Google remove 374,8 mi de anúncios indevidos no Brasil

Pelo segundo ano, big tech divulga dados de anunciantes indevidos

Desde o ano passado, o Google apresenta o relatório de segurança em anúncios com dados específicos do Brasil. Os documentos, que se referem ao ano anterior, reúnem números de anúncios removidos, bloqueados antes mesmo de serem exibidos e restritos, além de outras informações, como categoria de violação e número de anunciantes irregulares. No relatório referente a 2025, 374,8 milhões de anúncios foram removidos de páginas na internet no Brasil. Em 2024, foram mais de 201 milhões de anúncios retirados do ar.

No recorte global, foram bloqueados ou removidos mais de 8,3 bilhões de anúncios e suspensas 24,9 milhões de contas, incluindo 602 milhões de anúncios e 4 milhões de contas associadas a golpes. Já no Brasil, no mesmo período, o número de contas de anunciantes bloqueadas foi de 1,3 milhão.

Nesse contexto, Priscila Couto, líder do programa de trust and safety do Google, explica que a fiscalização inclui anunciantes internacionais que miram o público brasileiro. Segundo a executiva, esse é um dos motivos para o país passar a receber relatórios específicos desde o ano passado: “Não necessariamente o anunciante está no Brasil direcionando para a audiência brasileira. Se ele está em Taiwan, se ele está nos Estados Unidos, se ele está na França, mas ele quer que o seu anúncio seja visualizado pela audiência brasileira, ele vai estar sujeito às nossas regras e a gente vai fazer essa fiscalização e esses números vão constar no nosso relatório.”

Priscila Couto, líder do programa de trust and safety do Google | Imagem: Divulgação

Segundo o relatório, 99% dos anúncios violadores são bloqueados antes de serem exibidos. Para sustentar esse aparato de fiscalização, a plataforma utiliza o Gemini. Em seu funcionamento, Priscila conta que existem os “sinais”. Ela explica: “Vamos olhar sinal gráfico, sinal de escrita, avaliar tudo isso porque a gente está utilizando modelos de LLM que são cada dia mais poderosos. Você consegue pegar uma série de sinais que, a olho nu, talvez a gente não identificasse e, com esse contexto, entender se aquilo é ou não um falso positivo.”

No mesmo contexto de uso de IA, Keerat Sharma, vice-presidente e diretor-geral de privacidade em anúncios e segurança do Google, reforçou o papel do Gemini no combate à publicidade incorreta: “Nos auxilia a analisar a real intenção dos anunciantes. Nós registramos uma redução de 80% de suspensões incorretas de anunciantes. Com isso, temos mais tempo disponível para os humanos fiscalizarem esses casos que não são totalmente claros.”

Já no campo das políticas, Priscila também esmiúça os detalhes da atuação da big tech. Para ela, em analogia direta ao cuidado de uma casa, as políticas internas do Google funcionam como uma camada adicional à legislação do país: “Dentro da nossa casa, além de nós adotarmos e cumprirmos toda a legislação em vigor do Brasil, a gente também cria regras próprias, como não andar de sapato dentro de casa, não fumar dentro de casa, porque a gente quer ali uma relação mais saudável e melhor para todos que convivem dentro daquele espaço.”

Como regras mutáveis, a executiva reforça: “As políticas não são estáticas. Elas são dinâmicas. Elas vão mudar porque a legislação alterou, foi criada, porque houve algum avanço dentro da tecnologia ou mesmo algum clamor social.”

Essa dinâmica também se reflete na análise das denúncias, que, segundo a executiva, são todas revisadas. “As pessoas sempre acreditam que não adianta denunciarem anúncios na nossa plataforma. Eu sempre bato na tecla que sim, que é importante que elas denunciem e que essas denúncias são sempre revisadas por nós. Não existe hipótese de uma denúncia entrar num limbo.”

A executiva reforça a importância desse processo contínuo. “Até porque alguma coisa pode passar despercebido por nós. E pode passar não porque simplesmente foi um erro nosso, mas porque os maus atores utilizam técnicas dinâmicas e, uma vez que a gente entenda que é de fato golpe, aquilo vira uma regra para todo o nosso sistema.”

Na finalização da coletiva, Priscila afirmou: “Vamos conseguir chegar a 100%? Não, porque estamos falando de ser humano, e o ser humano é a criatura mais criativa do universo. É uma eterna briga de gato e rato. O fraudador também sofistica. Aprendemos com ele e assim vamos.”

Nas tabelas desta matéria, é possível conferir, por categoria, os cinco tipos de violações mais recorrentes, detalhando o cenário apresentado: infrações ligadas aos anúncios, quando o problema está no conteúdo ou na conduta do anunciante, e violações relacionadas aos editores, quando a irregularidade está no ambiente em que esses anúncios são exibidos.

Imagem do topo: Unsplash