Agências discutem novos desafios em ambiente que precisa diferenciar mídia tradicional de publis saturadas e conteúdo criado com IA
Para as agências, a dicotomia entre branding e performance é uma visão ultrapassada no marketing de influência. Nesse sentido, nem toda ação de um creator precisa performar no curto prazo, mas toda ação precisa gerar valor. O mais desafiador ainda é mensurar o impacto de longo prazo, especialmente em quesitos como construção de marca, afinidade e influência real na decisão de compra.
Esse exemplo se dá, na prática, quando se percebe que a jornada não é linear, como quando alguém vê um reel no Instagram, não compra na hora, mas volta à busca duas ou três semanas depois, comprando por um link diferente. A influência acontece, mas o modelo de atribuição não captura isso. Algumas agências já trabalham com pesquisa de brand lift, enquete de origem de cliente e análise de comportamento de busca para tentar fechar esse gap.
Thiago Bispo, presidente da BR Media, fala sobre como o cuidado maior é não cair nesta armadilha de medir influência com a mesma lógica que se mede mídia tradicional: “Quando você tenta avaliar influência só por métricas diretas de performance, você acaba capturando só o final da jornada e perde justamente o que mais gera valor, que é a construção de percepção, desejo e confiança ao longo do tempo. O creator entra com capital social, ativa comunidades e constrói uma relação que não é imediata nem linear”, afirma.
“Então o equilíbrio entre branding e performance não está em separar os dois, mas em entender como eles se complementam dentro da jornada. Precisamos mensurar exatamente essa camada mais profunda: o quanto uma estratégia de influência desloca a percepção de marca, gera pertencimento e influencia decisão de compra. E esse é o ponto em que o mercado ainda está evoluindo, que é sair de uma leitura tática de campanha e ir para uma leitura mais completa de construção de valor”, comenta Bispo.
O Creator 360, lançado pela agência, de acordo com Bispo, não transforma creators em mídia, mas transforma a mídia em um vetor de expansão do capital social.
“Em vez de tratar o criador apenas como inventário, preservamos sua autenticidade e potencializamos seu impacto por meio de uma arquitetura de distribuição crossmedia, unindo o social, o digital e a mídia proprietária. A novidade introduz um modelo de operação no qual a influência é a origem e a mídia é o acelerador. Isso permite que as marcas superem a incerteza do alcance orgânico e passem a operar com entrega garantida, otimização contínua e mensuração precisa, sem abrir mão da potência cultural que só o creator consegue gerar.”
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 04 de maio.