Ian Beacraft: “Execução virou commodity”
Futurista especializado em IA e no ambiente de trabalho conduziu painel no hotel Hilton na manhã desta segunda-feira (16)
Headliner veterano do South by Southwest (SXSW), Ian Beacraft, CEO da consultoria Signal e Cipher, comandou o painel ‘How to design a company that AI can’t outpace’ na manhã desta segunda-feira (16), quinto dia do festival que ocorre em Austin, no Texas, até 18 de março de 2026, com mais de 600 sessões.
“Tudo muda muito rápido. Ainda paramos do mesmo jeito, só que melhor e de um jeito muito mais veloz. Treinar é a ferramenta básica”, diz o futurista, que propõe a redefinição do ecossistema de trabalho pautado pela inteligência artificial. O seu campo de estudo é conhecido por testar tecnologias emergentes antes mesmo que elas se popularizem, traduzindo o seu impacto para a estrutura das empresas e a produtividade humana. “Enxergar a IA apenas como uma ferramenta pode cegar o seu potencial", analisa.
A recomendação é utilizar IA como uma espécie de colaborador capaz de reescrever o sistema de operação e modelo de trabalho das companhias. "Existe uma diferença entre 'temos mais de cem agentes' e 'agentes são onde o trabalho acontece agora'", diz. Segundo ele, quando os esforços se voltam para a obtenção de ferramentas, “você apenas otimiza o passado”. Mas se entende que "o trabalho acontece nos agentes, estará redesenhando o futuro da sua profissão”.
Para ele, as organizações são moldadas pela física do trabalho humano, limitadas por tempo, comunicação e habilidades. "Cada estrutura na sua empresa é uma resposta a essas limitações. Se você automatizar os processos, mas mantiver as velhas estruturas, você terá uma empresa rápida, mas ainda engessada", explica. Times enxutos impulsionados por inteligência artificial podem alcançar um desempenho que antes exigia uma força de trabalho de centenas de funcionários, além de investimento em especialistas. Aprendizagem contínua virou prerrogativa para se adaptar às mudanças e transpor barreiras.
Ele chama a atenção para os custos de execução, antes a parte mais onerosa e demorada das operações, com programadores, designers, redatores e analistas para tirar uma ideia do papel. Hoje, tudo isso virou commodity com a IA. “O valor agora está em quem sabe decidir obedecendo a hierarquia de operação, design e arquitetura dos negócios. Começe redesenhando seu próprio fluxo de trabalho. Criar cultura é a próxima fronteira”.
Beacraft acredita que a tecnologia pode aumentar as capacidades humanas - o chamado “augmented individuals”, ou indivíduos aprimorados tecnologicamente -, em vez de substituir trabalhadores. Essa crença se repete em praticamente todas as sessões de gurus da tecnologia convidados para subirem aos palcos do SXSW 2026, como Amy Webb, Amy Gallo e Rana el Kalioub.