De respostas erradas a ameaças financeiras, Michelle Lee aponta os riscos da IA
Michelle Lee foi a primeira mulher a liderar o Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO) em mais de 200 anos de história
Michelle Lee, fundadora e CEO da Obsidian Strategies (“Arquitetos de Estratégias Impulsionadas por IA”), apresentou o painel ‘Real-world impact of AI: Opportunities, risks and intellectual property oh my!’ na manhã desta terça-feira (17), sexto dia do South by Southwest 2026 (SXSW), que ocorre em Austin, no Texas, até amanhã, com mais de 600 sessões.
“A inteligência artificial está mudando a tecnologia da nossa geração, viabilizando tarefas complexas em tempo real time. O desafio é encontrar oportunidades com ética e transparência”, diz a executiva da consultoria especializada em orientar empresas, conselhos de administração e governos na implementação de estratégias de inteligência artificial e governança.
Ela é reconhecida no setor de tecnologia por uma carreira que une computação, direito e liderança governamental. Assumiu como diretora do Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO) na edição de 2015 do SXSW, empossada pela Secretária de Comércio dos EUA, Penny Pritzker. Michelle foi a primeira mulher a liderar a agência em mais de 200 anos de história.
Atuou também como vice-presidente da Amazon Web Services, onde liderou o Machine Learning Solutions Lab e os negócios de Visão Computacional, e como vice-consultora geral e chefe de estratégia de patentes do Google. Hoje opera como estrategista de IA voltada para potencializar resultados, entender riscos regulatórios e preparar empresas a lidar com as mudanças no ambiente de negócios. Saber diferenciar IA de machine learning é uma das premissas.
“Machine learning fornece subsídios para amplificar a performance humana com IA”, diferencia Michelle. Ela cita o exemplo da Akool, plataforma de IA generativa especializada em marketing e experiências visuais, que em parceria com o Harvard Art Museums criou uma experiência de IA interativa baseada no quadro Pompadour at Her Toilette (1750), de François Boucher, que faz parte do acervo de Harvard.
A tecnologia foi utilizada para animar a pintura, transformada em um avatar que reproduz feições humanas em conversas. A estratégia valorizou a experiência, respeitando a ética e a integridade do material original. Na esteira do avanço de modelos de linguagem está a criação de filmes e vídeos, que elevam a capacidade da indústria da comunicação em produzir campanhas em escala.
Exemplos vêm dos setores de alimentação, seguros, e-commerce, ciência, moda e pagamentos. A marca de moda Zelig melhorou a sua experiência de compra ao permitir que as pessoas provem peças virtualmente. “Todos têm chances de aprimorar os seus negócios com a IA. Mas há riscos”, avisa.
Um deles é a possibilidade de se receber respostas erradas. Michelle cita ainda as ameaças vindas da deep fake, que em questão de minutos pode seduzir as pessoas com inverdades. As imagens que circularam em 2023 com o então papa Francisco vestido com um casaco puffer branco evidenciam os perigos de imagens distorcidas para marcas e governos. “Há consequências graves para o sistema financeiro”, acrescenta.
A preocupação ética é premente, e incide em discriminações e na reputação das empresas. A preservação da propriedade intelectual e das patentes levanta outro receio latente, pois “as leis estão se movendo”, aponta. O debate sobre padrões de originalidade é tão premente quanto as incertezas relacionadas à confidencialidade de informações e à regulamentação e privacidade de dados.
Michelle sugere que as empresas selecionem aplicações adequadas de IA; tracem um plano de dados capaz de suportar a estratégia de negócios; tenham especialistas trabalhando lado a lado; preparem sua força de trabalho para extrair as potencialidades da IA; entendam o cenário de leis; monitorem possíveis ameaças; e fomentem a cultura corporativa. “Inovação é um processo. Mas comece já. Do contrário, terá de enfrentar concorrentes em vantagem na competição”, avisa.