Cocielo: 54 caracteres, 50 mil tuítes apagados e várias marcas a menos

Um total de 54 caracteres. Foi o que bastou para o youtuber Júlio Cocielo entrar numa espiral de muitas críticas e poucos contratos. Um post no Twitter gerou revolta em internautas e pressão às marcas que atuam ou atuaram com ele. Itaú, Coca-Cola, Adidas, Submarino e Asus  já se manifestaram sobre a polêmica e sinalizaram que não trabalhariam mais com o jovem.

Cocielo em vídeo postado em seu perfil no YouTube, o CanalCanalha

No último sábado (30), Cocielo postou que “Mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia hein”. Segundo Cocielo, a mensagem era sobre a velocidade de Kylian Mbappé, por causa de uma arrancada contra a Argentina, que terminou com a vitória da França por 4×3 e classificou a equipe para as quartas de final da Copa do Mundo. O post repercutiu muito durante o final de semana nas redes sociais, principalmente no Twitter.

Quase imediatamente internautas o acusaram de racismo e questionaram marcas que o patrocinam ou já patrocinaram. Diante da repercussão negativa, ele se desculpou no mesmo dia, mas suas redes sociais e as de anunciantes já haviam sido tomadas por críticas. 

“Apaguei porque meu negócio não é ofender. Não citei nada além da velocidade dele devido ao lance do jogo, não quero treta, só deixei pra lá porque não era esse o sentido e não quero levar isso além. É isso. Não quero que confundam as coisas”, escreveu. Ele apagou essa justificativa e fez uma nova, que é o único post em seu Twitter.

Post de desculpas (leia a íntegra abaixo) é o único que permanece no perfil de Cocielo no Twitter

“Bom, vamo lá! Hoje eu fiz um tweet sobre o Mbappé e a piada se referia a velocidade dele devido a um lance do jogo, nada além disso! O tweet foi interpretado de mil formas diferentes e gerou uma grande discussão. Decidi deletar pois nunca fui de entrar em polêmicas, mas já era tarde demais, tinha tomado uma proporção enorme… pegaram alguns comentários antigos, de uns 8 anos atrás, que eu já havia feito aqui no Twitter, tenho até vergonha! Cara, como eu falava m… Na época esses comentários infelizes tinham uma interpretação totalmente diferente de hoje, um momento delicado. Muitas vezes fui irônico, muitas vezes estava zoando amigos, muitas vezes só queria ser o engraçadão, e são coisas que eu nem lembrava ter escrito… De qualquer forma, não existe justificativa, isso fez eu me sentir muito mal só de imaginar ter sido uma pessoa escrota. Arrependido e aprendido! Lição pra vida! Nunca mais se repetirá! Peço desculpas publicamente por ter ofendido inúmeras pessoas, e como eu sempre digo: meu sonho sempre foi alegrar e motivar todos a acreditarem nos próprios sonhos. Magoar alguém nunca foi minha intenção, quem conhece minha história e convive comigo, sabe como eu sou, e que eu jamais agiria desta forma! Vivendo e aprendendo! Não vou entrar em nenhuma discussão, assumo meu erro! Desculpa!”

Menos parcerias

Aos 25 anos, ele já trabalhou com marcas como Adidas, Coca-Cola, Gillette, Itaú, Submarino e Tic Tac. Questionadas se “apoiavam o racismo” e se continuariam com uma pessoa “racista”, algumas já sinalizaram que não trabalhariam mais com ele.

O Itaú removeu um vídeo em que o youtuber aparecia e afirmou que ele não está em nenhuma peça de comunicação da campanha. “O youtuber citado não faz mais parte de qualquer peça de comunicação de nossa campanha. Reforçamos que o Itaú repudia toda e qualquer forma de discriminação e preconceito. Esperamos que o respeito à diversidade sempre prevaleça”, escreveu.

A Adidas, marcada em posts recentes do influenciador digital, decidiu interromper a parceria. “A adidas é uma marca que repudia todo e qualquer tipo de discriminação. Portanto, decidimos suspender a parceria com o youtuber Júlio Cocielo”, informou a empresa.

Tambem em nota, a Coca-Cola explica que teve alguns contratos pontuais com ele, como nos Jogos Olímpicos, mas não trabalha com o youtuber desde 2016. A marca afirma ainda que não tem vínculo com ele nem planos para novos contratos.

“O respeito à diversidade é um dos principais valores da nossa companhia. Em nossas campanhas, celebramos as diferenças e promovemos a união. Manifestações preconceituosas não são toleradas. Repudiamos qualquer forma de racismo, machismo, misogenia ou homofobia. Atualmente, não temos qualquer ligação com Julio Cocielo e também não temos planos para futuras parceria”, diz o texto.

No domingo (1º), o site Submarino afirmou que “repudia veementemente qualquer manifestação racista e que tomará as providências necessárias.” Nesta segunda-feira (2), a marca ressaltou o que havia escrito, explicou a relação com o youtuber e as medidas tomadas. “Submarino repudia veemente qualquer manifestação racista. A marca esclarece que contratou uma agência de publicidade para realização de campanha pontual com influenciadores, dentre eles o Cocielo, e a campanha já foi retirada do ar”, explica.

A Asus, que recentemente fez uma campanha com o youtuber, também respondeu. “A Asus afirma que é contra qualquer manifestação preconceituosa. Julio Cocielo participou da campanha do Dia dos Namorados, que já foi encerrada. Nesse momento, a marca não possui nenhum vínculo com o youtuber.”

A Pepsico Brasil, detentora das marcas Ruffles, Lay’s e Drinkfinity, também afirmou que não tem nenhuma ação em andamento com o influenciador. Em nota, a empresa diz “que repudia veementemente qualquer tipo de preconceito ou discriminação, seja ela racial, por gênero, cor, orientação sexual, religião, ordem, idade, deficiência ou condição social”. “Para nós, respeito à diversidade, dentro e fora da companhia, é um valor primordial é que está em nosso DNA”, afirma o texto.

Diante de resgastes de vídeos de 2016 envolvendo o influenciador e o McDonald’s, a rede de fast food também de posicionou e esclareceu que não havia relação comercial entre as partes.  “O McDonald’s nunca teve nenhum tipo de relação contratual com o Júlio Cocielo que sempre produziu conteúdo espontâneo sobre a marca”, fiz a nota.

Passado “apagado”

O post que gerou toda a reação não foi o único apontado como prova contra o youtuber. Seu histórico no Twitter reunia mais de 81 mil comentários. Mas cerca de 50 mil foram apagados em menos de 24 horas. Mesmo assim, internautas resgataram posts antigos com mensagens contra negros, mulheres, homossexuaise idosos, e os registros continuam circulando.

 

E Cocielo não é o único que está perdendo ou pode perder parcerias. A crise com sua imagem parece respingar em sua esposa, a também youtuber Tata Estaniecki. Ela tem sido criticada nas redes e apontada para marcas como alguém para não patrocinar. 

Um dos posts recentes dele no Instagram é com a esposa para a Foster Premium, marca de ração. Após uma série de mensagens questionando o apoio ao casal, o anunciante fechou os comentários em seu perfil.

Danilo Strano, diretor de planejamento da agência TubeLab, responsável pelo planejamento da marca, também se manifestou sobre o caso. A Foster fez um trabalho pontual com Cocielo e sua esposa, cuja foto foi removida a pedido do anunciante.

“É uma empresa que está há menos de um ano no cenário digital e está procurando diversos parceiros que têm identificação com os valores da marca. Todos estes influenciadores digitais estão sendo constantemente avaliados e acompanhados para, caso haja algum posicionamento contrário aos valores da marca, as parcerias serão imediatamente suspensas”, diz.

 

mano, seloco, agora a lagosta tá P A T R O C I N A D A e não é qualquer coisa, é simplesmente a ração preferida dela. é o orgulho da família mesmo né?! puta cachorrinha incrível HAUHAUHAUAHAUAH to matando saudades da @tata, mas morrendo de saudades da nossa filha 🙁 obrigado @fosterpremium, na próxima a gente vai querer a lagosta no pacote da ração também hein, é nóis 😂🖤

Uma publicação compartilhada por Júlio Cocielo (@cocielo) em 25 de Jun, 2018 às 10:42 PDT

 

PROPMARK procurou Cocielo, mas sua assessoria de imprensa disse que ele não vai se manifestar mais a respeito, além do que está em seu perfil no Twitter.

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