O episódio com o case ‘Efficient way to pay’, criado pela extinta agência DM9 para a Consul, cujo relacionamento foi encerrado após a cassação do Grand Prix na área Creative Data do Cannes Lions no ano passado, obrigou a Informa, acionista e organizadora do Festival Internacional de Criatividade, que este ano chega à sua 73ª edição, a reforçar seus critérios de avaliação. Isso ocorre para não deixar dúvidas sobre seu compromisso com a indústria criativa, que envolve plataformas, anunciantes, canais de mídia, agências de publicidade, produtoras e a cadeia de comunicação mercadológica.
Os principais executivos do evento, Philip Thomas e Simon Cook, reafirmam que o imbróglio exigiu tomada de decisão enérgica. No entanto, reafirmam a consolidação dos padrões de integridade que são guiados por três objetivos fundamentais:
1) Legitimidade. Cada inscrição deve representar um trabalho real, criado para clientes reais, com resultados reais. Sem fabricação, sem exagero, apenas um impacto genuíno que mereça reconhecimento;
2) Credibilidade. O trabalho deve demonstrar os mais altos níveis de profissionalismo, representação responsável e conexão autêntica com os objetivos de negócios. Celebramos a criatividade que impulsiona o progresso;
3) Integridade. Todos os participantes e jurados devem agir com integridade – aderindo às regras e se comportando de maneira que não prejudique a reputação do Cannes Lions ou do setor em geral.
Os pilares enfatizam que o modelo ghost não é bem-vindo, nem com a pecha de concepção autoral. Apesar de o caso DM9gate não ser exclusivo do mercado brasileiro, o Cannes Lions se defende. Cook afirma que a introdução de Padrões Globais de Integridade teve como objetivo definir a responsabilidade criativa para uma nova era.
“Uma era definida não pelo que a criatividade pode fazer, mas pela capacidade dos sistemas que a cercam em toda a indústria de sustentar seu valor, verificar suas alegações e manter sua integridade. Vemos isso como um ponto de virada, uma evolução estratégica e mais um momento em nossa história para progredirmos coletivamente. Vale a pena reiterar ao mercado brasileiro que este é um movimento global e esperamos que toda a nossa comunidade se comprometa com ele à medida que avançamos juntos”, detalha Cook, CEO do Cannes Lions.

Nas palavras do chairman Philip Thomas, as medidas tomadas pelo Cannes Lions fomentam a criatividade de diversas maneiras: celebrar a excelência, reunir pessoas e nutrir a próxima geração de talentos criativos.
“Os Lions Awards – com mais de 70 anos de história – continuam sendo o cerne de tudo o que fazemos. Em Cannes, o Palais é o coração pulsante do festival e a sede da premiação. É onde você pode mergulhar completamente nos trabalhos mais excelentes, eficazes e inspiradores do mundo por meio de cerimônias de premiação dedicadas e exposições físicas que servem como catalisadores para a criatividade e a inspiração. Em todos os nossos palcos, organizamos palestras práticas e sessões de ‘como fazer’ que celebram o artesanato, a criação e os criadores”, enfatiza Thomas.

Cook acrescenta falando sobre a relevância que o evento tem para o público, afinal em 2025 foram cerca de 13 mil delegados. “Cannes Lions une as pessoas. Todos os anos, reunimos mais de 300 jurados internacionais presencialmente para discussões e debates que estabelecem o padrão global de excelência criativa. Por meio de iniciativas como nossas competições Young Lions, a Roger Hatchuel Student Academy e nossas Academias de Aprendizagem, cultivamos a próxima geração de talentos, que aproveitará a criatividade humana e as novas tecnologias para alcançar feitos nunca antes vistos. Nossas bolsas de estudo e programas totalmente financiados permitem que comunidades internacionais se unam e participem de uma experiência centrada no ser humano que inspira, educa e conecta a comunidade criativa global.”
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 15 de junho.
Imagem do Topo: Ale Oliveira



