Para executivos, gestão interna não elimina o papel das agências, mas traz maior especialização

Alessandra Visintainer, da GUT, acredita que a IA pode agilizar feedbacks, permitindo aos clientes serem mais precisos nas suas avaliações

A velocidade das mudanças tecnológicas, somada aos desafios de transformação da sociedade como um todo, faz e, corretamente, provoca a pergunta: o que posso ou o que posso fazer diferente neste momento? A indagação do executivo Luiz Fernando Musa, CEO da Ogilvy e fundador da David, faz sentido para a indústria da comunicação como um todo devido às demandas de respostas cada vez mais rápidas para o envolvimento dos consumidores com as marcas, seus  produtos e seus serviços. As dúvidas buscam certezas na era sprint que, porém, aceita correções de rota sem sentimento de culpa por decisões aparentemente corretas.

Musa enfatiza ser legítimo afirmar que qualquer anunciante - ou mesmo as agências - está buscando a melhor forma de operar e agregar valor. “Temos a capacidade de nos perguntar se há necessidade de estarmos apegados a este ou aquele modelo e entender o que é possível fazer hoje. Nada carrega também o peso do definitivo ou de uma forma que será a correta num prazo maior. A capacidade de adaptar e continuar adaptando e questionando é o ponto”, pondera Musa que, no entanto, acredita que a inteligência artificial afeta a relação das agências com as marcas.

“Se entendermos que uma agência é um parceiro estratégico do negócio e do resultado, este questionamento é nosso também, em saber como fazer a diferença, quais os outputs estamos trazendo e como estamos tangibilizando esta relação/parceria. Sim, a IA como pilar estratégico, de eficiência, de performance, de transformação também social, econômica e comercial cria a necessidade completa de avaliarmos e seguirmos avaliando enquanto tudo vai se transformando. É muito mais um movimento contínuo do que a busca por uma resposta correta e definitiva.”

A crença era que a IA traria para dentro das empresas o que a inteligência real faz, mas não basta usar o ChatGPT para criar um texto, observa Daniel Alencar, da Pupila (Imagem: Freepik)

O CEO da Ogilvy considera precoce uma visão otimista para o contraponto entre internalização x centralização. “A busca é pelo modelo que mais te serve neste momento, qual é mais adequado, qual é mais relevante para o cenário de hoje. E amanhã pode ser outra decisão ou uma revisão. A pergunta é mais qual parceiro preciso nesta jornada ao meu lado. Qual tem ou terá mais instrumentos e a capacidade de adaptação necessária. Quem me ajuda a pensar e questionar e com quais ferramentas. Acho que precisamos sair da fase de buscar mais respostas e certezas e olhar para quem me ajuda a pensar e questionar. Saindo do ‘ponto final’ para a ‘interrogação’. Frases mais curtas e decisões mais rápidas e assertivas com a capacidade de mudar e ajustar”, explica Musa.

Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 27 de abril.