propmark 61 anos: ‘Copa do Mundo nunca é só mais um evento’, diz Galvão Bueno
Em sua 14ª Copa, o narrador, empresário e apresentador fala ao propmark sobre a continuação de sua trajetória e crava: o Brasil será campeão
Um vendedor de emoções. De verdade, com responsabilidade e sem perder a dimensão do fato. Assim, Galvão Bueno, de 75 anos, principal narrador esportivo do Brasil, define seu papel. Na Copa do Mundo deste ano vai liderar as transmissões da Fifa no SBT e na N Sports. Será sua 14ª Copa e ele espera ver o país campeão. Em seu período de Rede Globo, onde ficou por cerca de 43 anos, com 13 Copas e 600 corridas de Fórmula 1, o Brasil foi campeão do mundo em duas delas (1994 e 2002). Ele não se considera um influencer e admite que não tem metodologia para seus famosos bordões. E dá valor à publicidade: “Trabalhei de perto com grandes profissionais e sei a qualidade que existe aqui. Eu sou da época de nomes como Washington Olivetto, Nizan Guanaes e tive o privilégio de conhecer e até ser amigo de alguns deles. O Brasil tem talento demais nessa área”. Confira sua entrevista.
Qual a sua expectativa para a Copa do Mundo de 2026 após estar presente em 13 dessas competições desde 1974?
Copa do Mundo nunca é só mais um evento. Essa agora vai ser a minha 14ª Copa do Mundo. E posso dizer que cada uma tem uma história, um momento que a seleção está vivendo. Eu tive o privilégio de narrar dois títulos do Brasil, momentos que marcaram a minha vida e a história do nosso futebol. E 2026 me desperta a mesma expectativa. Eu sempre digo que das 22 edições que já existiram, 4 países sozinhos já venceram 16 títulos: Brasil com 5, Itália com 4, Alemanha com 4 e Argentina com 3. Então não dá para não considerar sempre essas seleções como favoritas. Eu acredito que o Brasil tem, sim, chances de ir longe.
No rádio, a voz é essencial. E você passou por esse meio. Mas num canal de mídia que exibe imagens, qual a importância da locução para chamar a atenção do telespectador para o conteúdo exibido?
Eu sempre digo que eu sou um vendedor de emoções. Meu papel em uma transmissão é passar para o telespectador toda emoção que aquele jogo pode proporcionar. Às vezes a câmera mostra um detalhe e o narrador ajuda o telespectador a entender por que aquele detalhe importa. Uma boa narração não descreve o óbvio. Ela enriquece o espetáculo. Mas, ao mesmo tempo, me sinto também como um equilibrista. Não posso deixar de me ater à realidade dos fatos. Estou sempre andando no fio da navalha, dosando a emoção com o que de fato está acontecendo.
O que você usa como métrica para atrair e cativar a audiência?
Eu nunca pensei a comunicação por fórmula. Sempre pensei por conexão. O público percebe quando há verdade, quando há emoção real, quando há informação e quando há paixão. A minha “métrica” sempre foi sentir se eu estou levando o torcedor para dentro do acontecimento. Se ele está vibrando comigo, sofrendo comigo, sentindo-se parte daquele momento. Porque audiência não se conquista gritando mais alto. Se conquista gerando identificação.
O locutor endossa o envolvimento das marcas com o público?
Sem dúvida. Comunicação é confiança. E quando há credibilidade, a mensagem ganha força. A emoção aproxima. E a marca quer isso: conexão. Quando a comunicação é autêntica, ela potencializa o vínculo entre marca e público.
O testemunhal no rádio exigia credibilidade. Na TV acontece o mesmo?
Mais ainda. Porque na televisão, além da voz, há a imagem. As pessoas estão vendo você. Credibilidade é tudo. Sem credibilidade não existe comunicação duradoura, nem no jornalismo, nem no entretenimento, nem na publicidade.
Os bordões ajudam na fidelização do público e também das marcas?
Acredito que tudo isso cria uma memória afetiva. Acabou entrando na cultura popular. Eu nunca trouxe um bordão de casa, mas, ainda assim, quando uma expressão entra na cultura, ela passa a ter valor também para as marcas. Porque marca gosta de reconhecimento, de lembrança, de repertório emocional.
Esses bordões são criados naturalmente ou há equipe por trás?
Eu vou te contar que nunca pensei em criar nenhum bordão. Foi tudo sempre natural. Eu nunca sentei numa mesa para dizer “vou inventar um bordão”. Eles surgiram porque o jogo pediu. Porque a emoção pediu. E talvez seja por isso que ficaram. “Sai que é tua” foi porque naquela angústia do jogo o Taffarel não saía do gol. “Quem é que sobe?” foi um jogo contra a Inglaterra, na Copa do Mundo, na emoção de uma bola aérea. “É teste pra cardíaco” então nem se fala, é exatamente o sentido da frase, surgiu em um momento de emoção extrema. E tudo isso ficou e foi sendo repetido não só por mim, mas pelas gerações seguintes. Hoje ainda é muito bacana ver que até crianças que não viveram a Copa de 1994, por exemplo, usando o “É tetra” pra comemorar alguma conquista.
Leia a íntegra da entrevista na edição impressa do dia 18 de maio.
Imagem do Topo: Rogerio Pallatta/Divulgação SBT