Participação foi muito parecida com a do ano passado; no total, país ganhou dois Yellow Pencils, 18 de Graphite e 22 Wood
No top 5 dos países mais premiados, o Brasil conquistou 42 Lápis no D&AD 2026, sendo dois Yellow Pencils, 18 de Graphite e 22 Wood. A participação foi muito parecida com a do ano passado, quando o mercado nacional recebeu 44 Lápis (havia sido inicialmente 46, mas depois o festival retirou dois Wood Pencils da DM9 devido a uso não declarado de IA no trabalho ‘Plastic Blood’).
O primeiro Yellow Pencil saiu para ‘18 Months’, uma coprodução da Jamute, Picma Creative Post, Zombie Studio com a agência Klick Health Toronto. A animação foi criada para a Second Nurture e aborda de maneira emocional o processo de adoção de um bebê encontrado numa estação de metrô por um homem gay. O case baseado numa história real também ganhou dois prêmios de Graphite e três Wood Pencils.
O segundo Lápis Amarelo foi para a campanha ‘Caption with intention’, inscrito pela Omnicom. O case teve o maior número de prêmios da lista brasileira, com um Yellow, oito de Graphite e três Wood Pencils.
Ganhador de dois Grand Prix no último Cannes Lions, o projeto criado para a Academia de Cinema e Artes Cinematográficas de Chicago usa a tecnologia para tornar produções cinematográficas mais inclusivas, dando ritmo às legendas e permitindo que pessoas com deficiência auditiva sintam as histórias com mais emoção.
Na comparação com a edição de 2025, as agências brasileiras tiveram menos destaque neste ano. Os trabalhos criados por produtoras nacionais com agências internacionais receberam o maior volume de prêmios.
Entre as agências, a Artplan ganhou dois Graphite Pencils com o trabalho ‘Nigrum Corpus’ para Idomed, em Art Direction e Health & Wellbeing. O case premiado com GP em Cannes no ano passado aborda o racismo estrutural na medicina brasileira mostrando como corpos negros são historicamente invisibilizados.
Já a AlmapBBDO conquistou um Graphite e um Wood Pencil com ‘Pedigree Caramelo’ (projeto criado para Mars), que venceu Titanium em Cannes. A campanha sobre adoção de cães viralizou ao transformar o vira-lata sem pedigree em uma raça reconhecida no Brasil. Foi premiada nas categorias Creator Content e Direct no D&AD 2026.
Em parceria com a Publicis Production São Paulo, a DPZ recebeu um Wood Pencil na categoria Experiential: Activation & Participation com o trabalho ‘Her Dome’ para o governo do estado de São Paulo. A Droga5 São Paulo ganhou um Wood em Commerce, com o case ‘Dirty Mouth Sponsorship’ para Unilever.
A Druid Creative, cujo CEO e fundador Claudio Lima foi presidente de júri em Gaming & Virtual Words do D&AD, conquistou dois Wood Pencils com ‘Doom Fryer’ e ‘Mind Player’ na mesma categoria. Os projetos foram criados para JBS Group.
Total de Lápis no festival
Nesta edição, realizada em Londres entre os dias 19 e 20 de maio, o D&AD distribuiu 573 Lápis em suas 46 categorias, sendo 52 Yellow; 149 Graphite; 368 Wood; dois White e dois Future Impact. Entre os países mais premiados, os Estados Unidos ocupam a liderança, com 235 Pencils; na sequência vem Reino Unidos (184); seguido pela França (59); Alemanha (45) e Brasil (42).
De acordo com a organização do festival, a categoria que teve o maior número de inscrições foi Culture, com 49% de crescimento. Mais de 50 mil peças de 89 países (recorde da história do D&AD) foram submetidas aos júris neste ano.
Os vencedores de Black Pencil – prêmio máximo do festival –, bem como as Empresas do Ano, serão revelados em setembro, em cerimônia de premiação específica.
O festival promoveu o evento ‘Yellow Pencils: why they won’, em que os presidentes de júri compartilharam os detalhes de suas decisões, explicando por que os trabalhos se destacaram e o que significa excelência criativa no mais alto nível. Os vencedores de Lápis Amarelo não foram convidados ao palco durante a apresentação, porém puderam retirar seus Yellow Pencils ao longo da noite.
Lisa Smith, presidente do D&AD e global chief design officer do Uncommon Creative Studio, ressaltou que a criatividade está “muito viva” e que os trabalhos provaram essa tese, levantada pela campanha do festival ‘Creativity: dead or alive”?
"O que mais se destacou foi a pura ousadia criativa e a excelência demonstradas. Em diversas áreas, vimos equipes explorando territórios verdadeiramente novos, desde a narrativa e o craft tradicional até tecnologias emergentes e novas formas de expressão. A criatividade está muito viva e os trabalhos vencedores elevaram o padrão de excelência criativa".
Já o novo CEO do festival, David Patton, disse: “Após 64 anos, os prêmios do D&AD nunca pareceram tão globais ou tão vitais. A diversidade de países participantes e a qualidade dos trabalhos produzidos revelam tudo sobre o futuro da criatividade comercial”, finalizou ele.
Vale lembrar que o festival da organização britânica sem fins lucrativos, focada em promover a excelência no design e na publicidade, tem fama de ser uma das premiações com rigor mais elevado para distribuir troféus.
O Brasil teve 14 jurados representando o país, sendo três presidentes de júri. Além de Claudio Lima em Gaming & Virtual Worlds, Dulcidio Caldeira (Boiler Films) presidiu os trabalhos em Production Design, e Gilvana Viana (MugShot) foi a presidente na categoria de Sound Design & Use of Music.
Veja abaixo os prêmios brasileiros:
