atores. Todos os atores são diferentes”.
Sobre a pressão para a produção de um filme e a dificuldade de captação de recursos atualmente na indústria do cinema, Bob Odenkirk, que também é roteirista, diretor e produtor, afirmou que, quando há uma crise, sempre é possível tirar vantagem. “Quando as indústrias estão desesperadas, coisas boas sempre acontecem. Então, sim, é bom quando a indústria está em crise. Você pode tirar vantagem disso”.
Indagados sobre o desafio de levar as pessoas de volta para o cinema, Kolstad destacou que o que mais gosta ao estar em uma sala de cinema, especialmente em produções de ação ou horror, é a experiência com a comunidade. “É muito bom ver a reação do público, é uma espécie de declaração quando o filme é satisfatório porque as pessoas vão dizer: ‘Você tem que ir ao cinema para ver esse filme’”.
Ben Wheatley ponderou que hoje o cinema luta contra a influência massiva da televisão. “A experiência de ver um filme no cinema é totalmente diferente. E o que me frustra muito é que nos últimos anos eu sinto que as críticas estão vindo de pessoas que estão assistindo às produções na televisão ou assistindo no monitor”. Por isso, segundo ele, pelo fato de hoje o telespectador poder assistir às produções em vários canais é preciso ser mais intencional do que antes.
“Você tem que construir uma experiência satisfatória para justificar os 16 dólares de uma pessoa ir para o teatro e nós pensamos nisso a cada passo. A ideia é atrair as pessoas para assistirem os filmes juntas”, completou o produtor Marc Provissiero.
Como não poderia faltar, a influência da inteligência artificial no universo do cinema também foi um dos pontos abordados no painel. Questionados sobre o melhor ou pior jeito que a tecnologia pode impactar as filmagens, Ben Wheatley afirmou que não há dúvidas que a IA pode ser a pior de todas.
Para Bob Odenkirk, as pessoas sempre vão querer ouvir histórias contadas por outras pessoas. “Isso é parte do storyteller. Pessoas emocionado outras pessoas. Não dá para imaginar um cenário em que uma máquina vai te contar uma história”.
O ator acrescentou que histórias devem ser bem contadas nos primeiros cinco minutos do filme para segurar o público. “Se você não conseguir chamar a atenção nos cinco, dez primeiros minutos da produção, esquece. Por isso, sempre digo para quando escritores querem me enviar um script para pedir opinião que enviem as primeiras 25 páginas. Porque se elas não funcionarem, não importa o que você tem na página 42”, destacou Odenkirk.